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18 de Dezembro de 2018

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Edição nº 993 / 2018

12/10/2018 - 07:24:47

‘Maldição’ do 2º mandato vira desafio para Renan Filho

Governador promete concluir obras, mas terá pela frente duro cenário

Odilon Rios - Especial para o EXTRA
Renan Filho garantiu que vai superar dificuldades e uma boa administração no segundo governo - Foto: Divulgação

O governador Renan Filho (MDB) busca exorcizar a “maldição” do segundo mandato. É algo que desafiará o chefe do Executivo durante os próximos quatro anos. Ele terá de mostrar capacidade para continuar os investimentos nas áreas sociais e de infraestrutura, mesmo com o país enfrentando uma turbulência na política que afeta a economia para que, mais adiante, se construam as condições para eleger um sucessor em 2022, com Renan Filho disputando as urnas em direção ao Senado Federal.

Até lá, o caminho é longo.

Desde que a emenda da reeleição foi aprovada quando Fernando Henrique Cardoso presidia o Brasil, todos os governadores alagoanos  disputaram um segundo mandato e foram reeleitos. E todos tiveram administrações pífias após o bis nas urnas.

Ronaldo Lessa e Teotonio Vilela Filho foram reeleitos em Alagoas desde a emenda FHC. Ronaldo elegeu o sucessor, Téo Vilela, mas com um segundo mandato sem programas sociais ou obras de impacto capazes de entrar para a história. Bem diferente do mesmo Ronaldo Lessa, quando assumiu o governo pela primeira vez, realizando concursos públicos e pagando os salários dos servidores em dia.

Téo Vilela também assistiu a um fim de governo menor que quando assumiu pela primeira vez. Após resolver as greves que estouraram logo no início do primeiro mandato, Vilela anunciou empréstimos que somavam mais de R$ 2 bilhões, dinheiro suficiente para gerar um boom econômico, além de acordos de refinanciamento da dívida pública e um megaplano de segurança lançado com pompa e circunstância e que se reduziu a estratégias policialescas, incluindo o coturno no pescoço dos mais pobres.

O dinheiro dos empréstimos chegou. Os outros planos morreram na praia.

Renan Filho sempre questionou o destino errado (e duvidoso) do dinheiro destes empréstimos. O Tribunal de Contas e o Ministério Público Estadual fingiram não ouvir a gravidade das denúncias.

Reeleito, o governador Renan foi às redes sociais. Gravou um vídeo de 3 minutos e 21 segundos. Sabia da “maldição” envolvendo o segundo mandato dos chefes de Executivo. No vídeo, agradeceu o apoio nas urnas e lembrou das dificuldades dos governadores alagoanos na reeleição.

“Poucos conseguiram fazer um segundo governo melhor que o primeiro”, disse Renan Filho, prometendo superar as dificuldades “que não serão poucas. A eleição presidencial está dividindo o país, a crise econômica avança” e os sistemas de proteção social “aos mais pobres estão ameaçados”, referência indireta a uma provável vitória de Jair Bolsonaro (PSL), da extrema direita brasileira mais ligada ao fascismo de cunho religioso-cristão, que teve bastante destaque no país nos anos 30, com os integralistas.

No primeiro mandato, o governador conseguiu aquilo que Vilela e Lessa nunca avançaram: renegociou a dívida pública, abriu escolas em tempo integral e colocou em prática um programa de governo que aumentava impostos e, ao mesmo tempo, irrigava obras públicas, como os hospitais em construção, com dinheiro do Fundo de Combate à Pobreza.

As propostas lhe deram a reeleição, com 77,3% dos votos.

O governador prometeu realizar concursos públicos todos os anos e concluir obras que estão em andamento: além dos hospitais e unidades de pronto-atendimento, inaugurar os Centros Integrados de Segurança Pública, rodovias, escolas, ginásios, aumentar a quantidade de comunidades atendidas no Vida Nova nas Grotas e a primeira etapa da duplicação da AL-101 Norte.

EIXO PARADO

Mas, existe uma obra aparentemente simples e travada no governo: o eixo Cepa, que promete desafogar o trânsito na Fernandes Lima com a construção e readaptação de um trecho de 9 quilômetros de asfalto, também passando por dentro do Horto Florestal (próximo ao Walmart, direção Tabuleiro dos Martins-Centro).

A obra foi embargada há quase 10 meses. O Ibama, que administra o Horto, alega remoção de 3 hectares a mais de Mata Atlântica, não previstos no projeto. O órgão federal fala em desvio e aumento do trajeto; o governo nega. Em maio, os dois lados assinaram um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para o replantio de áreas nativas. E tudo permanece como está: aguardando uma definição.

Também existe um “grande e permanente problema para a administração estadual”, a dívida pública, segundo aponta o professor Cícero Péricles. Problema que, segundo ele, vai sendo equacionado nos últimos anos e diminuindo de importância nas despesas públicas por causa dos acordos com a União.

“E isso tanto permitiu um melhor desempenho da gestão estadual, como deve aumentar a capacidade do Estado em tomar mais créditos na próxima gestão. É bom lembrar que o endividamento é algo positivo quando realizado para investimentos que geram impacto econômico e social e seu pagamento cabe dentro do orçamento estadual de forma a não impedir as outras despesas essenciais”, destaca o economista.

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