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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 985 / 2018

22/08/2018 - 10:00:31

Reeleitos têm, no currículo, acusações de corrupção e pistolagem

E ainda terão herdeiros na disputa pelo voto; AA busca o 6º mandato

Odilon Rios Especial para o EXTRA
Francisco Tenório

São poucas as chances de uma renovação quase completa dos deputados estaduais após as eleições. O histórico da Assembleia Legislativa de Alagoas é que mostra isso. Levantamento realizado pelo EXTRA aponta que, de 1994 a 2018, os mesmos sobrenomes ou rostos se repetem na Casa de Tavares Bastos. E não importa o currículo do parlamentar: os recordistas são acusados de corrupção e pistolagem.

Três deputados se repetem em mandatos na Assembleia: Antônio Albuquerque (PTB), Francisco Tenório (PMN) e João Beltrão (PRTB).

Dos três, dois são os únicos que emendam eleições e reeleições há 24 anos.

Albuquerque disputa em 2018 seu 6º mandato na Casa e deve ganhar nas urnas. É a aposta de todos os partidos. Será o único, em 2019, com mais de 2 décadas na Assembleia. E ainda pode eleger o filho, Nivaldo, a deputado federal.

JB se aposenta este ano: 5 eleições consecutivas, mas apoia a 2ª geração no Legislativo estadual: os sobrinhos, Yvan e Marcelo. O filho, Marx, foi ministro do Turismo, é deputado federal, ensaiou o Senado e vai em busca de votos para permanecer onde está.

Chico Tenório foi eleito em 1994, mas no ano de 2006 interrompeu as sucessivas reeleições porque venceu para deputado federal.

Perdeu em 2010 a tentativa de bis na Câmara, mas não demorou a voltar à ribalta em Brasília porque era suplente de Célia Rocha, eleita deputada federal em 2010, dois anos depois vitoriosa à Prefeitura e, assim, renunciando ao seu mandato federal para dar lugar a Chico.

Preso logo após perder o foro privilegiado, voltou à Assembleia em 2014. Disputa a reeleição e apoia a filha, Olívia, a federal.

No currículo de AA, JB e Chico, ao longo dos anos, acumulam-se acusações de corrupção, assassinatos e prisões por crimes atribuídos a eles, tudo costurado pela proteção do foro privilegiado. Nenhum deles corre risco de perder o mandato nem de serem “julgados” pelos seus pares ou afastados pela Justiça.

Famílias têm 

‘cotas’ na 

Assembleia 

Desde 1994, sobrenomes de peso na vida política local se repetem na Assembleia.

Gilvan Barros, por exemplo, só se “aposentou” em 2014. No lugar, assumiu Gilvan Barros Filho.

Lucila Toledo, hoje prefeita de Cajueiro, também foi deputada. Em 2002, fez campanha para o marido, Fernando, que foi presidente da Assembleia e hoje é conselheiro do Tribunal de Contas. Saiu da Assembleia, mas para fazer campanha do filho, Bruno, que busca a 1ª reeleição com o discurso do “novo”.

Outro Toledo, Sérgio, também construiu uma segunda cota da família na Assembleia. Sérgio chegou ao legislativo estadual em 2002. Desde então, nunca perdeu uma eleição. Muda a direção da curva política este ano, quando disputa mandato a federal.

Washington Luiz Damasceno Freitas- hoje desembargador do Tribunal de Justiça- foi deputado estadual até 1998, quando foi nomeado para o TJ. Em 2006, a cunhada foi eleita: Cathia Lisboa Freitas. Hoje, o marido dela, Inácio Loiola, está na Assembleia e disputa a reeleição.

A família Holanda também tem sua cota na Assembleia. Em 1982, Antônio, hoje vereador em Maceió, foi eleito deputado estadual. Em 1990, disputou e ganhou para federal. Tentou o Senado quatro anos depois. Perdeu. E buscou retomar os espaços na Assembleia. Em 2006, elegeu o filho, Dudu, cassado pela Justiça Eleitoral. Em 2010, o irmão Dudu, também chamado Dudu, foi eleito; em seguida, reeleito em 2014. Busca sua 3ª chance de imunidade parlamentar.

O outro lado dos Holanda, com Chico, disputa a eleição com chances de vitória. Ele chegou a assumir o lugar do pastor João Luiz, que teve o mandato cassado pela Justiça Eleitoral, mas devolvido pelo TSE.

Gervásio Raimundo virou deputado em 1998, reeleito em 2002. Saiu como entrou da Assembleia: sem ser notado. Porém, elegeu o neto, Marcelo Victor, em 2006, reeleito até hoje e disputando o 4º mandato.

De Lira também na Assembleia 

Benedito de Lira, hoje senador, também passou pela Assembleia. Em 1998, conduziu o filho, Arthur, para a Casa. Reeleito em 2002 e 2006, disputou e ganhou em 2010 a federal. Busca o 3º mandato em Brasília, com apoio de Michel Temer.

Isnaldo Bulhões - eleito pela 1ª vez em 1998 - representa um passado interessante. Ele é sobrinho de Geraldo Bulhões, deputado federal de 1971 a 1991. Eleito governador, encerrou a vida pública em 1995. Indicou o irmão, Isnaldo, para o Tribunal de Contas, hoje aposentado e prefeito em Santana do Ipanema.

Isnaldinho, eleito em 1998, completou 5 mandatos a estadual. Sai agora para federal - recompondo, portanto, um espaço que, por 20 anos, foi do tio, Geraldo, na capital federal.

Luiz Dantas, atual presidente da Assembleia, foi eleito em 2010, reeleito em 2014. Antes era deputado federal (1991-2004). Deixa a vida pública para que a história continue com o filho, Paulo.

A família Pereira teve seu representante na Assembleia em 2010. Era Joãozinho, que fez campanha para a irmã, Jó, eleita em 2014 e hoje em busca da reeleição.

A família Madeira quer substituir Marquinhos por Marcos, ex-prefeito de Maragogi. É uma herança ao contrário: o filho cede o mandato ao pai. Mudança para tudo continuar do mesmo jeito.

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