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16 de Novembro de 2018

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Edição nº 994 / 2018

19/10/2018 - 13:25:21

Cícero Almeida é investigado por roubo de dinheiro do CRB

José Fernando Martins - [email protected]
Foto: Divulgação

O deputado federal e ex-prefeito de Maceió Cícero Almeida (PHS) teve que prestar esclarecimentos à Polícia Federal sobre o arrombamento de um automóvel do deputado estadual e presidente do CRB, Marcos Barbosa (PPS), ocorrido no último dia 1º de outubro. O jornal EXTRA teve acesso  ao Termo de Declarações de Almeida e Barbosa, duas versões distintas sobre o mesmo crime. 

O local da ocorrência foi o Edifício Ilha De Limnos, na Pajuçara, orla de Maceió, onde Almeida reside e onde morou Barbosa, que ainda usa o estacionamento do imóvel. À PF, Almeida contou que estava desconfiado da movimentação em torno de um veículo, um HB20, estacionado na vaga de Barbosa, que fica ao lado da sua. Um dos motivos do estranhamento por parte do deputado federal seria o fato de o presidente do CRB possuir uma BMW preta. 

Também disse em depoimento que nem a portaria estava sabendo informar quem era o proprietário do veículo que ele qualificou como suspeito. Nesse dia, Almeida, que tinha alugado uma SW4 da Toyota, declarou que chamou o locador identificado como Pedro Henrique para resolver um problema na bateria do automóvel. Ainda segundo o parlamentar, quando Pedro Henrique compareceu ao edifício para arrumar o veículo, comentou com o mesmo sobre sua desconfiança quanto ao carro que estava na vaga de Barbosa. 

Contou que “por duas vezes tinha visto um indivíduo perto do seu veículo”. Foi quando Pedro Henrique teria perguntado a Almeida se queria abrir o carro de Barbosa para verificar seu interior. Almeida declarou ter falado que não havia necessidade. Após resolver o problema na bateria do veículo locado, Pedro Henrique teria subido até o apartamento do deputado federal. 

Afirmou que tinha aberto o veículo “misterioso” e encontrado uma mala com muito dinheiro, um cadeado e duas pastas que só poderiam ser abertas com senha. Após isso, Pedro Henrique teria descido e fechado o carro. Já na noite do dia 2, Cícero Almeida recebeu uma ligação de Marcos Barbosa e os dois se encontraram por volta das 23h. 

Barbosa, sabendo do suposto envolvimento do parlamentar no arrombamento do carro, disse que queria os R$ 195 mil que teriam sumido de dentro do veículo. Almeida ligou para Pedro Henrique, que também foi ao encontro de Barbosa. Henrique confessou que abriu o veículo, mas afirmou que não levou o dinheiro. O presidente do CRB reafirmou que havia a quantia de R$ 195 mil e que Pedro Henrique teria deixado cair R$ 5 mil durante o furto. 

Conforme Almeida, Barbosa pediu a devolução do dinheiro para o “assunto morrer”. O deputado federal também disse à PF que não sabia se havia lista de eleitores dentro do carro e se o dinheiro seria utilizado para a compra de votos. 

A versão de Marcos Barbosa

O deputado estadual Marcos Barbosa também deu sua versão à Polícia Federal. Declarou que se mudou do Edifício Ilha De Limnos há dez meses e que o veículo HB20 foi comprado para sua filha, que ainda não tem carteira de motorista. Sendo assim, quem utilizaria o automóvel seria um funcionário por pelo menos três vezes na semana. Disse que o veículo já estava estacionado no local há cerca de três meses. 

Sobre o fato de ter guardado dinheiro dentro do carro, Barbosa informou à PF que não tem esse costume, apenas guardava medalhas, camisetas do CRB e bolas de futebol. Sobre o valor de R$ 195 mil, o parlamentar afirmou que seriam oriundos dos jogos CRB x Coritiba e CRB x CSA. O dinheiro, de acordo com o cartola, seria destinado ao pagamento de salários dos jogadores e da comissão técnica, o que seria feito no dia 10 de outubro. Disse que nem o Centro de Treinamento nem a sede administrativa do CRB têm condições de segurança suficientes para guardar altos valores em dinheiro. 

“No dia 1º pedi para que funcionários buscassem três medalhas do CRB para presentear um torcedor que estava em um restaurante. Um funcionário me ligou e avisou que haviam aberto o veículo e subtraído uma caixa pequena e uma sacola verde com o dinheiro”, disse em seu depoimento. 

Pediu para que o funcionário não mexesse mais no veículo e acionou o delegado-geral da Polícia Civil, Paulo Cerqueira, que designou um delegado para apurar o furto do dinheiro. E como o carro não tinha sinais de arrombamento foi deduzido ter sido aberto por um chaveiro. Contou, ainda, que sua esposa, a vereadora Silvania Barbosa (PRB), esteve com a síndica do condomínio para verificar as câmeras de segurança e viu a movimentação de quatro pessoas perto do veículo da família.

Também no depoimento de Barbosa, consta que o marido da síndica contou às autoridades policiais que um homem chamado Jânio o teria procurado “oferecendo R$ 5 mil se ele permitisse que Pedro Henrique retirasse documentos comprobatórios” do carro de Marcos Barbosa. A negociata não foi aceita. Contou ainda que Cícero Almeida teria pedido para Pedro Henrique abrir o veículo, mas que ambos afirmaram que não viram nenhum dinheiro. 

Apesar de negar o furto,  Almeida devolveu R$ 105 mil  a Barbosa, deu um veículo Toyota SW4, placa OYV-3885, como garantia, e se  comprometeu a pagar o restante do dinheiro roubado para encerrar a questão e evitar o prosseguimento do processo na Justiça. 

Locações suspeitas com Cotão 

Cícero Almeida tem alugado carros com frequência, uma mordomia paga pela Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar, ou seja, dinheiro público. Em novembro de 2016 ele começou uma “parceria” com a empresa Acqua Jato, localizada no bairro do Farol. De propriedade de Maria Beatriz Farias de Oliveira, a empresa locaria carros a partir de Pedro Henrique Farias de Oliveira, o mesmo envolvido na invasão do automóvel de Barbosa. 

Em novembro de 2016, Cícero Almeida locou um Renault Sandero por R$ 4.600. O número da nota fiscal disponibilizada na Câmara dos Deputados foi de 173. Em dezembro, o parlamentar voltou a alugar o mesmo veículo pelo mesmo valor. O número da nota: 174. Ou seja, em um mês, a empresa teria expedido apenas mais uma nota fiscal e justamente para Cícero Almeida. Em janeiro de 2017: nota número 184. Já em fevereiro: 189. Novamente: em um mês de trabalho a Acqua Jato teria emitido apenas cinco notas fiscais. De julho a agosto: seis notas. 

Só no ano de 2017, Cícero Almeida destinou R$ 68.900 à empresa locadora. 

Inscrita na Receita Federal com o CNPJ 12.725.158/0001-08, a Acqua Jato tem oito anos de mercado e tem como principal função serviços de lavagem, lubrificação e polimento de veículos automotores. A locação seria uma atividade econômica secundária. Neste ano, o valor pago por Almeida à empresa através do Cotão já está em R$ 61.400. 

Outro ponto inusitado é o fato de Cícero Almeida ter dado como garantia a Marcos Barbosa o mesmo veículo  Toyota SW4 que ele tem alugado durante vários meses pela cota parlamentar. 

O sumiço do dinheiro está sendo investigado pelo delegado da Polícia Civil Fabrício Lima do Nascimento. 

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