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18 de Setembro de 2018

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Edição nº 988 / 2018

06/09/2018 - 17:34:10

Melquezedeque Farias entrega aos eleitores sua experiência na lida da terra e defesa do comunismo

Sua principal bandeira de luta é a defesa da classe operária

Valdete Calheiros Especial para o EXTRA
Melquezedeque Farias

O EXTRA apresenta aos seus leitores, especialmente aos eleitores, mais um aspirante ao cargo de governador do Estado. Nesta edição, entrevistamos Melquezedeque Farias Rosa (PCO). Na disputa ao cargo máximo do Executivo, o candidato apresentou como vice Élcio Lins de Oliveira (PCO). Ambos disseram à Justiça Eleitoral não dispor de quaisquer bens em seus respectivos nomes. 

Em uma das mais recentes pesquisas realizadas pelo Ibope, entre os dias 13 e 15 de agosto, o candidato Melquezedeque Farias não pontuou. No entanto, a rejeição ao seu nome girou em torno de 19%. A pesquisa foi registrada sob os números 00461/2018 no Tribunal Regional Eleitoral – TRE/AL e 01162/2018 no Tribunal Superior Eleitoral – TSE.

EXTRA – Candidato Melquezedeque Farias, por que o senhor resolveu colocar seu nome à disposição para o governo do Estado?

Melquezedeque Farias – A minha candidatura foi uma indicação do comitê central do partido, embora, não seja a minha tarefa preferida (sair candidato), procurarei cumpri-la seguindo as orientações debatidas em nossa convenção.

EXTRA – O senhor já exerceu algum cargo eletivo?

Melquezedeque Farias – Nunca exerci cargo eletivo, e, pessoalmente, meu parlamento é a sala de aula. Minha candidatura é cumprimento de tarefa dentro do partido.

EXTRA – Qual foi o critério para a escolha do vice, Élcio Lins de Oliveira?

Melquezedeque Farias – Escolhemos o Élcio devido ao nosso comprometimento com os interesses e as necessidades dos trabalhadores e ao acordo que temos com a política do partido. Além da experiência e vivência no campo da esquerda.

EXTRA – Caso seja eleito, como o senhor irá trabalhar pelo estado?

Melquezedeque Farias – Trabalharei pelo Estado a serviço dos interesses e necessidades dos trabalhadores, apresentando o programa e propostas do partido, dando-lhes o poder de decidir em todas as esferas.  Duas expressões que sintetizam o nosso programa do qual derivam nossas propostas: controle social dos meios de produção nas mãos dos próprios trabalhadores e estatização dos setores estratégicos.

EXTRA – O senhor não pensou em iniciar a carreira política disputando outro cargo eletivo que não o de governador? Como por exemplo, vereador?

Melquezedeque Farias – Eu faço parte de um partido bolchevique, nele somos preparados para o trabalho braçal (armar barracas, vender jornal, panfletar, etc) e intelectual (ministrar formação, palestra, candidaturas, direção e coordenação de atividades) com o mesmo entusiasmo. O partido não indica nenhum de seus militantes para cumprir uma tarefa sem que esse tenha condições de cumpri-la. Aos 45 anos e 31 de experiência em movimentos, a tarefa para vereador, governador ou qualquer outro cargo eletivo já não faz tanta diferença. Afinal, em meu partido, a gestão é feita coletivamente e não individualmente. E essa gestão leva em conta as propostas que derivam do programa do partido, cabendo aos trabalhadores decidirem sobre elas.

EXTRA – Como o senhor pretende se tornar conhecido pelo grande público de eleitores até outubro?

Melquezedeque Farias – Eu me tornar conhecido é pouco relevante, o importante é fazer nosso programa chegar aos trabalhadores e ser compreendido por eles. Os nossos esforços começam pela nossa própria imprensa, militância, apoiadores e simpatizantes. Em segundo grau de importância, depositamos nossas expectativas na pequena mídia ou redes de comunicação “não” comprometidos com os grandes meios, tais como mídia independente, rádios, blogs, sites e redes sociais.  Em terceiro grau de importância e carregado de indiferença, vem as brechas minúsculas que o atual sistema e regime políticos nos oferecem na grande mídia. Apesar do faz de conta, a gente aproveita esse espaço para apresentar nossas ideias, mesmo sabendo que esse espaço serve mesmo é de fachada para disfarçar a esquálida e ilusória democracia brasileira.

EXTRA – Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o desemprego afetou mais de 17% da população alagoana no primeiro trimestre deste ano, o que mostra um aumento de 2,2% em comparação com os últimos três meses de 2017. 

