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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 985 / 2018

22/08/2018 - 10:03:50

Estamos fritos

ELIAS FRAGOSO

A proposta de emenda à Constituição que limitou o teto dos gastos orçamentários à inflação do ano anterior foi uma das poucas, raras, boas medidas que este governo implantou (houve um excesso no tempo de duração - 20 anos - que pode ser ajustado logo à frente). Ela é o freio que o país necessita para frear o crescimento da dívida pública. E subjetivamente forçar ajustes no Orçamento priorizando despesas, e suprimindo penduricalhos diversos de nenhuma eficácia que entram e jamais saem da Lei de meios. Seria um ciclo virtuoso que se inicia.

Seria, porque, em uníssono, as castas de servidores públicos, os mais diversos lobbies que sobrevivem à custa de verbas públicas e os políticos, já se movimentam abertamente para revogar a Lei que mal foi implantada. E por que? Ora, simples. Como esses grupos se apropriam cada vez mais do Orçamento da Nação, mantida a Lei do teto de gastos, logo, eles chegam ao teto possível de apropriação dos recursos disponíveis. E aí não teriam como continuarem se locupletando ainda mais.

E o que vai acontecer? Na verdade, já está quase acontecendo. O orçamento federal para 2019 reserva tão somente mísero 0,5% para investimentos. Com todas as implicações que isso representa de negativo para este país e seu povo.  Quanto mais eles se apropriam, menos recursos sobram para educação, saúde, estradas, pesquisas, etc. 

E aí tem um problema, dizem entre si: a plebe pode se revoltar. É preciso deixar alguma migalha para esses desgraçados... Essa é a razão única para estarem se organizando em discurso soletre contra a lei. Se aproveitando da fragilidade deste governo que aí está, e das posições covardes dos candidatos à presidência, para derrubá-la (se não agora, no início do próximo governo).

 O Orçamento está tomado por uma infinidade de despesas obrigatórias. Quase todas paridas por estes grupos de maganos da Nação. Que para continuarem com suas vantagens imorais precisam revogar a Lei do teto de gastos, já que não há margem para quase mais nada. E eles não querem parar, claro. Prova disso é o recente caso do Supremo que quer espetar uma conta de 4 bilhões de reais para nós arcarmos com o aumento dos seus (e mais uma infinidade de autoridades) “míseros” salários de mais de 30 mil reais, sem contar os penduricalhos. 

Some-se a isso a irresponsabilidade deste Congresso malsão que vem aprovando seguidas bombas fiscais que irão explodir no colo do novo presidente. Se a situação já é muito ruim, quase ingovernável mesmo, vai ficar ainda pior.

Em artigo recente no Estadão, Gabeira resume bem o grau de apreensão que temos com relação ao nosso futuro. “É com este olhar preocupado que sigo os candidatos à Presidência... Quem achar que pode ir tocando o barco sem mudanças pode desembocar numa crise mais grave (que a atual). E quem achar que tira proveito dela para voltar ao poder vai se perder mais no caminho”. 

Já o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso profetizou: “O Brasil precisa não de candidatos, mas de líderes que tenham visão de estadistas”. 

Esses que aí estão se apresentado como presidenciáveis não têm.

Estamos fritos.

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