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20 de Novembro de 2018

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Edição nº 984 / 2018

14/08/2018 - 20:19:37

O dado está lançado

CLÁUDIO VIEIRA

A historiografia romana narra ter sido a frase latina – alea iacta est – pronunciada pelo general Júlio Cesar em exortação a suas legiões ao cruzarem o rio Rubicão em direção a Roma, dando início à guerra civil em enfrentamento ao seu ex-genro, o general Pompeu, com quem outrora dividira o governo romano, em triunvirato do qual participara também Crasso. A expressão é comumente traduzida como “a sorte está lançada”, o que significa a mesma coisa, porquanto o jogo de azar habitual das temidas legiões romanas eram os dados.

Encerradas as convenções partidárias por todo o Brasil, inclusive aqui em Alagoas, pode-se dizer, à cesariana, que a nossa sorte está lançada, que atravessamos o nosso Rubicão. O jogo não parece tranquilo, considerados os candidatos aos mais importantes cargos públicos do País. Poucos escapam a uma análise crítica mais isenta. Inquéritos e processos por corrupção, prevaricação, apropriação indébita do erário, e quejandas, são referências usuais nos currículos (folhas corridas?) dos pleiteantes ao governo da nação. Nessas circunstâncias, o quase inútil horário eleitoral gratuito atormentará os nossos dias, uma vez que ao invés de projetos republicanos, seremos forçados a ouvir autoelogios carregados por acusações aos adversários. Há um lado bom nisso, afinal essa briga de comadres revelará e divulgará as sujeiras dos contendores. Da mesma forma os debates entre os candidatos.

Quando da eleição na França, vencida por Sarkozy, vi nas ruas de Paris interessantes cartazes com todos os candidatos de então, com a seguinte indagação: “Quem mente mais? Quem mente melhor?” A genial pergunta não parece restringir-se apenas à França de Diderot, mas a vários países do mundo, especialmente ao Brasil de Lula. É a infeliz realidade.

Andando nas ruas daqui da terrinha, tenho ouvido de várias vozes a insatisfação com a indigência moral dos candidatos que disputam os nossos votos. Um ou outro pleiteante é destacado com referências airosas, acompanhadas do lamento por não terem eles capacidade para enfrentar os grandes abutres do poder. Isso é mau sinal, se dedicarmo-nos a eleger aqueles que têm mais chances, mesmo que inconfiáveis. Significará que sequer respeitamos o nosso próprio poder de eleitores. Não fiquemos então inertes, vendo os quadrilheiros se agarrarem ao poleiro do poder. Não fiquemos apenas na expectativa do que vier. A filósofa germânica Hannah Arendt, prefaciando a primeira edição do seu Origens do totalitarismo, já advertia em 1950 que o “momento de expectativa é como a calma que sobrevém quando não há mais esperança”. Mantenhamos a esperança, mas para isso devemos garantir cidadania ao nosso voto. 

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