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23 de Fevereiro de 2019

Só no site :: Alagoas tem Jeito

29/10/2018 - 11:09:36

Economistas falam sobre os caminhos que podem levar ao desenvolvimento de Alagoas através do turismo

Redação
Foto: Divulgação

Economistas Edimilson Veras e Elias Fragoso falam sobre os caminhos que podem levar ao desenvolvimento de Alagoas através do turismo, um setor para o qual há uma crescente demanda mas falta uma política efetiva e direcionada.

EXTRA- Como o turismo pode ajudar Alagoas?

Prof. Edimilson Veras – O turismo é para Alagoas tão importante como é, por exemplo, para a Polinésia francesa e outros recantos do mundo privilegiados pela natureza. Por isonomia, deveria ter o mesmo tratamento prioritário recebido naqueles paraísos que têm nele sua principal fonte de receita e de desenvolvimento. A Polinésia, um conjunto de pequenas ilhas altamente procuradas, recebe cerca de 200 mil turistas/ano (2 mil brasileiros). Seu modelo de negócio muito profissional está focado em praia e mar e o turismo representa nada menos que 50% da sua economia. Por aqui ainda estamos em patamares muito aquém das reais possibilidades do setor.

Prof. Elias Fragoso - E não se pense que a Polinésia é exemplo único. Nosso vizinho Uruguai, que possui população similar à de Alagoas, recebe anualmente 4 milhões de turistas (mais que sua população de 3,4 milhões de pessoas) dos quais cerca de 750 mil são brasileiros. Lá, o turismo além de prioridade é trabalhado com enorme profissionalismo. E, diga-se de passagem, o turismo de verão – seu forte – tem praias de águas gélidas que o país compensa com uma grande variedade de produtos turísticos que vão desde os cassinos de Punta Del Este, Montevideo e Passos, passando por vinícolas, a rota do azeite de oliva ou pela mística Piríapolis, por exemplo. Polinésia e Uruguai são dois exemplos de que unir profissionalismo, forte ação privada, apoio governamental e belos lugares é receita certa de sucesso.

EXTRA - O que nos falta?

Prof. Elias Fragoso – O turismo é uma atividade que exige alta complementariedade com outros setores. Questões ambientais como saneamento (que, no caso de Alagoas é quase uma calamidade), energia de qualidade (que não temos, mormente fora de Maceió), água corrente (outro sério problema já que, por exemplo, a região da rota ecológica na alta estação sofre com a falta de água corrente), boas estradas (na área nobre do turismo alagoano, as estradas existentes não são duplicadas, tampouco, tem sua manutenção sempre assegurada) e a baixa qualidade/disponibilidade de internet, são sérios entraves para o crescimento do turismo em Alagoas.

Prof. Edimilson Veras – Mas não fica nisso. É baixa a articulação do governo do Estado e prefeituras das principais cidades turísticas, “bate-cabeça” derivado da falta do básico como um plano diretor para o turismo alagoano, que dentre outras importantes funções teria o papel de servir de norte para o setor. Sua inexistência termina por levar à baixa interação institucional dos órgãos afins nas estruturas estatais e às dificuldades e insegurança sentidas pela iniciativa privada no tocante à implementação dos seus projetos. Que termina por resultar em atraso para o setor e frenagem no nosso desenvolvimento.

EXTRA - Como encaminhar as soluções para o setor?

Prof. Elias Fragoso – Em primeiríssimo lugar, com a elaboração do Plano Diretor do Turismo de Alagoas, que até hoje não foi feito. Sem ele, é como querer dirigir um avião sem o destino demarcado e sem bússola.

Agora, não se pode deixar tal responsabilidade nas mãos de tecnocratas e suas visões estatistas ou “dirigidas” ao atendimento de interesses políticos. Tampouco entregar a responsabilidade a profissionais que não tenham conhecimento da realidade local, sob pena de irem beber nas mesmas fontes que até agora não resolveram o problema.  Nesse sentido, o trade local precisa sim, tomar a dianteira e bancar o estudo. Afinal serão os beneficiários diretos.

Prof. Edimilson Veras – Simultaneamente, medidas infraestruturais (energia, água, internet, saneamento, estradas, etc.) precisam começar a serem equacionadas. Elas são parte fundamental de uma efetiva virada do setor. Não se visualiza soluções mágicas de curto prazo para a resolução dos problemas do turismo alagoano. Mas essas iniciativas são, certamente, medidas iniciais imprescindíveis.

Prof. Elias Fragoso – Outro aspecto fundamental é definir o modelo de marketing para o setor. Desde a definição – da difusa - marca e slogan do turismo de Alagoas, da definição dos seus mercados–alvos, do foco estratégico no público-alvo, no modelo de comunicação direta, acessível e convincente dos atrativos do estado e dos principais produtos e serviços ofertados, etc.

Estamos aqui falando de um efetivo plano de marketing e não de meras campanhas de divulgação, em geral desfocadas de objetivos concretos e de baixo retorno, por não planejadas. Alagoas precisa de um plano de marketing para o turismo para massificá-lo em todo o mundo.

Prof. Edimilson Veras – E aí chegamos em outro ponto fulcral que é a internacionalização do nosso turismo. Não dá prá continuar convivendo com 10 mil visitantes-ano, meras 27 pessoas/dia em média. Temos plenas condições para multiplicar por várias vezes esse número. Sem esquecer que o turista estrangeiro opera sempre com moedas fortes. Mas antes, é preciso ir resolvendo as questões mais urgentes aqui citadas. São elas óbices para o pleno desenvolvimento do setor. É preciso sair do predominante modelo reativo que nos mantém embrionários e tolhem e obliteram os avanços no turismo local.

EXTRA - Existem recursos para isso? Como acessá-los?

Prof. Elias Fragoso - Recursos sempre existem, agora, para acessá-los faltam bons projetos. Recursos internos e principalmente externos. Aí é preciso ter os contatos certos para fazer a coisa andar. Nesse quesito tudo está por fazer, inclusive, reforçando, o Plano Diretor (que irá nortear os demais projetos).

Prof. Edimilson Veras – E clara definição do modelo privado de exploração econômica do turismo pautado em criatividade, inovação, modernidade, oferta de produtos com significância para o cliente. São questões básicas que ainda não alcançamos.

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