Acompanhe nas redes sociais:

17 de Novembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 984 / 2018

14/08/2018 - 20:16:09

Livrai-nos do mal. Amém!

Isaac Sandes Dias

Neste último domingo, c 5 de agosto, com a realização das últimas convenções partidárias cumpriu-se mais uma etapa do calendário eleitoral para as eleições de 2018. Eleições que escolherão presidente da República, governadores dos estados, dois terços do Senado Federal, deputados federais, estaduais ou distritais.

Apesar dos novos tempos, as cenas são as mesmas.

Há décadas os personagens interpretam o velho e surrado papel. Os discursos são mesmos, o comportamento do povo é o mesmo. As mesmas garotas pagas agitam com cara de paisagem as bandeirinhas dos partidos, outros desfilam como painéis humanos, carregando nas costas e no peito os retratos dos candidatos. Os oportunistas de sempre aproveitam o ensejo para aplicarem as manjadas e ensaiadas “facadas” e garantirem o sapato novo, a camisa nova ou até mesmo a nova dentadura.

Eles, os políticos, fazem o jogo da surpresa, se engalfinham numa tremenda luta de bastidores em busca de coligações que lhes proporcionem um espólio eleitoral aqui, ou uma oportunidade de mais tempo na TV ali. Tiram suas surradas máscaras de sorriso constante do armário, as vestem e passam a frequentar as periferias, consolar crianças que choram de nariz escorrendo, abraçar desdentados, comer tripa, buchada de bode e tomar cachaça  em botecos.

Em outro segmento, a mídia promove um ciclo de debates e entrevistas com os candidatos à Presidência da República que, ao seu final, nos revela uma verdade que não desejaríamos ver revelada. Não existe candidato com um discurso minimamente consistente ou provido de algum conteúdo.

Bem ou mal, todas as eleições havidas nas últimas décadas sempre contiveram algum componente de esperança, quer seja na mudança, como foram as que levaram o malfadado PT ao poder, quer seja de euforia, como o foi no primeiro mandato do presidente Lula, quando se acreditava que o País estava numa boa marcha de crescimento, ou  que fosse o presidente o “cara”, como se chegou a apregoar.

No entanto, os acontecimentos dos últimos oito anos fizeram cair todo o falso cenário de crescimento e acerto até então vividos. Tudo não passava de um ambiente cenográfico e, pior, a atriz principal não sabia as suas falas ou sequer sabia falar, era quase uma tatibitate.

Ao que parece, frente a tamanha pobreza de valores, frente a tantas frustrações, as futuras eleições serão marcadas por algo que há muito não víamos ou, até mesmo, muitos da nova geração nunca viram ou mesmo sentiram. A desesperança.

Talvez a desesperança seja um dos sentimentos mais acachapantes e mais paralisantes de uma sociedade. Essa desesperança vem sendo calcada nos infindáveis casos de corrupção. Nos vexatórios casos que se assemelham ou beiram o terror Robesperriano, como o foi o daquele reitor que suicidou-se após sofrer humilhações e acusações infundadas. Na confusão que faz com que os Poderes da República percam as agulhas de suas bússolas e invadam os territórios uns dos outros. No esquecimento de que nosso sistema penal é garantista. Na proliferação daninha da adoção de princípios que vão dos mais estapafúrdios até mesmo aos abusivos.

Do que nos adianta um conjunto de dispositivos positivado em uma Constituição e nos mais diversos Códigos se o que atualmente prevalece é a sanha criativa de princípios, como se todo operador do Direito estivesse continuamente a escrever teses acadêmicas?

Frente a tais constatações, o vulgo torna-se confuso e essa confusão termina por o levar à desesperança, e essa desesperança e confusão são mais graves e danosas no momento em que esse cidadão vê-se com a responsabilidade maior de escolher seus parlamentares e dirigentes.

Diante de tão sombrio quadro, de tamanha confusão e desesperança, só nos resta recitar o final da oração:  livrai-nos do mal. Amém!

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia