Acompanhe nas redes sociais:

20 de Setembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 985 / 2018

22/08/2018 - 10:04:18

A grilagem das sentenças

Irineu Torres

A mentira na política tem eficiência, visto que, nos parlamentos, a incoerência, a ambiguidade e, até mesmo inverdades, podem ser superadas através das eleições. Porém, a confiança do povo em seus juízes é de cristal. O respeito do povo aos parlamentares flutua amoldado pela política partidária. No Judiciário a mera incoerência causa indignação e ódio. A deliberação política tem por base as crenças e opiniões alheias. As sentenças judiciais, porém, têm como reduto final a consciência de cada juiz. Não há como comparar a prestação jurisdicional com as ações levadas a efeito pelos Poderes partidarizados do Estado.  Os políticos nunca se vendem. No máximo se “alugam”. Cada mandato pode ter, e tem, financiadores, rótulos partidários e até eleitores diferentes. No Judiciário, em razão de sua natureza técnica e, sobretudo, em nome do ideal de justiça, a corrupção é irreversível por longo do tempo. Decerto, na política as dúvidas são relativas. No Judiciário a dúvida flagela a Justiça. O erro judicial é o mais desumano dos erros e a mentira do juiz é a mais diabólica. O Judiciário instrumentalizado por partidos políticos só tem a perder. Suas porteiras são abertas, fica à mercê das invasões exteriores e partilhas interiores. Grilado e encampado, o Judiciário dança ao ritmo das tessituras partidárias, vicia a própria jurisprudência, perde o caráter e a personalidades. Governos, naturalmente, têm suas bancadas nos parlamentos. Porém bancadas políticas nos tribunais são trágicas, imorais, vestem as Cortes de infâmia, entronizam o arbítrio, consolidam ditaduras e fazem do cárcere o derradeiro abrigo da dignidade humana. O Poder Judiciário é a parcela irredutível do estado de direito, palavra final da República que, acaso incerta, derroga a democracia e a paz. Um senador da República apelidado de “Justiça” é a mais deslavada das infâmias.

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia