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21 de Outubro de 2018

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Edição nº 992 / 2018

05/10/2018 - 06:25:17

Renan Filho vai enfrentar conjuntura nacional difícil

Governador depende de vitória de Haddad para portas abertas em Brasília, diz economista

Odilon Rios Especial para o EXTRA
Cícero Péricles: ‘Com Haddad, Brasília estará de portas abertas’

Os prognósticos estão confirmados, só faltam as urnas. O governador Renan Filho (MDB) está reeleito para seu segundo mandato neste domingo, é o que mostram todas as pesquisas registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com a desistência do senador Fernando Collor (PTC) na disputa pela chefia do Executivo, o caminho para a reeleição está praticamente pavimentado.

A menos que algo atrapalhe os planos do governador nesta reeleição, ele terá pela frente os desafios do passado – dívida pública, relação com os usineiros – e as promessas do presente e do futuro num cenário econômico para 2019 de pouquíssimo crescimento e dependendo da vitória de Fernando Haddad (PT) à Presidência da República para atrair recursos e condições políticas favoráveis para a continuação dos projetos.

“Um segundo governo Renan Filho se dará numa conjuntura nacional tão difícil como a do primeiro mandato, que está findando. Os anos de administração da atual gestão, de 2015 para cá, foram anos de retração econômica, da diminuição dos investimentos privados, de cortes de verbas federais, de paralisação do PAC, e de má vontade política, em função do posicionamento do senador Renan Calheiros, no âmbito federal”, diz o economista Cícero Péricles.

“O segundo mandato dependerá, em parte, da recuperação econômica nacional, que, por sua vez, será definida pela nova situação política do país”, analisa.

Se Fernando Haddad for eleito, Brasília estará de portas abertas. “Haveria uma coincidência entre a gestão federal e o que Alagoas necessita, que é um projeto reformista, com uma ampliação das políticas públicas, que dariam bons resultados nas áreas sociais e impactariam na economia. Em paralelo, os investimentos federais em infraestrutura, numa área pobre como Alagoas, também causariam efeitos imediatos na recuperação da economia”.

Se Jair Bolsonaro (PSL) vencer nas urnas, tudo se modifica, levando à penalização inclusive da Região Nordeste.

“No caso de um governo de direita, o Estado, por razões políticas, teria muita dificuldade de acessar recursos e a lógica de mercado, que até pode ser benéfica para as regiões mais desenvolvidas e industrializadas, que concentrariam mais investimentos e riqueza, penalizaria a Região Nordeste e, claro, um estado pobre como Alagoas”, afirma o economista, também professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal).


MAIS PARTICIPAÇÃO SOCIAL

Reeleito, o governador terá pela frente o desafio de ampliar a participação social, buscando a universalização das políticas públicas e mais transparência nos gastos públicos.

Com isso, diz o professor Péricles, um plano econômico envolvendo estes fatores pode seguir com a modernização da agricultura familiar. É um público de 120 mil famílias rurais, que podem assistir à ampliação da produção de alimentos mais matérias-primas, atendendo as demandas do estado e disputar o mercado regional.

Na área urbana, o foco deve ser o crescimento das 125 mil micro e pequenas empresas, mais as 76 mil microempresas individuais “que estão criando um novo tecido produtivo no Estado, tanto na capital como no interior”, analisa o professor.

“Existe um fenômeno na área industrial, da ampliação recente de um grande número de fábricas, pequenas e médias empresas espalhadas por quase todos os municípios, muito vinculadas ao consumo popular nas áreas de alimentos, vestuário, movelaria, material de limpeza.  O turismo está encontrando seu caminho de segmento econômico importante, principalmente no litoral. E poderá apoiar setores modernos, como o químico-plástico, que dependem de fortes investimentos e de contrapartidas e que, nesta conjuntura, são difíceis de resolver. Esses segmentos são os elementos que, se apoiados, podem ampliar a dinâmica da economia estadual na direção de mais crescimento e mais criação de emprego e renda”, detalha.

O cenário é animador, diz Péricles: pelas características do mercado de trabalho alagoano, existe um espaço, segundo ele, “muito grande” para retomar o ciclo anterior do mercado formal e gerar ocupações temporárias e empregos estáveis com carteira assinada.

Isso depende do crescimento da economia. “De 2004 para 2015, numa década marcada pelo crescimento econômico, foram criados mais de 200 mil postos de trabalho em Alagoas, ou seja, o mercado cresceu 60%. Cresceu basicamente no setor de comércio e serviços e na construção civil. Numa retomada econômica, a primeira leva de trabalhadores a serem contratados serão aqueles que perderam seus empregos nestes quatro anos de recessão e de estagnação econômica; num segundo momento, teríamos mais contratações nos setores mais exigentes, que demandam mais formação profissional. Esse não será, ainda, um problema tão difícil de enfrentar, porque o grau de escolaridade geral aumentou, assim como a presença da rede de ensino profissionalizante”, avalia o professor.

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