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15 de Novembro de 2018

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Edição nº 987 / 2018

30/08/2018 - 18:19:13

Política, esporte e muito dinheiro

Arthur Fontes e Bruno Fernandes Estagiários sob supervisão da Redação
Marcos Barbosa busca reeleição como deputado e como presidente do CRB

Futebol e política sempre andaram lado a lado, pelo menos em Alagoas. Com a proximidade das eleições, dois importantes rivais no esporte estadual tentam angariar a simpatia da torcida para alcançarem suas pretensões em outubro. Marcos Barbosa (PRB) pede votos para sua candidatura a deputado estadual, enquanto Rafael Tenório (Podemos) faz campanha como primeiro suplente de Renan Calheiros (MDB) em busca por uma vaga ao Senado Federal.

Eles são presidentes dos dois maiores clubes de Alagoas, Marcos Barbosa, do Clube de Regatas Brasil (CRB) e Rafael Tenório do Centro Sportivo Alagoano (CSA). Ocupando um alto escalão também se encontra o prefeito de Boca da Mata, Gustavo Feijó (MDB), que atualmente também integra o quadro da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) como vice-presidente Nordeste, reeleito em abril após assembleia geral realizada na sede da confederação, no Rio de Janeiro. Seu filho, Felipe Feijó (PSD), já concorreu ao cargo de vice-prefeito nas eleições de 2016 quando Paulo Dâmaso (MDB) tentou ser eleito prefeito da cidade de Anadia, na Zona da Mata de Alagoas.

Embora exista rivalidade entre os clubes, na política vale tudo para agradar, surgindo até amizade entre lados opostos por um objetivo comum. Em seu primeiro ato de campanha centenas de apoiadores acompanharam Marcos Barbosa e na “multidão vermelha” – cor símbolo do candidato e do seu clube -, estava sua esposa, a vereadora Silvania Barbosa que também concorre ao pleito como 2ª suplente do senador Renan Calheiros ao lado de Rafael Tenório.

Essa proximidade do futebol com a política pode gerar lucro em forma de votos, mas também pode causar prejuízos tendo em vista que a vida do torcedor do CRB no ano de 2018 não tem sido nada fácil. A situação pode refletir na candidatura de Marcos Barbosa após o CRB ser vice-campeão diante da derrota para o maior rival, CSA, justo após uma vitória fácil no primeiro jogo, e devido ao Galo da Praia realizar uma campanha pífia na Série B do Brasileirão.

Com 25 pontos e na 15ª colocação na atual competição, a má fase dura desde 2017, quando o clube só escapou do rebaixamento nas últimas rodadas. Dentro das quatro linhas, a campanha 2018 é composta por seis vitórias, sete empates e 10 derrotas, o que culminou com a invasão do Centro de Treinamento (CT) do clube no começo do mês.

O presidente executivo do clube, o deputado estadual Marcos Barbosa (PPS), pode até conquistar a almejada reeleição para a Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE). Porém, levando em consideração a recente gestão no clube, é possível que nem com seus quase R$ 400 mil declarados em bens, ele consiga convencer seu principal eleitorado, formado em sua maioria por torcedores regatianos.

Informações dos bastidores do futebol ressaltam a insatisfação da torcida organizada e dos sócios torcedores diante da má fase do clube, além do sumiço de Marcos Barbosa que deveria ser responsável por acalmar os ânimos. Há quem diga que ele está mais preocupado em se reeleger como deputado, mas essa preocupação pode acabar atrapalhando.

Seu biênio à frente do clube termina no final deste ano de 2018 e Barbosa vai a reeleição para disputar além de uma vaga na Casa de Tavares Bastos como deputado estadual, sua permanência na cadeira mais alta da diretoria do Galo.

No outro lado está Rafael Tenório aparecendo no DivulgaCand do Tribunal Superior Eleitoral como o mais rico em bens nas eleições deste ano em Alagoas. O valor declarado do patrimônio do empresário supera a casa dos R$ 70 milhões: exatos R$ 71.251.493,33. O que mais se destaca no detalhamento de bens é o número de apartamentos que Rafael Tenório possui.

De acordo com o Divulgacand, o presidente do CSA tem 59 apartamentos, além de 10 terrenos e nove casas. Ele ainda tem 25 registros de outros bens imóveis e seis outros bens e direitos relacionados a sociedades com empresas. Caso quisesse, a boa fase do Centro Sportivo Alagoano na Série B do Brasileirão poderia ajudá-lo a se eleger senador, como era cogitado no início do ano e depois de se tornar um dos principais patrocinadores do clube por meio do seu Instituto. Tenório é suplente do senador Renan Calheiros, que busca a reeleição.

Receita X patrimônio de candidatos 

O valor do patrimônio dos candidatos também reflete nos cofres dos clubes. Especialistas acreditam que uma boa imagem no cenário político pode influenciar no fechamento de contrato com novos patrocinadores, aumentando ainda mais a receita dos times. Os cofres de CRB e CSA ficaram cheios com as primeiras competições da temporada. Os dois lucraram R$ 1,1 milhão na Copa do Brasil, e mais R$ 750 mil (o CSA) e R$ 875 mil (o CRB) com o Nordestão.

