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23 de Fevereiro de 2019

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Edição nº 1008 / 2019

07/02/2019 - 18:00:54

Geólogo quer que Petrobras estude caso do Pinheiro

Oswaldo Costa sugere concreto ou areia e água para estabilizar solo da região

José Fernando Martins - [email protected]
Costa diz que tecnologia da petrolífera é referência mundial - Foto: José Fernando Martins

A tecnologia da Petróleo Brasileiro S.A., a conhecida Petrobras, poderia ser fundamental para identificar e traçar meios de resolução quanto ao solo instável do bairro do Pinheiro, área que está afundando e causando rachaduras em casas e edifícios em Maceió, além de oferecer riscos aos moradores. 

A sugestão é de Oswaldo de Araújo Costa Filho, professor de Geologia aposentado pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Hoje, ele atua na consultoria em área minerária e ambiental. 

Filho, em março do ano passado, participou de audiência pública promovida pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Alagoas (Crea-AL), representando a Federação Brasileira de Geólogos (Febrageo). E levou o problema para Benjamin Bley de Brito Neves, professor da Universidade de São Paulo (USP), considerado o papa da geologia do país. 

“Ele me disse que o que aconteceu no Pinheiro era impossível ser por movimentação de placas. Pediu para eu falar com outro geólogo, Marcelo Assunção, um dos poucos do Brasil que entendem de terremotos”, explicou. Assunção, à época, alertou que os fenômenos poderiam ser recorrentes, ou seja, acontecer a qualquer hora, com maior ou menor intensidade. 

“Ainda não podemos dizer os motivos dos tremores, que na verdade podem ser diversos ou um conjunto de fatores [galerias, mineração, chuvas]. A parte técnica dos estudos está sendo bem conduzida pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM). Mas minha ideia é que deveria também ser realizada pela Petrobras”. Segundo o geólogo, a petrolífera tem o mapeamento geológico da região há mais de 30 anos. 

“Sem falar que tem uma tecnologia fantástica de perfuração, que possibilita perfurar poços no mar. A CPRM está perfurando poços de até 100 metros de profundidade para estudos, que vão dizer alguma coisa. Mas, na minha opinião, a Petrobras poderia abrir poços de mais de 1000 metros, indo até a camada de sal-gema”, destacou.

Durante perfuração, ao identificar algum vazio, começariam os estudos para detectar o tamanho do buraco. Duas alternativas para devolver a estabilidade do solo, de acordo com o geólogo, seriam: ingerir concreto preenchendo a cavidade ou uma mistura de areia e água, ambas opções de grande custo econômico. 

NOTA

A Febrageo emitiu, nesta semana, uma nota sobre os estudos do Pinheiro. Confira na íntegra.

O sismo de magnitude 2,4 na escala Richter ocorrido no bairro Pinheiro, na cidade de Maceió, no dia 3 de março de 2018, após as fortes chuvas no dia 15 de fevereiro de 2018, teve como resultado o aparecimento de fissuras e rachaduras em casas, edifícios e vias públicas naquela região, causando inúmeros danos, materiais e psicológicos, à população local, gerando, inclusive, interdição de diversas casas e edifícios, face ao perigo de desmoronamento. 

Até o momento não há estudos conclusivos apontando as causas do fenômeno, conforme relatórios divulgados pelo Serviço Geológico do Brasil e pela Defesa Civil de Maceió. Por outro lado, opiniões e conjecturas têm sido veiculadas na mídia, o que tem acarretado preocupações para os moradores do bairro. A Febrageo considera que tais informações ou “laudos” são prematuros, desprovidos de base técnica ou científica atualizada, servindo apenas para aumentar as dúvidas e causar consternação e pânico na população da capital. 

A situação do bairro Pinheiro, embora seja de extrema gravidade, só poderá ter suas dúvidas dirimidas após rigorosa análise de dados provenientes de testes e estudos técnico-científicos atualizados. A Febrageo apoia as ações da Defesa Civil do Município e dos Governos Federal e Estadual, considerando os possíveis riscos e adequando as medidas preventivas cabíveis, e vê como positiva a atuação dos profissionais de geologia da Agência Nacional de Mineração e do Serviço Geológico do Brasil nas ações para o diagnóstico do fenômeno. 

A Febrageo, informa ainda, que sugeriu, na audiência pública do dia 8 de março de 2018, promovida pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Alagoas (Crea-AL), a criação de uma força tarefa composta por profissionais do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), da Agência Nacional de Mineração (ANM/DNPM), Universidades, Petrobras, Institutos Sismológicos do Rio Grande do Norte e Brasília e IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo. 

Com os dados geológicos, geofísicos e geomecânicos coletados será possível realizar análise criteriosa para identificar e esclarecer as causas do tremor pelos técnicos brasileiros. Espera, ainda, maior celeridade no desenvolvimento dos trabalhos necessários para a completa e total apuração dos fatos. A população afetada merece respeito e uma rápida ação para resolução do problema.

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