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16 de Novembro de 2018

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Edição nº 997 / 2018

09/11/2018 - 05:05:20

Compradores denunciam construtora em Arapiraca

Empreendimento Colinas Sweet Home não sai do papel

José Fernando Martins - [email protected]
Empresário se comprometeu a devolver o dinheiro dos investidores; obras do condomínio estão paralisadas

Quem investiu dinheiro na compra de um imóvel no empreendimento Colinas Sweet Home, localizado em Arapiraca, no Agreste alagoano, nem desconfiava que o sonho da casa própria iria parar na delegacia. Até um inquérito foi instaurado em desfavor das empresas por trás da construção e venda do residencial, a Solo Incorporações e a Carlos Gomes Imobiliária. A acusação é de estelionato. 

O EXTRA teve acesso a depoimentos de pessoas que se sentiram lesadas com o investimento. Pagaram um valor para garantir um apartamento, que depois seria financiado pela Caixa Econômica Federal (CEF) a partir do programa Minha Casa Minha Vida, lançado em 2009. Porém, a Solo Incorporações não teria cumprido os prazos para a entrega dos imóveis. Segundo uma das vítimas, de iniciais G.I.S, após ver o projeto e o local da construção do condomínio, decidiu assinar contrato com o corretor de plantão da Carlos Gomes Imobiliária. 

Com a papelada oficializada, quitou uma entrada à vista no valor de R$ 8 mil. O acordo, conforme declarado à Polícia Civil, era que o comprador assumiria um financiamento com a CEF após a entrega da residência tendo, então, um saldo devedor de R$ 70 mil. Depois de passar 18 meses do prazo da entrega do imóvel, o comprador foi in loco e se deparou com uma obra abandonada. O denunciante procurou a imobiliária que ofereceu um acordo: devolver o valor investido em dez parcelas mensais. Ofendido com a proposta, G.I.S resolveu acionar as autoridades em março deste ano. 

No mesmo mês foi a vez de S.S.S. prestar queixa. Ela contou que, em 2009, ficou sabendo do residencial Colinas Sweet Home e decidiu procurar a imobiliária denunciada. Ao fechar a negociação, pagou R$ 4 mil como entrada. O acordo seguiu os trâmites do primeiro denunciante. O comprador teria uma dívida com a Caixa, que cederia um financiamento a partir do programa de habitação popular do governo federal. Quando foi visitar as obras, a compradora compartilhou a mesma decepção do primeiro relato. Ela constatou que a construção estava paralisada. 

Ainda conforme depoimento, a compradora recebeu uma ligação da imobiliária que a convidou para uma conversa. Lá na imobiliária foi orientada por duas pessoas que se identificaram como funcionários da Caixa Econômica dizendo que estavam assumindo a obra do residencial fazendo com que a denunciante assinasse novamente um contrato. A Solo Incorporações chegou a veicular um vídeo para promover o condomínio. Na propaganda é possível ver a logomarca da Caixa Econômica, além do vínculo com Carlos Gomes Imobiliária.

Outros depoimentos dão conta de que vítimas pagaram até R$ 12 mil de entrada, um valor bem acima que o proposto pelo programa social. O EXTRA entrou em contato com a assessoria de comunicação da CEF sobre os financiamentos que envolvem o residencial. “A Caixa informa que não há contrato firmado com a referida construtora para o empreendimento Residencial Colinas Sweet Home”, destacou, via nota. 

E ressaltou que a incorporadora usou o nome da Caixa sem autorização. “Com relação ao uso indevido da marca Caixa no material publicitário, a denúncia será apurada e o banco avaliará as medidas judiciais cabíveis. Caso seja comprovado esse uso indevido a construtora será notificada para retirada imediata da marca”.  Números extraoficiais dão conta de que dos 208 apartamentos oferecidos pelo condomínio, cerca de 100 apartamentos foram vendidos.

OUTRO LADO

De acordo com o empresário Carlos Gomes, “a imobiliária figurou apenas como uma das empresas que intermediou as vendas dos apartamentos”. Sobre a Solo Incorporações, Gomes informou que a empresa fundada em 1998, com sede em Maceió, tem vários empreendimentos entregues em Alagoas e em outros estados. “Temos vasta documentação comprobatória de análise e aprovação do volume jurídico e da engenharia do empreendimento junto à Caixa Econômica Federal”, disse.

“A mudança nas condições de análise de crédito por parte do agente financeiro, incapacidade de comprovação de renda de alguns clientes, baixa demanda, e inadimplência de aporte de capital por parte de sócios contribuíram para o insucesso do empreendimento”, afirmou ao EXTRA. “E mesmo com todas as dificuldades e dentro das possibilidades a construtora está devolvendo os valores pagos por seus clientes sem qualquer ajuda dos demais sócios”, finalizou.

Quando foi lançado, o Colinas Sweet Home foi recebido com entusiasmo em Arapiraca. Matéria veiculada em um site local, de dezembro de 2009, considerou o condomínio como grande passo na expansão do município. “Localizado em uma área de grande valorização, perto de hospitais, clubes, e a cinco minutos do centro de Arapiraca, o residencial é considerado um ponto estratégico para transporte e rapidez de se locomover ao trabalho, local de compras ou estudos”, dizia a reportagem.

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