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23 de Setembro de 2018

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Edição nº 985 / 2018

22/08/2018 - 10:02:28

Conviver com os espinhos

JOSÉ MAURÍCIO BREDA

Preocupa-me, sobremaneira, a atitude tomada pela ou pelas torcidas organizadas do Clube de Regatas Brasil que, além de invadirem e picharem dependências do Centro de Treinamento, chegaram ao desplante de agredir, covardemente, a jogadores do clube. Como sabem, militei no futebol durante um bom tempo de minha vida no Centro Sportivo Alagoano e, sinceramente, não trago, daquele tempo, qualquer recordação que se assemelhe ao acontecido esta semana, em qualquer dos clubes com os quais travamos renhidas e homéricas disputas. A admiração que se tinha pelo seu time era traduzida pelo amor e paixão que dedicavam a todos que compunham suas diretorias e elencos. Inimaginável àquela época, tamanho desrespeito a essas instituições. E isso acontecia até com os próprios adversários. Involuímos de tal forma que, na sociedade “evoluída” em que nos transformamos, não se pode entrar num estádio com o símbolo maior de seu clube, pois o mastro da bandeira converter-se-á em arma. Um exemplo que já citei em artigo foi quando, nos idos de 1973, nossa diretoria comprou pares de solados de tamancos, apenas a madeira, para a torcida utilizar no gesto de bater palmas. O envolvente ruído ecoava por todo o estádio. Em nossos dias seria difícil conter a chuva de tamancos que se transformaria no primeiro desentendimento com a torcida adversária.

Porém estamos em outros tempos. Se não viéssemos acompanhando essa “evolução” desastrada, iríamos ter o mesmo choque do cidadão, na estória relatada em novela atual, que passou cento e poucos anos congelado e, de repente, acordou para conviver com hábitos e costumes totalmente inadequados à sua época. Principalmente no trato com as mulheres, onde o desmanche do emblemático “sexo frágil” vem permitindo ao homem abandonar seus gestos de carinho, respeito e cavalheirismo, tão marcantes em tempos passados. Ainda trago, arraigada em mim, muito dessa coisa que chamam de cafona. Não chego ao extremo de meu pai, que usava dois lenços para a possibilidade de alguma mulher necessitar de um, perfumado, mas, levantar-me quando uma delas se aprochega de minha mesa, deixar que passem na minha frente, e até quando entro em restaurante, se não puxo a cadeira para que ela se sente, obrigatoriamente, espero que se acomode primeiro.

Espero que o ocorrido com o Clube de Regatas Brasil não sirva de exemplo para que outros componentes de agremiações venham descarregar suas frustrações e insatisfações naqueles que estão ali, uns por paixão, outros por profissão, para nos proporcionarem, unicamente, alegria em suas vitórias. E lembrar que nem tudo são flores. Existem os espinhos.

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