Acompanhe nas redes sociais:

24 de Setembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 985 / 2018

22/08/2018 - 10:06:08

SAÚDE MENTAL

Culpa? Tem não!                Tem certeza?

O sentimento de culpa está presente em todo lugar do mundo e em todas as pessoas. Em um determinado momento da vida a pessoa deve ter tido esse sentimento, que está em ricos, pobres, negros, brancos ... O que ele representa no dia a dia? 

Sentimento de culpa é aquela sensação em que a pessoa se sente mal por algo que fez ou que deixou de fazer. Ele fica penetrando na cabeça da pessoa horas, dias, meses, anos. O que fazer?

Para Freud, pai da Psicanálise, o sentimento de culpa manifesta-se pela tensão entre o ego (que significa “eu” em alemão; tem o objetivo de permitir que os impulsos da pessoa sejam eficientes) e o superego (que é responsável para conter ou reprimir os instintos primitivos)

Para o psicanalista Winnicott, no sentimento de culpa implica que o ego está conseguindo relacionar-se com o superego.

Origem da culpa

Quem nunca fez uma chantagem emocional que atire a primeira pedra! Pois é. Muitas vezes, inconscientemente, a pessoa diz mais ou menos assim, principalmente para as crianças: - Se você não fizer isso o seu pai/mãe não vai gostar; - se não comer isso sua mãe vai ficar triste. Coitada da criança. Se não fizer o que se propôs, poderá desenvolver, no futuro, um processo de culpa agudo. Em outras palavras, a pessoa “aprende” que tem que fazer o que uma outra pessoa deseja, e quando não faz pode se sentir culpada, por desagradar a outrem. 

Instigar a culpa

Tem pessoa perita em instigar culpa nos outros. São manipuladoras que, percebendo a fragilidade de uma determinada pessoa, usa-a para adquirir alguma vantagem, seja emocional ou material. Esse sintoma é o que caracteriza, melhor, uma pessoa com transtorno de personalidade/conduta, ou antissocial, ou ainda, como alguns gostam de chamar, psicopata. A pessoa é insensível, sádica, manipuladora. Fuja dela. Se não puder, aprenda a ser indiferente; com ela.

Se ...

Quando surge o sentimento de culpa, a pessoa geralmente pensa: - Se eu tivesse feito isso; - se eu não estivesse naquele local; - se eu não estivesse dito aquilo. E assim por diante.

Esse sentimento de culpa não vai modificar o fato que a pessoa fez ou deixou de fazer. Essa indagação de si mesmo não contribui em nada para melhorar o sentimento, pelo contrário, pode se tornar um tormento.

No consultório é comum a pessoa dizer: - Se eu não tivesse dito aquilo a situação poderia ser diferente. A pessoa não precisa sentir-se culpada.

Culpa: o que fazer?

Primeiro: o “se” é passado e passado não se pode modificar, mas pode ser ressignificado. Então não precisa se sentir culpada. Precisa ser está consciente de que havendo esse sentimento, nada melhor do que aprender a desaprender.

Desaprender

A vida é um aprendizado constante. Todos os dias aprendemos algo. Se o que se aprendeu (pensamento ou comportamento) está deixando a pessoa sem condições de realizar as tarefas diárias, como trabalhar, se divertir, enfim, viver, pode ser o início de um processo ansioso ou depressivo, e, portanto, precisa desaprender.

Desaprender é muito mais complexo, demorado, e, muitas vezes é preciso para amenizar e aniquilar o sofrimento. E nada melhor do que uma psicoterapia. 

Depressão

Depressão é um transtorno que compromete a vida familiar e social da pessoa. É um estado sintomático e não uma categoria de patologia; ele necessita ser prevenido, diagnosticado e devidamente tratado por psicólogo e psiquiatra.

Sintomas: apatia, irritabilidade, perda de interesse pela vida, tristeza profunda, atraso motor ou agitação, ideias agressivas, ideação suicida, insônia, fadiga e anorexia ou compulsão alimentar. Aos primeiros sinais procure um psicólogo.

Anedonia? 

No consultório, o que mais surge são pessoas com sintomas da anedonia, ou seja, a perda da capacidade de sentir prazer no dia a dia. Para a pessoa, nada tem sentido; nada presta; tudo está cinza; os problemas não tem solução, enfim. Muitas vezes apresenta um estado de ansiedade (preocupação excessiva com o futuro) e muitos sinais de depressão.

Alguns deles: não consegue se concentrar numa tarefa; tem irritabilidade difusa (sem uma causa específica); tem, às vezes, taquicardia, negligência com a higiene pessoal, enfim.

Aos primeiros sinais desses sinais procure um psicólogo.

Psicanálise e o suicídio

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) a cada 40 (quarenta) segundos uma pessoa comete o suicídio. E para cada suicídio há, pelo menos, nove a dez tentativas de suicídio.

Os índices aumentam a cada ano e os motivos são diversos. O ato suicida/tentativa pode ter origem genética, ambiental e social. No Brasil, o estado onde mais comete o suicídio é o Rio Grande do Sul.

Para o pai da Psicanálise, Freud, a perda real de um objeto refere-se ao luto, mas o sujeito mantem o senso de autoestima. Enquanto na melancolia/depressão, o objeto perdido é mais emocional que real e neste caso há uma profunda perda da autoestima, autoacusação e culpa, e neste caso pode haver uma ideação suicida.

O suicídio resulta no deslocamento de desejo destrutivo em relação a um objeto internalizado que é dirigido contra o self (a própria pessoa).

É preciso ter uma escuta qualificada do sujeito para que embotamento afetivo contra si mesmo possa ser amenizado. Para isso, nada melhor do que uma psicoterapia.

Está; e não está

No mundo da tecnologia, em que o telefone celular, o tablet, o computador pessoal e outros equipamentos, parece, estão nos dominando, ou seja, nada é feito sem consulta-los. É preciso muito cuidado na hora de fazer alguma tarefa; qualquer tarefa.

Pois é, muita gente está num local e ao mesmo tempo não está. As pessoas estão perdendo a capacidade de se concentrar naquilo que, realmente, estão fazendo. Ou seja, está conversando com alguém e ao mesmo tempo teclando no telefone. Isto é: está; e não está. É bom tomar cuidado porque a desconcentração pode ser o início de uma ansiedade.

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia