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23 de Fevereiro de 2019

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Edição nº 1008 / 2019

09/02/2019 - 06:52:33

Sacerdote acusado de assédio foi homenageado na Câmara

Padre Calmon está afastado até que investigação seja concluída

Vera Alves - [email protected]
Foto: Divulgação

Há uma semana nos círculos religiosos de Maceió não se fala sobre outra coisa: a acusação de assédio sexual contra o pároco da Igreja de São José, no bairro do Trapiche. Padre Calmon Rodovalho Malta é alvo de inquérito policial e que tem como vítima um ex-coroinha da igreja, hoje com 15 anos. 

As investigações correm em segredo de Justiça, praxe quando se trata de acusações envolvendo religiosos no estado. O que se sabe até agora é que a denúncia contra o padre foi feita pela mãe e por um irmão do adolescente ao Conselho Tutelar, que os encaminhou para a polícia. 

O assédio teria ocorrido em novembro do ano passado mas somente em janeiro a família do adolescente, que já não era coroinha mas frequentava a igreja com assiduidade, teria tomado conhecimento dos fatos e fez a denúncia. 

As investigações estão sendo conduzidas pela Delegacia Especial dos Crimes Contra a Criança e o Adolescente (DCCCA), que tem como titular a delegada Adriana Gusmão e são acompanhadas por um membro do Ministério Público Estadual. 

Conselheiro tutelar da Região Administrativa II, que engloba além do Trapiche os bairros do Centro, Levada, Vergel do Lago, Ponta Grossa, Prado e Pontal da Barra, Márcio Leite foi quem recebeu a denúncia inicialmente. Ele estava no plantão quando foi procurado pela família do jovem. “Diante da gravidade do caso, acompanhamos a família à delegacia para que a denúncia fosse formalizada e investigada”, assinalou, acrescentando ter sido o primeiro relato do tipo desde que atua no conselho, há dois anos.

Os detalhes da acusação, contudo, continuam sendo ignorados. O argumento é de que o inquérito está sob segredo de Justiça, razão pela qual não podem ser divulgados enquanto as investigações não forem concluídas.

O EXTRA conversou com o advogado do padre Calmon que garantiu que seu cliente é inocente. “Temos provas que afastam completamente o padre das acusações”, enfatizou Ronald Pinheiro, que preferiu não comentar a informação obtida pelo jornal de que o religioso não estaria em Alagoas. ”Ele está à disposição das autoridades”, garantiu, acrescentando que as investigações da polícia ainda estão em andamento.

A Arquidiocese de Maceió mantém a mesma postura da semana passada, quando as acusações contra o pároco foram tornadas públicas: assédio sexual e aliciamento. Afastou o padre de suas atividades na Igreja de São José, nomeou um representante da Igreja Católica para apurar as denúncias e não vai emitir qualquer declaração oficial até que o processo seja concluído no âmbito judicial.

Cidadão honorário 

de Maceió

Prestes a completar 40 anos, o padre Calmon Rodovalho Malta é natural da cidade goiana de São Miguel do Araguaia e pertence à Congregação dos Missionários Claretianos. Ordenado sacerdote em 2007, é formado em Filosofia, Teologia e pós-graduado em Gestão Empresarial pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC). Foi diretor do Colégio Claretiano de Belo Horizonte (MG) antes de ser transferido para Alagoas e assumir, na capital, a paróquia da Igreja de São José, no Trapiche da Barra.

Em junho de 2017 ele foi agraciado com o título de Cidadão Honorário de Maceió pela Câmara Municipal, numa inciativa do então vereador e hoje deputado estadual Dudu Ronalsa (PSDB) e aprovada, por unanimidade, pelos demais vereadores.

Ao justificar a concessão do título, Dudu Ronalsa afirmou que “nos dias de hoje, exercer a função de padre vai muito mais além do que as questões religiosas. O padre Calmon faz esse papel de ser um homem com um olhar voltado para o social, para os que mais necessitam”.

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