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24 de Setembro de 2018

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Edição nº 983 / 2018

04/08/2018 - 08:14:01

MPE investiga truculência policial

Mulheres denunciam que foram humilhadas e agredidas por militares

José Fernando Martins - [email protected]
O promotor de Justiça Magno Alexandre cobrou uma posição da Corregedoria da Polícia Militar - Foto: Divulgação

O Ministério Público do Estado (MPE-AL) resolveu instaurar esta semana procedimento preparatório de inquérito civil contra três supostos casos de truculência e abuso de autoridade que envolvem integrantes da Polícia Militar de Alagoas. O autor da decisão é o promotor de Justiça Magno Alexandre Ferreira Moura, da 66ª Promotoria de Justiça da Capital. Em duas situações, algo em comum: a agressão policial durante abordagem a transeuntes. O primeiro caso aconteceu no dia 25 de fevereiro deste ano, em um posto de gasolina, na Avenida Leste Oeste, nas proximidades do Terminal Rodoviário de Maceió. 

“Encosta, encosta, bando de vagabundos”. Foi com essa frase que o casal Arthur Lucas Lima e Karolynne Santos teria sido abordado por uma guarnição da Radiopatrulha. Conforme consta no termo de declarações da Corregedoria da Polícia Militar, a dupla desceu da moto com as mãos na cabeça. Karolynne Santos Oleszko afirmou em depoimento que, ao mesmo tempo em que seu namorado era revistado, ela recebeu chutes entre as pernas. Ao questionar o fato de estar sendo revistada por policial masculino, um dos PMs, identificado como Florêncio, a teria segurado pelo pescoço questionando: “Você é quem sua, puta?”. “Meu pai é policial, sou filha do cabo Oleszko”, teria respondido a vítima. 

As agressões não parariam por aí. “Ao tentar se livrar da agressão, no momento em que seu namorado também questionou a atitude do policial dizendo que não podia fazer isso com ela, ele passou a ser agredido também. Um outro policial torceu o braço para trás, de forma bruta, vindo a machucar o declarante”, detalha o termo de declarações. Um outro militar deu voz de prisão e determinou que Karolynne Santos fosse jogada na mala da viatura, que caiu em cima de um step vindo a se machucar ainda mais junto ao namorado. Ambos foram encaminhados ao Complexo de Delegacias Especializadas (Code), localizado na Mangabeiras. 

Já no boletim de ocorrência lavrado pelos militares, o casal é acusado de desacato. O PM Antônio Wilson Soares afirmou que estava fazendo a ronda de rotina quando avistou os dois indivíduos em atitude suspeita. Ainda segundo o BO, Karolynne estaria alterada e começou a xingar os policiais envolvidos na ocorrência de “nojentos e filhos da puta”. Ao chegar na delegacia, ela ainda teria chutado os militares machucando o dedo indicador da mão direita do policial militar Sidinaldo Florêncio. 

Outro caso é referente à suposta prática de violência cometida por policiais militares na prisão de Yris Priscilla de Lima Leite, apontada como gerente financeira de uma quadrilha de tráfico de drogas que agia em bairros nobres da capital alagoana. A ação policial, deflagrada no dia 27 de fevereiro deste ano, resultou na apreensão de 9 kg de cocaína e na morte de Flávio Santos da Silva, traficante e marido de Yris. Ele teria reagido ao cumprimento do mandado de prisão que as equipes executaram na residência dele, localizada no Benedito Bentes, na parte alta de Maceió. Yris acusou integrantes da PM de tortura e maus tratos por ocasião da prisão em flagrante.

O terceiro caso envolve Arlinda da Silva, Andreina Soares da Silva e Edjane Batista dos Santos, que denunciaram que foram agredidas por policiais durante uma abordagem na região do Sítio São Jorge, no dia 6 de março. Segundo BO, elas foram abordadas com um sonoro: “Parem, três vagabundas” e foram agredidas com tapas. Segundo declarado pela vítima Adreina, além da agressão, um dos policiais trocou a senha do seu aparelho celular deixando-o inutilizado. Ao informar que estaria grávida, ouviu: “Você e seu filho vão se ferrar”. Arlinda contou que levou tapas no rosto. Já Edjane disse que ficou o tempo todo calada sendo ameaçada de morte. 

NOTA DA PM

 A Polícia Militar (PM) reitera que cumpre a missão constitucional de garantia da ordem e não compactua com o desvio de conduta de seus integrantes, tanto no exercício da função ou fora da atividade policial. A Polícia Militar reforça a orientação de que os cidadãos que se sentirem vítimas de supostos comportamentos inadequados cometidos por policiais militares denunciem a situação à Corregedoria-Geral da Corporação.

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