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15 de Novembro de 2018

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Edição nº 985 / 2018

22/08/2018 - 10:07:00

População pede ação do MP no Hospital Regional do Sertão

População pede ação do MP no Hospital Regional do Sertão

Maria Salésia [email protected]
Equipe médica é conhecida por “empurrar” enfermos para outros municípios; descaso revolta famílias

Há 12 anos, o Hospital Regional Dr. Clodolfo Rodrigues de Melo, em Santana do Ipanema, é referência para o Sertão e Alto Sertão de Alagoas. Porém, o desmando tem tomado conta da unidade hospitalar a ponto de ser chamado de matadouro humano. As reclamações são as mais variadas e há quem diga que se não forem tomadas providências cabíveis em breve poderá chegar ao colapso.

A informação aponta que o hospital que seria de referência deixa pacientes de 7 a 10 dias na maca, com fratura, AVC, infarto, entre outros problemas de saúde sem que seja tomada providência. Por falta de assistência, pacientes morrem à mingua. Outros, são reencaminhados às suas origens sem resolver o problema de saúde.

A prática de negar ou mascarar atendimento é constante naquela unidade hospitalar. Prova disso é que nos dias 25 a 27 de julho deste ano, Maria José Rodrigues de Brito, paciente encaminhada pelo hospital de Pão de Açúcar no dia 25 daquele mês com fratura de clavícula, hipertensa, transtornos mentais, diabética, dedos amputados e mesmo assim foi reencaminhada no mesmo dia para seu município de origem. E o mais grave: sem qualquer redução de fratura ou atendimento que justificasse a prática desumana.

E o que dizer do caso de Maria Dolores Bezerra da Silva, a “Dolorosa”, 83 anos, que foi encaminhada pelo município de Pão de Açúcar no dia 25 de julho ao hospital de Santana do Ipanema com infarto e problemas circulatórios, mas naquele mesmo dia a enviaram de volta a seu município. Ela não resistiu e no dia seguinte faleceu. O ato desumano, cruel e negligente causou revolta da população. 

O descaso com quem precisa dos serviços de saúde do Hospital do Sertão é gritante. O paciente do município de Senador Rui Palmeira, José Vicente Jacaranda, 66 anos, também foi vítima da negligência no hospital de Santana. Portador de insuficiências hepática e renal, além de pneumonia e escaras, ficou 15 dias sem banho, sem alimentação adequada chegando à desnutrição. Mesmo assim, foi devolvido para seu município que não possui hospital. Comovidos, profissionais de saúde de Senador Rui Palmeira pediram arrego a Pão de Açúcar que acolheu o idoso por oito dias. Com a melhora do estado de saúde foi encaminhado ao Hospital Geral do Estado (HGE) em Maceió.

No dia 30 de julho o paciente Wilson Barroso foi enviado de Pão de Açúcar para o referido hospital. Apesar de estar infartado, ser hipertenso e diabético, lhe foi negado atendimento. A informação é que o médico plantonista Fábio Pedrosa não aceitou o paciente por ter sido transferido por ambulância da Samu. A alegação foi de que só receberia o paciente infartado em ambulância do município, apesar de o veículo não ter condições necessárias.

O ato errôneo revoltou o médico regulador do Samu Regional de Arapiraca. Tal prepotência do médico tem acontecido corriqueiramente e há quem diga que tem o aval da Secretaria Municipal de Saúde de Santana do Ipanema.

Como se não bastasse a falta de respeito com os pacientes, o médico Fábio Pedrosa é acusado, ainda, de colocar para fora das dependências do hospital o enfermeiro Paulo e retirar colchonete da ambulância do hospital de Pão de Açúcar. 

Esta não é a primeira vez que o médico age de forma inadequada. Inclusive, já responde a processos na Justiça por negligência, negativa de atendimento e falta de respeito à dignidade humana dos pacientes. 

MP NELES

A população revoltada com a falta de comprometimento com a saúde pública dos pacientes que recorrem ao atendimento pede interferência do Ministério Público para que o órgão obrigue os gestores daquela unidade de saúde a oferecerem atendimento humanizado, com serviços médicos hospitalares adequados.

O impasse no hospital do Sertão não se resume apenas a atendimento de saúde. Desde sua criação, a administração tem causado polêmica, a ponto de parar na Justiça. É que com a municipalização da saúde, o hospital teve sua gestão e gerenciamento repassados para a Oscip IPAS- Instituto Pernambucano de Assistência à Saúde (entidade sem fins lucrativos). Porém, a parceria não vingou e depois de muitas confusões o contrato foi rompido e passado a gerência para outra Oscip, a Insaud, dessa vez do Rio de Janeiro. 

Denúncias de falta de medicamentos, macas quebradas, atrasos salariais também fazem parte da história daquele hospital de urgência e emergência. A unidade também foi alvo de investigação do Ministério Público que apurou denúncias de danos ao meio ambiente, como o lançamento de resíduos sólidos, líquidos, gases e detritos em desacordo com as exigências estabelecidas em lei.

O hospital foi inaugurado em 2004 e em agosto de 2010 chegou a realizar mais de 12 mil procedimentos por mês, englobando atendimentos em urgência/ emergência, ambulatório, internação, cirurgias, obstetrícia, exames complementares, ultrassonografia, radiologia e laboratório de análises clínicas.

O EXTRA entrou em contato com a administração do hospital, que negou todas as acusações. Convidou a reportagem para averiguar as instalações in loco para tirar as próprias conclusões. Citou ainda que os pacientes são bem tratados, alimentados e que as informações da matéria não condizem com a realidade. O médico Fábio Pedrosa também conversou com a reportagem. “Gostaria que vocês (EXTRA) viessem para conhecer nosso serviço realizado, o que fazemos, como fazemos, as dificuldades para fazermos e os resultados obtidos”, respondeu.

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