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16 de Novembro de 2018

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Edição nº 985 / 2018

22/08/2018 - 09:58:57

Alagoas caminha para era da cirurgia robótica

Em 50 anos de profissão, Antônio de Pádua realizou mais de 5 mil cirurgias bariátricas

Maria Salésia [email protected]

Ele veio lá da Viçosa, interior de Alagoas, para cursar Medicina na primeira turma da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Filho de farmacêutico por formação, o cirurgião Antônio de Pádua M. de Carvalho tem 50 anos de prática médica e já realizou mais de cinco mil cirurgias no estado. Especialista em bariátricas e metabólicas, alerta que o procedimento por si só não faz milagre e que após cirurgia o paciente precisa ter acompanhamento de outros profissionais, incluindo atividades físicas. “Não é à toa que após cinco anos, mais de 20% das pessoas que passam pelo processo voltam ao peso de antes”, afirmou o profissional. 

Vale ressaltar que a cirurgia metabólica só foi reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) em dezembro de 2017, mas o cirurgião alagoano já atendeu a mais de 200 pacientes através desse mecanismo.  Segundo Pádua, o procedimento é igual ao da bariátrica, porém com objetivos diferentes. Enquanto as operações bariátricas são indicadas quando o indivíduo tem problemas relacionados ao ganho de peso, mas não possui outros problemas metabólicos como o diabetes e a hipertensão, a metabólica é aplicada para a melhora dos componentes da síndrome metabólica – pressão, glicemia e colesterol. “O foco da cirurgia metabólica não é o peso, mas o controle de doenças como a diabetes tipo 2”, explicou o cirurgião.

Em cinco décadas de profissão, o médico confessa que um marco importante em sua vida de cirurgião foi a chegada do método laparoscópico, que aperfeiçoou as técnicas. “O que você fazia acompanhando os pacientes com grande sofrimento, de repente chega este benefício. Para quem possui mais de cinco mil cirurgias nas costas tem mesmo que comemorar”. Pádua se refere à videolaparoscopia, técnica que utiliza uma microcâmera de vídeo, através de uma pequena incisão ao invés de corte maior. Através de um monitor, o cirurgião leva a câmera por entre os órgãos do paciente a fim de efetuar as correções de maneira menos invasiva.

As vantagens de o paciente passar por operações através desse procedimento vão desde menor permanência no hospital -geralmente recebe alta em até 48 horas -, menor perda de sangue, retorno ao trabalho mais rapidamente - podendo voltar às atividades em 15 dias, menos dor, e sem necessidade de ir para UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

Operação por robô a caminho de Alagoas

“Você tem medo de ser operado por robô? Essa pergunta é constante quando se fala em cirurgia realizada por uma “máquina”. O assunto não é surreal e Alagoas prepara equipe para implantar cirurgia robótica no estado. No Brasil, existem cerca de 30 robôs para esta finalidade e segundo o cirurgião Antônio de Pádua, defensor da técnica, a perspectiva é que o alagoano em breve possa contar com a cirurgia robótica. 

O especialista argumenta que com o robô cirúrgico Da Vinci- The Da Vinci Surgical System -(em homenagem a Leonardo Da Vinci) o cirurgião trabalha sentado e que não há o que temer, pois a máquina obedece ao profissional. “Só faz algo com o comando do cirurgião”. 

O da Vinci possui quatro braços, sendo que um deles carrega a câmera, enquanto os outros três ficam livres para portar instrumentos cirúrgicos, como pinças, tesouras e bisturi. O ato cirúrgico é guiado por imagens fornecidas pela câmera introduzida no corpo do paciente. A câmera tem capacidade de ampliar em até dez vezes uma imagem, o que mantém a nitidez e a percepção de profundidade sem a abertura do abdômen ou do tórax.

O médico realiza a cirurgia a partir de uma mesa de controle. A movimentação dos instrumentos se faz pelo manuseio de dedais delicados. À medida que move as mãos e os dedos, o robô reproduz seus movimentos dentro do corpo do paciente. Se o médico tirar o rosto da tela de controle, o robô para automaticamente. Além de um cirurgião no controle, outro fica ao lado do paciente para eventuais necessidades auxiliares.

O cirurgião Antônio de Pádua afirmou que o robô Da Vinci é ideal para cirurgias de câncer de bexiga, tumor de próstata, câncer de cólon e outros tipos da doença, cirurgia geral, do aparelho digestivo, cabeça e pescoço. Com as vantagens de que tem menos risco de infecção, menor dor pós-operatório, rápida recuperação, ausência de tremor por ser fixo, maior amplitude nos movimentos, melhor conforto para o cirurgião e facilidade na utilização de novas tecnologia. 

CIDADÃO DO MUNDO 

Simplicidade em pessoa e de conhecimento ímpar não apenas do que mais sabe fazer: cirurgia, Antônio de Pádua é cidadão do mundo e busca e leva experiência pelo planeta afora. Seja no Havai (nos Estados Unidos), onde participou do Diabetes & Obesity Summit , congresso internacional sobre diabetes e obesidade; seja em Fortaleza como debatedor durante o XIX Congresso Brasileiro de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, ou em suas andanças por São Paulo acompanhando cirurgias robóticas. Ainda carrega em seu currículo o feito de, em 2016, operar um paciente com obesidade mórbida que tinha os órgãos invertidos (situs inversus totalis). 

Quando é indagado sobre quando pretende parar de realizar cirurgias, apenas sorri e diz : “Pretendo operar enquanto tiver couro e osso e um coração batendo”. 

Que esse coração do menino curioso que pendeu desde cedo para o lado da cirurgia continue batendo ainda por muito tempo e salvando vidas. Alagoas e o mundo agradecem.

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