Não bastasse todo este incentivo, foi publicado, no Diário Oficial do Estado, mais especificamente no último dia 15, os extratos dos termos dos contratos de patrocínio do governo do Estado aos clubes, no valor máximo de R$ 1,1 milhão para cada. Os contratos têm vigência de sete meses.

Os extratos apontam ainda que a dotação orçamentária é decorrente de receita própria, prevista no orçamento estadual. A cota de patrocínio é cedida todos os anos aos clubes de Alagoas que disputam a Série B do Campeonato Brasileiro. Vale ressaltar que o processo foi aberto dia 3 de abril, antes mesmo do início do Campeonato Brasileiro.

A Série B do Campeonato Brasileiro também proporciona aos clubes o aporte de aproximadamente R$ 6 milhões para cada, valor referente à cota de televisão, paga pela emissora que detém os direitos de transmissão, a Globo. Galo e Azulão também fecharam no primeiro semestre contratos de R$ 1,5 milhão cada com a Caixa Econômica Federal, patrocinadora master dos dois clubes.

Além de todo esse apoio, os clubes contam com receita gerada pelos sócios torcedores, hoje o CRB possui 2 mil adimplentes gerando um valor médio de R$ 100 mil por mês de acordo com o setor de marketing do clube. Já o CSA, conta com 4,4 mil sócios adimplentes, mas a receita gerada por eles não foi informada. Ao todo, os clubes somam quase R$ 10 milhões de receita ao ano cada um.

ASA: ascensão e queda de um clube

No outro lado da flecha estão ASA, Coruripe, CEO, Dimensão Saúde, Murici, CSE e Santa Rita, clubes que por sua vez vivem momentos de crise no futebol nacional. As equipes não possuem calendário nem receita significativa, dependendo em sua maioria de aportes concedidos pelas prefeituras municipais e terão que esperar o ano de 2019 para voltar aos gramados.

Dos times citados o que apresentou mais relevância no estado de Alagoas nos últimos anos foi o ASA, finalista da Copa do Nordeste em 2013 e com sete conquistas do Campeonato Alagoano (1953, 2000, 2001, 2003, 2005, 2009 e 2011).

Os tempos de auge do clube alvinegro passaram e agora tem que lidar com uma série de dividas recorrentes para pagar e começar o ano de 2019 no verde. Ao EXTRA, o presidente do ASA, Ivens Leão, afirmou que os principais motivos para o declínio da equipe nos anos anteriores foram devido à falta de investimento e recursos financeiros.Também declarou que o clube está travado economicamente, com as contas bloqueadas, diversas pndências judiciais trabalhistas. “Quando você não consegue receber recurso você não consegue fazer dinheiro para investir’’, frisou Ivens Leão.

Atualmente a principal fonte de renda do clube é o patrocínio da Prefeitura Municipal de Arapiraca e do Grupo Coringa, porém os investimentos do grupo se encerraram após a eliminação precoce da Série D e a marca voltará apenas em 2019 quando o ASA voltará a campo.

Em 2017 o ASA fechou uma parceria com a prefeitura arapiraquense focada  no fato de o clube ser considerado patrimônio histórico cultural e imaterial do município. Com a nova receita, esperava-se que as dívidas geradas pelo time pudessem ser quitadas, já que o valor de R$ 800.000 divididos em oito parcelas de R$ 100.000 foi acordado entre as partes, porém neste mês de agosto foi pago só metade do valor esperado devido a pendências judiciais.

Para continuar a receber repasses da prefeitura a direção do ASA terá que seguir em busca da Certidão Negativa de Débitos (CND) da Receita Federal para ficar apta a receber novamente os valores que estão sendo disponibilizados. Informações dão conta de que para firmar o acordo junto ao órgão federal, os dirigentes alvinegros precisam desembolsar uma entrada de R$ 42 mil para em seguida parcelar o restante do débito.

Esse valor de entrada é um pouco alto se levar em consideração a atual situação do clube que conta apenas com 700 sócios cadastrados, e desses, apenas 40 estão adimplentes e contribuem com o clube nesse período de instabilidade.

Outro time que passou por sérios problemas e acabou “deixando de existir” foi o Corinthians Alagoano. No fim de 2013, o clube se uniu ao Santa Rita, equipe de Boca da Mata, interior de Alagoas e continua disputando o Estadual com o nome do clube da cidade do interior.

A expectativa para a volta do clube às atividades por meio das categorias de base era até 2016, quando teria seu estádio devolvido pelo CRB – ao qual estava alugado. O contrato terminou em 2017 e hoje o Estádio Nelson Peixoto Feijó, também chamado de Nelsão, no Tabuleiro dos Martins, está abandonado.

O local continua sendo administrado pelo antigo Corinthians e embora tenha recebido sinais de uma possível venda em anos anteriores, o administrador do clube, João Feijó, garante que o local não será vendido ou alugado. “A situação é relativamente boa, e não temos pretensão de vender ou alugar por enquanto”, declarou ao EXTRA. Enquanto isso, o local continua sem uso.

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