Melquezedeque Farias – O desemprego em Alagoas é produto historicamente construído por uma tradição político-econômica suicida mantida por sucessivos governos de direita ligados às oligarquias; essa política sabota o desenvolvimento de Alagoas. Uma política econômica a partir de uma ideia fragilíssima de “vocação por uma determinada monocultura”.  É assim que já se justificou a vocação para a cultura da cana, do algodão (até certo ponto), do fumo, de forma localizada na região de Arapiraca; e ainda na agropecuária impulsionada principalmente pelas obras do Canal do Sertão; já se falou também que a alternativa seria o turismo, e, ultimamente, as ilusões andam sendo depositadas no setor de serviços. Mas tudo isso visto sob a ideia de “vocação” não passa de um embuste, um engodo, uma falácia para obnubilar a realidade concreta da situação da economia política alagoana. Por trás disso está um sistema de favorecimento das próprias oligarquias desinteressadas em diversificar a economia alagoana, potencializar a policultura, e gerar condições para uma efetiva industrialização que daria maior dinâmica para o setor de serviços. Nisto, contribuiria ainda mais o setor de turismo, entendido devidamente como complementar e não como central. Esse modelo seria o inverso do que temos. O modelo que vem imperando em Alagoas fez a dívida pública explodir através de sucessivos empréstimos para socorrer os negócios das oligarquias estrangulando o Estado. Empréstimos tomados para socorrer usinas falidas, por exemplo. Empréstimos esses cujas contas são cobradas dos trabalhadores através da arrecadação dos impostos e dos cortes de verbas paras os diversos serviços públicos: saúde, educação e outros. Alagoas está quebrada, com mais da metade de sua população abaixo da linha da pobreza, e devido à falta de ampliação da policultura e de falta de indústrias; e a permanência nesse circuito vicioso faz com que nada no horizonte se apresente para mudanças efetivas. Pelo jeito, continuaremos convivendo com o triplo e nefasto número 80 por muito tempo: em torno de 80% das terras nas mãos de 6 a 8 famílias; em torno de 80% das terras mais férteis estão dentro das terras dessas famílias; e, consequentemente, devido ao predomínio de poucas culturas e à falta de indústria, em torno de 80% do que consumimos vem de outros estados, isto é, Alagoas não produz o suficiente nem pra si mesma. O estado vive em torno dos programas sociais do governo federal, principalmente, dos desenvolvidos pelo governo Lula/Dilma e do que arrecada do setor de serviços.

EXTRA – Como o senhor vê a luta pela causa operária?

Melquezedeque Farias – A luta pela causa operária representa uma luta internacional pela superação do modo de produção capitalista rumo ao socialismo. Uma luta que tem sido e continuará sendo o grande projeto de minha vida e de todos os companheiros assim comprometidos. Nesse projeto é necessário estar disposto a cumprir as tarefas que se fizerem necessárias, desde as mais braçais às mais intelectuais.

EXTRA – Como fazer Alagoas crescer economicamente não apenas através do turismo e das belezas naturais?

Melquezedeque Farias – O crescimento de Alagoas não depende da vontade exclusiva de um homem em uma gestão de quatro anos.  O problema central de Alagoas não é exclusivamente de gestão ou administrativo; o problema está primordialmente em seu modelo socioeconômico concentrado e sem diversificação. Alagoas tem uma economia distorcida. Um caminho para Alagoas seria estabelecer um plano de desenvolvimento socioeconômico de curto, médio e longo prazo com metas claras a serem atingidas. Nesse plano de desenvolvimento socioeconômico estaria, como central, o desenvolvimento mais amplo possível da policultura associado ao fomento à indústria em consonância com o que seria produzido. Isso nos leva a pensar em indústria de beneficiamento de produtos primários concomitante com o desenvolvimento da policultura. O desdobramento desse primeiro passo seria o surgimento de outros empreendimentos, e, consequentemente, a dinamização cada vez mais vigorosa do setor de serviços. 

EXTRA – Recentemente, a União decretou estado de emergência em 38 municípios alagoanos. O sertanejo ainda sofre bastante com a estiagem. O Canal do Sertão será a redenção para essa região? Como fazer para que não só os grandes latifundiários explorem o Canal?

Melquezedeque Farias – O Canal do Sertão é apenas parte da resposta à questão do abastecimento de água. É necessário pensar em outras alternativas, tais como já foram apontadas na resposta à pergunta anterior: a construção de barragens subterrâneas e uma usina de dessalinização no litoral.  O Ceará já anda debatendo a construção de uma usina de dessalinização, Alagoas deve se interessar por esse caminho e não depender apenas da transposição do Rio São Francisco. Isso é algo que mais cedo ou mais tarde precisará ser feito. Antes cedo do que tarde! Se é que ainda é cedo. Até lá, o Canal do Sertão deve acudir primeiros os pequenos; uma gestão do PCO teria esse olhar maior para o menor. E seria tratado como crime qualquer coação aos pequenos para que eles se desfaçam de suas propriedades em favor dos grandes. E quaisquer denúncias e reclamações nesse sentido, seriam todas investigadas e tratadas com atenção rigorosa.

EXTRA – Quais as propostas do senhor para o mandato? 

