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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 988 / 2018

07/09/2018 - 05:12:57

Renan Filho: aliados de Collor que estão com Temer “se omitem” sobre Alagoas

Problema, disse o governador, estaria na captação de recursos

Odilon Rios Especial para o EXTRA
Renan Filho durante sabatina promovida pela FIEA - Foto: Divulgação

Representantes da bancada federal alagoana, aliados do presidente Michel Temer, se omitem em buscar soluções para os problemas de Alagoas em Brasília, como garantir recursos na saúde e agricultura, como o Programa do Leite, disse o governador Renan Filho (MDB), ao ser sabatinado pelo setor produtivo esta semana, no auditório da Federação das Indústrias (Fiea).

Apesar de não citar nomes, a crítica era para o senador Benedito de Lira (PP). O partido do senador é que tem as indicações do Ministério da Saúde.

Esta é uma parte da estratégia palaciana de alçar o nome do deputado federal Maurício Quintella (PR) na disputa ao Senado. Quintella, na TV e no rádio, é mostrado como um agregador, alguém “que cisca para dentro”, com disposição de criar pontes entre os cofres alagoanos e os da União - diferente de Biu de Lira, segundo a propaganda eleitoral.

Biu, segundo a pesquisa Ibope, disputa a 2ª vaga ao Senado; a primeira, se as eleições fossem hoje, seria de Renan Calheiros (MDB). Em terceiro está Rodrigo Cunha (PSDB), com 19%, e Quintella, com 18%.

Dizem as pesquisas palacianas que, se Quintella “grudar” em Renan Calheiros, existe transferência de votos para o ex-ministro dos Transportes e ele assume a segunda vaga, desbancando o experiente Biu de Lira. 

RECADOS

Ao debater com o setor produtivo, Renan Filho mandou outros recados indiretos, para além de Benedito de Lira: ao ex-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) por não usar, segundo ele, todo o dinheiro de empréstimos tomados pelo Estado e que deixaram obras inacabadas e; ao prefeito Rui Palmeira (PSDB), por não assumir a responsabilidade via município em buscar recursos para o Centro de Maceió nem encontrar soluções para o Mercado da Produção.

Rui Palmeira e Biu de Lira são aliados do senador Fernando Collor (PTC), que polariza a disputa ao Governo com Renan Filho.

“O governo Federal se omite, trabalha contra Alagoas. As pessoas que representam o governo federal e estão aqui feito tartauguinha com a cabeça escondida no casco”, disse o governador.

“Usaram todo o dinheiro emprestado e deixaram obras inacabadas, como a estrada de Mata Grande, o abatedouro de Viçosa”, afirmou.

DIVERSIFICAR

O debate entre Renan e o setor produtivo falou em diversificar a matriz energética alagoana -proposta é colocar placas fotovoltaicas em unidades do Minha Casa, Minha Vida; atrair startups para o bairro de Jaraguá, através do Polo de Tecnologia que está pronto, segundo o governador, e será inaugurado em 2019.

O setor produtivo pediu que Renan Filho transformasse o Programa do Leite em uma política de Estado; o governador voltou a criticar a bancada federal alagoana aliada a Michel Temer “que tem a conta para transferir os recursos do programa e não fez”. Disse que o Estado assume 70% dos recursos do programa. A União? Os 30% restantes.

As parcerias privadas, disse Renan Filho, devem ser usadas para os matadouros regionais (“o setor privado é quem sabe fazer, tudo será licitado e ganha que tiver o menor preço”).

A regionalização dos matadouros, disse o governador, está sendo posta em prática, ao mesmo tempo em que o Ministério Público Estadual realiza operações para fechar locais que funcionam sem condições de higiene ou abate irregular da carne.

Os produtores argumentam: o abate da carne, sem os antigos matadouros, encarece o produto no estado e inviabiliza o produto final ao consumidor.

O governo rebate: se houver parceria com o setor privado - detentor da tecnologia - haverá economia aos cofres estaduais na administração destes abatedouros, além de qualidade e higiene.

Sobre a carga tributária - tema bastante explorado por Collor: reclamação do setor produtivo é que os impostos cresceram, influenciados pelo aumento da alíquota do Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza (Fecoep) - Renan Filho disse que sim, o Fecoep aumentou, mas argumenta: foi a alternativa encontrada para não reajustar o percentual de ICMS, crescendo o custeio, por exemplo, das secretarias, com combustível.

Afirma que o dinheiro do fundo não paga combustível mas vai para a Rede Acolhe (atende dependentes químicos), Programa do Leite, investimento em saúde pública (construção de hospitais que serão administrados em parceria com a iniciativa privada).

“Qual o modelo ideal? Estimular a iniciativa privada para aumentar a arrecadação. Antes o avião vinha com tanque cheio para cá. Agora ele abastece aqui porque é mais barato. O segmento atacadista em Alagoas foi o que mais cresceu no Brasil. Nós desoneramos a cadeia produtiva do frango, cerâmica vermelha, carne. Nosso modelo garante condição de sobrevivência e competição regional”, explicou o governador.


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