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25 de Setembro de 2018

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Edição nº 984 / 2018

14/08/2018 - 20:07:23

Entrada de Collor tempera sopa de chuchu eleitoral

Desafio do senador é derrotar a própria rejeição

Odilon Rios Especial para o EXTRA
Candidatura de Fernando Collor agita as eleições em Alagoas

Lançado ao Governo, o senador Fernando Collor (PTC) tem um desafio maior que enfrentar o governador Renan Filho (MDB): atrair o voto de confiança do eleitor de Maceió.

Desde quando pôde concorrer às eleições no pós-impeachment - a primeira vez foi em 2000 à Prefeitura de São Paulo, mas teve o registro de candidatura cassado pelo TSE - Collor acumula os seguintes resultados: perdeu as eleições em 2002 ao Governo de Alagoas (disputou com Ronaldo Lessa, então governador); venceu em 2006 ao Senado; perdeu em 2010 ao governo alagoano (enfrentou o então governador Teotonio Vilela Filho); venceu em 2014 ao Senado.

Em 2010, Collor chegou a liderar a disputa pelo voto, mas foi perdendo fôlego até encerrar em 3º lugar, fora do 2º turno, naquele ano polarizado entre Téo Vilela e Lessa.

Colloridos apontam que o eleitor de Maceió tem grande resistência a Collor. O apelo popular do hoje senador é maior entre os menos alfabetizados e, portanto, mais miseráveis.

E elle investe onde se acha em larga vantagem. Na última quarta-feira (8), em suas redes sociais, lembrou das casas construídas no Dique Estrada, quando era governador: “Collor construiu o Dique-Estrada, à beira da lagoa Mundaú, e urbanizou o acesso à Vila Brejal, beneficiando milhares de famílias moradoras”, estava escrito em postagem pendurada nas redes sociais.

Collor ainda era governador de Alagoas em 1989 quando houve uma cheia na região. E optou-se pela construção das casas. Houve muitas críticas direcionadas ao então chefe do Executivo porque o poder público investiria em habitações numa região considerada inóspita. Mas o intuitivo Collor mediu o próprio taco. Estava ali a oportunidade de ajudar os descamisados que tanto falou ao longo de sua vida pública

E os descamisados voltaram esta semana, em sua voz, após a convenção que transformou o senador em candidato ao Governo pela 3ª vez em Alagoas.

No discurso, a extinção do Programa do Leite e os motoristas de cinquentinhas, que terão suas motos apreendidas em dezembro.

“Quero ser a voz daqueles que desejam que Alagoas cresça na direção correta”, dizia Collor.

“Queremos um estado sem a arrogância e a prepotência dos poderosos. Que as autoridades tenham a sensibilidade de perceber o sofrimento do seu povo e, diante disso, busquem saídas que resolvam os problemas enfrentados pela população”, lembrou Collor, ao incluir entre os descamisados os pés descalços.

“Que os comerciantes, o empresariado e aquele cidadão que compra sua motocicleta também seja respeitado e não perseguido pelas autoridades. Todos estes são trabalhadores que saem de suas casas em busca do sustento diário. Que haja governantes que vejam nas casas de farinha um meio de vida e não um obstáculo a ser perseguido e fechado por decisões autoritárias, deixando desempregados”, emplacou o candidato.

REJEIÇÃO

Porém, a realidade é mais desafiadora. Pesquisa do Ibrape - realizada entre os dias 18 e 22 de julho, antes das convenções - mostra que Collor liderava em rejeição na disputa ao Governo.

Foram realizadas 2.000 entrevistas. A pesquisa está registrada no TSE com o número 09280/2018.

Collor tinha 42% de rejeição no período das entrevistas. A candidatura dele, até então, ainda era uma possibilidade.

Quando se perguntou ao eleitor em quem ele votaria nas eleições de outubro, a resposta foi: Renan Filho (51%), seguido de Collor (13%), Eduardo Canuto e Marcelo Palmeira (2%) e Josan Leite (um por cento). Basile Christopoulos não pontuou.

Indecisos, branco e nulos somavam 30%.

“Collor é um fenômeno das urnas, um homem de altos e baixos na vida pública, mas é o candidato mais fácil de se concorrer e derrotar porque vai carregar, até a morte, sua própria cruz: um impeachment”, disse um calheirista ao EXTRA.

“Collor é um homem incrível. Entra em uma eleição com disposição de apanhar e bater. E como ele apanha! E também revida!”, afirmou um dos colloridos.

Mesmo com o altíssimo índice de desprezo do eleitor, Collor influencia bastante uma votação local. Tanto que Renan Filho, no lançamento do seu nome para a reeleição, disse que a disputa em Alagoas não seria uma “sopa de chuchu” - algo sem gosto- e não existiria um WO nas urnas.

Mas o senador enfrenta um inimigo bem maior dentro do seu grupo político. Apesar do PSDB apoiar seu nome, os tucanos - menos seu vice, o presidente da Câmara, Kelmann Vieira- evitam o selfie com Collor. A começar do presidente estadual do PSDB, Rui Palmeira, que não apareceu na convenção.

Um dia depois, o presidente de honra da legenda em Alagoas, Teotonio Vilela Filho, declarou não votar em Collor. Horas depois foi a vez da vereadora e candidata a deputada federal, Tereza Nelma, seguir o mesmo caminho: nada de fazer campanha para elle.

“Desde o primeiro instante, manifestei minha posição contrária à aliança do PSDB com o PTC de Collor, sobretudo pela forma impositiva como ela ocorreu. Os meus correligionários sabem que não voto em Collor em nenhuma hipótese”, explicou Vilela, nas redes sociais.

E pode ser bom (ou ruim), mas o PSDB - ao menos na capital alagoana - tropeçou e caiu em uma poça de lama que termina por afastar até os inimigos mais cordiais de um abraço dos afogados.

O motivo: a era Rui Palmeira oferece a pior educação do Brasil nas escolas mantidas pelo município, segundo Índice dos Desafios da Gestão Municipal (IDGM) da Educação, desafios da Gestão Municipal 2018, da Macroplan.

O estudo foi divulgado na quarta-feira (8). E a análise comparou os 100 maiores municípios brasileiros. Maceió está em último lugar.

Este índice analisou 15 indicadores distribuídos em quatro áreas, chamadas de críticas pela consultoria: educação, saúde, segurança pública, saneamento e sustentabilidade.

O IDGM Educação mais bem colocado no país é o da cidade de Piracicaba, em São Paulo (0,660); Maceió está com 0,345.

O índice varia de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, melhor o desempenho da cidade.

No IDGM Saúde, Maceió ocupa 87º lugar; em segurança, 85º; saneamento e sustentabilidade, 57º.

Os resultados mostram os grandes e graves problemas na gestão de Rui. Será que não é uma escolha melhor a distância do ninho tucano?

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