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18 de Dezembro de 2018

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Edição nº 984 / 2018

10/08/2018 - 19:19:42

Candidatos devem ignorar Lava Jato em debates

José Fernando Martins [email protected]
Analista político Marcelo Bastos manda recado para Rodrigo Cunha - Foto: Divulgação

As eleições de outubro podem abrir brechas para fatos inéditos na política de Alagoas. Caso o senador Renan Calheiros e o governador Renan Filho, ambos do MDB, sejam reeleitos, os dois poderão se encontrar no Senado em 2023. Filho administraria Alagoas e, no último ano de governo, se candidataria e se elegeria senador ocupando vaga de Fernando Collor (PTC). Renan Calheiros já estaria lá com mais quatro anos de mandato pela frente. Pai e filho fariam parte da bancada alagoana composta por três integrantes no Senado Federal. Essa possibilidade foi levantada pelo professor e analista político Marcelo Bastos. 

Mas, nesse caso, quem estaria ao lado dos Calheiros em Brasília: Benedito de Lira (PP), Maurício Quintella (PR) ou Rodrigo Cunha (PSDB)? Para Bastos, a disputa ao Senado, em Alagoas está bem equilibrada e cada candidato tem seus pontos fortes e fracos. Lira, por exemplo, não representaria “o novo” tão procurado por diversos eleitores, mas tem experiência e influência. Quintella seria o mais fraco dos três, mas o fato de estar ao lado dos Calheiros pode render uma boa votação por tabela. Já Cunha, conhecido pela sua postura séria e contra a corrupção, pode perder votos já que faz parte do chapão do senador e ex-presidente impeachmado Fernando Collor.

“A candidatura de Collor prejudicou Cunha que sempre levantou a bandeira da honestidade. Ele já disse que fará campanha por si próprio, mas não tem como não o associar a Collor já que estão na mesma coligação. A minha dica para Cunha seria para assumir o jogo que ganharia muito mais. E ao contrário de Cunha, Collor como candidato a governador vai ajudar Benedito de Lira que, até então, estava sem um palanque forte para fazer campanha. Mas acredito que Cunha tem muitas chances de ser eleito junto a Renan Calheiros em outubro”, analisou Bastos sobre a possível dobradinha de RCs (Renan Calheiros e Rodrigo Cunha).

Sobre a candidatura de Collor, o analista político disse não ter ficado surpreso. “Diferentemente de Renan Calheiros, Fernando Collor não tem medo de perder nas urnas. Sem falar que o senador não tem nada a perder porque ainda tem mais quatro anos no Senado. Já Calheiros só entra em eleição na qual se sente confortável, nem que seja para derrubar todas as outras peças do xadrez para que isso aconteça. Se Ronaldo Lessa, Téo Vilela e Alfredo Gaspar fossem candidatos ao Senado, com certeza ele tentaria para deputado federal. Calheiros recuaria tranquilamente só para garantir a imunidade parlamentar que tanto precisa”, disse. 

Também faria parte da estratégia de Collor sentir seu poder em comparação ao filho de Renan Calheiros, uma vez que provavelmente Renanzinho será seu oponente nas próximas eleições ao Senado. Quanto ao governo do Estado, Rui Palmeira entraria em jogo. “Nesse pleito, com a coligação que Collor fez, ele terá quase o mesmo tempo de propaganda que Renan Filho. Os dois terão um tempo significativo, apesar de que a propaganda política na televisão não tem a mesma influência que teve no passado. Li um estudo que hoje apenas 30% dos eleitores são influenciados pelo guia eleitoral.  O fator redes sociais será muito importante. E o candidato terá que saber trabalhar com isso. O governador, por exemplo, fez uso dessas ferramentas nos últimos quatro anos”, destacou. 

E será que os candidatos a governo de Estado e ao Senado vão partir para baixaria este ano? Segundo Marcelo Bastos, a “guerra” será mais diplomática devido ao “teto de vidro” chamado Lava-Jato. Collor já foi citado por delatores, assim como Benedito de Lira, Renan Filho e Renan Calheiros. “Ninguém vai querer tocar nesse assunto”.

NACIONAL

O analista político Marcelo Bastos também traçou um panorama sobre as eleições presidenciais em dois cenários distintos: com Lula e sem o petista. Conforme Bastos, o ex-presidente Lula teria chances o suficiente para levar um oponente ao segundo turno encarando Geraldo Alckmin (PSDB) ou Jair Bolsonaro (PSC). Quanto a Marina Silva (Rede), Bastos acredita que ela murche durante a campanha perdendo eleitores. Já Ciro Gomes (PDT), para o analista, tem uma candidatura fraca, ainda mais agora sem nenhuma grande aliança firmada. Se Lula não estiver no páreo, Bolsonaro conseguiria levar Alckmin para o segundo turno com grandes possibilidades de vitória. “O que pesa contra Bolsonaro é o tempo no guia eleitoral que é de sete segundos, mas ele é muito forte nas redes sociais. E ele conseguiu se sair bem nas duas sabatinas recentes na TV Cultura e na GloboNews. Tentaram destruí-lo, mas ele conseguiu se esquivar dos jornalistas. É o antipolítico, tem uma postura bem semelhante a Collor quando ganhou para presidente”. 

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