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15 de Novembro de 2018

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Edição nº 984 / 2018

14/08/2018 - 20:18:34

Pai bom ou pai ruim

Alari Romariz Torres

Era uma vez dois meninos bem pequeninos que perderam o pai precocemente e foram criados por três mulheres que viraram mãe e pai dos pobres coitados.

Os dois rapazes lutaram com as intempéries da vida e formaram suas famílias. Cada um teve oito filhos e foram excelentes pais, preenchendo a lacuna de suas vidas, criados que foram sem a figura paterna.

Posso falar tranquilamente a respeito deles: um era meu pai. Homem de mentalidade avançada, preocupado com o futuro dos filhos. Lembro-me bem quando ele me disse: “Não deixe seu irmão morrer como indigente; ele não se preocupa com plano de saúde”. E assim aconteceu: pouco antes de adoecer gravemente, tinha tentado sair do plano. Acendeu uma luz de alerta em meu juízo! João Romariz foi um excelente pai.

Quantas crianças são cuidadas sem a figura paterna! Algumas mães tentam cobrir o espaço dela, mas quando a criança vai crescendo, procura saber por que seu protetor não aparece e é preciso explicar o que ocorre.

Famílias hoje são diferentes: mães solteiras, segundo ou terceiro casamento, casas com duas mães ou dois pais. Há casos complicados em que pai e mãe procuram descomplicar a vida dos filhos.

Recentemente uma amiga minha me contou que começou a namorar um rapaz. De repente, recebeu um chamado de seu pai: “Acabe com o namoro; ele é seu irmão”. Assustada, a criatura foi embora para a capital.

Em minha juventude era comum o homem ter duas famílias na mesma cidade. Havia um velho deputado que escalava o dia em que os filhos da matriz ou da filial podiam comparecer ao seu gabinete. Conheci várias famílias moradoras de uma mesma cidade cujo chefe era o mesmo.

Registro de filho só com o nome da mãe era muito comum. Lá estava escrito: pai desconhecido. E o jovem ou a jovem ficava querendo saber quem seria o homem responsável pelo seu nascimento. A decepção era grande ao saber que não havia interesse do pai em saber a verdade. 

Não sei por que no interior do estado os casos de família dupla eram mais comuns. Talvez por ser uma vida pacata, sem grandes preocupações.

Um caso complicado de paternidade foi o de Gonzaguinha e Gonzagão. Conheci uma mulher do velho, em Recife, e ela dizia: “Ele não pode ter filhos”.   Mas o Rei do Baião adotou aquele menino e foi por ele ajudado no fim da vida. 

Nós podemos só enaltecer os pais, entretanto a irresponsabilidade de gerar filhos e não poder criá-los acarreta dificuldades na família e proporciona doenças mentais por causa de problemas não resolvidos.

Intriga-me o fato de se culpar sempre a mãe solteira. Ora, ela não fez o filho sozinha e a sociedade não se preocupa em considerar que o pai estava presente na hora de gerar a criança.

“Resolvi fazer uma produção independente; vou criá-la sozinha e ele ou ela não terá pai”, disse-me uma amiga. Tudo muito bom, muito bonito! E quando a criança crescer? Com certeza procurará saber quem é o pai. E aí?

Outro caso interessante foi o do filho do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso: apareceu a criança, ele a registrou e quando adulto, descobriu-se que o filho não era dele. Resposta do pai: “Agora já gosto dele como filho”.

Não acho justo homenagear só os bons pais. É preciso alertar os mais novos para o risco de gerar filhos inconsequentemente e criar meninos e meninas complicadas, correndo o risco de ficarem revoltadas.

Um forte abraço para os homens que souberam organizar suas famílias. Para as mães solteiras que fazem o duplo papel na vida. Para as matrizes que suportam caladas os “pulos” dos maridos. Para as filiais que sofrem o peso da culpa de terem filhos com homens casados.

Para quem tem um bom pai: abraços

Para quem tem um pai ruim: meus sentimentos.

E viva a vida!

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