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15 de Novembro de 2018

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Edição nº 986 / 2018

24/08/2018 - 15:22:39

Líder da Taturana está muito mais rico e com ficha limpa

AA viu patrimônio crescer 125,4% desde o estouro da operação

Odilon Rios Especial para o EXTRA
O deputado estadual Antônio Albuquerque (PTB) - Foto: Divulgação

Quem está na lista dos indiciados - ou condenados - na Operação Taturana e, mais recentemente, na Sururugate - que investigaram desvios milionários na Assembleia Legislativa de Alagoas - pode disputar a eleição quase sem chances de ser barrados pela Justiça Eleitoral tanto para a Assembleia quanto para a Câmara dos Deputados. E o melhor: alguns deles estão mais ricos do que nunca.

Por que? A maioria não foi condenada em segunda instância. E os que foram conseguiram recursos no Tribunal de Justiça de Alagoas - via desembargador Celyrio Adamastor - para concorrerem ao pleito sem terem a preocupação de que seus votos não valham nada.

É o caso do líder da organização criminosa, acusado de desviar R$ 567,6 milhões (valores de hoje), segundo apontaram as investigações na Operação Taturana. Da última eleição à Assembleia Legislativa em 2014 à atual, Antônio Albuquerque (PTB) enriqueceu 56,1%. Comparada à sua declaração patrimonial em 2006 (ano em que o Tribunal Superior Eleitoral passou a publicar estes números), AA não conheceu a penúria nos negócios: aumento de 125,4% em sua fortuna, dividida entre bois, terras, fazendas.

Hoje, seu patrimônio ultrapassa os R$ 2 milhões (exatos R$ 2.065.593,00); em 2014? R$ 1,3 milhão (exatos R$ 1.322.782,94). Em 2010? R$ 1,4 milhão (R$ 1.495.982); em 2006, R$ 916.355,97.

Ele nunca foi condenado por liderar a ORCRIM. Nem o ex-prefeito de Canapi, Celso Luiz, fora da disputa eleitoral mas permanecendo como uma das maiores lideranças do Sertão alagoano.

Sem condenação na ficha limpa, suas certidões emitidas pela Justiça indicam que ele é um “político nota 10”.

Outro “nota 10” é Arthur Lira (PP), que disputa a reeleição à Câmara Federal. Ele também está com mais dinheiro desde que foi indiciado pela Taturana. De 2014 a 2018, seu patrimônio engordou 47,1%. Porém Lira está um tanto mais pobre que num passado não tão distante. Em 2010 ele acumulava pouco mais de R$ 2 milhões (exatos R$ 2.086.66,56) em patrimônio. Viu seus bens caírem e hoje terem uma leve recuperação.

Comparada a 2006, a fortuna do deputado federal é uma gangorra financeira. Entre 2006 e 2010, ela cresceu quase 200%; em 2014, despencou 44%.

Também vai para a disputa a federal o deputado Paulo Fernando dos Santos, o Paulão (PT). Desde que foi indiciado na Taturana em 2007, seu patrimônio despencou: R$ 120 mil (2006); R$ 150.352,00 (2010); zero (2014); R$ 92.033,23 (2016) e; R$ 40.333,52 (2018).

Também é de altos e baixos o patrimônio, declarado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por Chico Tenório (PMN), o delegado aposentado por invalidez também indiciado na Taturana e que chegou a ser preso acusado de pistolagem. Parece que a crise invadiu os bens do deputado. Entre a última eleição e a atual, queda de 39,6%. Em 2014, declarou R$ 4,8 milhões; hoje, R$ 2,9 milhões.

Em 2006, ele tinha R$ 872,5 mil em bens. Passou a R$ 1,4 milhão em 2010 (cresceu 68,7%); R$ 4,8 milhões em 2014 (227%) e hoje caiu para R$ 2,9 milhões.   

Também a filha do deputado, Olívia Tenório - candidata a federal - está mais pobre. Em 2016, ela declarou ao TSE fortuna de R$ 159,4 mil. Hoje? Zero. Olívia não tem passado registrado em crimes.

Será que a política conduz o político para os descaminhos da miséria?

Não em todos os casos. Edval Gaia (PSDB) - outro deputado indiciado na Taturana e livre para o voo da reeleição - ao disputar as eleições em 2004 não tinha nada; em 2006, acumulava R$ 285,5 mil; dois anos depois (2010), perdeu tudo; chegou o ano de 2014 e um salto: R$ 605,5 mil. E, em 2018, pouco mais de R$ 1 milhão. Mais 69,3%.

Gaia tem o mérito de um sobrenome famoso e uma descendência invejável: é filho do ex-conselheiro do Tribunal de Contas Edval Gaia, com uma longa carreira política quando o Brasil estava sob o manto da ditadura militar.

POBRE DE MARRÉ, MARRÉ

Por outro lado, Isnaldo Bulhões (MDB) - que vai para a disputa a federal - passa um momento econômico delicado. De 2006 a 2018, sua fortuna caiu de R$ 547,8 mil para zero. Filho do prefeito de Santana do Ipanema, Isnaldo Bulhões, que é ex-presidente do Tribunal de Contas e sobrinho do ex-governador Geraldo Bulhões, Isnaldo é deputado desde 1998 e é incrível que em tantos anos na estrada político-eleitoral não tenha nem uma casinha para morar em nome dele mesmo. Ele está na lista dos indiciados na Taturana.

SOMBRAS DO PASSADO

O estouro da Operação Taturana - em 6 de dezembro de 2007- pela Polícia Federal permitiu mostrar uma das faces mais bem escondidas na Assembleia Legislativa: a folha de pagamento da Casa de Tavares Bastos.

Segundo a PF, foram necessários apenas cinco meses para se descobrir, pelas interceptações telefônicas - feitas com autorização judicial - que os deputados tratavam de todos os assuntos- referentes a Assembleia-  nas ligações. Menos da função de legisladores - tarefa para a qual foram eleitos.

O delegado Jandelyer Gomes - responsável pelas investigações-  na representação criminal que serviu de base para a prisão de deputados - diz que os parlamentares, ao telefone, “tratam exclusivamente de como podem sugar mais lucros em favor deles próprios”.

E nada aconteceu, desde então, 11 anos após a descoberta do esquema.


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