Melquezedeque Farias – As propostas do PCO para Alagoas são o que diz o programa do partido: mobilizar os trabalhadores para a construção do socialismo.  Isso significa a inversão do modelo socioeconômico. No entanto, reconhecemos os limites da via eleitoral e os obstáculos que ela nos coloca. Logo, uma gestão do PCO buscaria pelo menos a inversão da lógica da gestão, construindo políticas públicas que resultassem em ganhos para os trabalhadores, uma gestão que priorizasse a elevação da qualidade de vida deles.

EXTRA – Fique à vontade para prestar quaisquer outras informações que julgar relevante.

Melquezedeque Farias – Nesse momento o assunto mais relevante para o PCO, mais do que o própria eleição de um candidato nosso, é a luta contra o golpe por que passamos desde a derrubada da presidenta Dilma; um golpe contra o povo brasileiro, já que está mais do que evidente que seu objetivo é a entrega total do patrimônio nacional ao controle estrangeiro. Já tivemos a entrega do pré-sal a americamos, franceses e canadenses, já tivemos a entrega da Embraer à empresa americana Boeing, um episódio em que os códigos de guerra dos caças brasileiros que vigiavam a Amazônia acabaram nas mãos do Pentágono; a entrega de um pedaço do território brasileiro, a Base de Alcântara, ao governo americano; e nenhum brasileiro pode sequer se aproximar, ou seja, a Base de Alcântara se tornou a Guantânamo brasileira. A lista de apropriação externa contra o nosso país é bem extensa para um período de apenas um ano e meio. Há ainda os ataques internos, aqueles cometidos contra os trabalhares: reforma trabalhista, a previdenciária a caminho, a sindical; a prisão sem provas e inelegibilidade do presidente Lula; perseguições aos movimentos sociais; a intervenção militar no Rio de Janeiro e tantos outros ataques podem aqui ser citados. Tudo isso faz da luta contra o golpe em andamento a questão central dos trabalhos do PCO. Os reflexos do golpe atingem Alagoas: redução dos programas federais, congelamento dos salários de servidores públicos por 20 anos através da PEC do teto de gastos, restrição a novos concursos públicos, e por aí seguem várias outras medidas dos golpistas que ameaçam ainda mais Alagoas. Lutar contra o golpe é lutar por Alagoas, é lutar pelo Brasil!

Quem é  Melquezedeque Farias 

Melquezedeque Farias tem 45 anos e é filho de um pedreiro negro com uma florista descendente de indígenas. Nasceu em Maceió e morou na Chã do Pilar, Atalaia, Murici. Trabalhou, junto ao pai e irmãos, plantando, colhendo e vendendo o que a terra dava. Ao longo da vida foi limpador de mato, coringa (puxador de boi), cortador de cana. Viu a família ser despejada. Aos 13 anos, quando voltou à capital, dividia o tempo entre os estudos na Escola Rotary, no Tabuleiro do Martins, e na lida juntando ferro velho e garrafas. Melquezedeque também pegava carrego na feirinha do Tabuleiro, vendia picolé, flau, laranja e algodão doce. Foi também servente de pedreiro na adolescência. Aos 14, junto ao pai e a madrasta, entrou para o MST – Movimento Sem Teto. Foi quando conseguiu um terreno no Village Campestre II, quando da fundação daquele bairro. Naquele período, disse ter sido voz ativa na associação dos moradores para trazer infraestrutura, “pois naquele começo, o que tínhamos era apenas uma cidade de lona”. Aos 15, entrou para o movimento secundarista onde ficou até os 21 anos. Participou de ocupações de terrenos no João Sampaio, Benedito Bentes, Santos Dumont e inúmeras outras localidades.

Se apaixonou aos 21 anos e trocou, temporariamente, a revolução e as teses de Marx por uma moça e pelos versos de Vinícius de Morais. Daí em diante trabalhou em hotéis e restaurantes como garçom. Ingressou na Universidade Federal de Alagoas (Ufal) aos 29 anos. No ano seguinte, começou formalmente a carreira como professor, onde está até os diais atuais. 

Até chegar ao PCO, se aproximou dos trotskysta da Convergência Socialista (corrente do PT que se tornou o PSTU pouco tempo depois). Se manteve bem próximo de “O Trabalho”, outra corrente do PT, mas acabou entrando no PSTU onde ficou 12 anos até ser expulso por discordar da “postura golpista” do partido durante o andamento do golpe que levou ao fraudulento “impeachment” da presidenta Dilma. Em 2014 entrou para o PCO, e começou os esforços para construí-lo em Alagoas. “Graças aos esforços valorosos da nossa militância jovem, estamos finalmente a caminho de consolidar o PCO (Partido da Causa Operária em Alagoas), como uma voz ativa contra o golpe e pelo socialismo. E é nesse atual contexto que lançamos nossas candidaturas. E viva o comunismo”!


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