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23 de Setembro de 2018

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Edição nº 983 / 2018

02/08/2018 - 20:11:20

Ministro do STJ adia depoimento de Tutmés Airan

Desembargador é acusado por advogada de cobrar propina

José Fernando Martins [email protected]ail.com
Tutmés Airan teria pedido R$ 30 mil para acatar um recurso de apelação de cobrança de honorários contra a Braskem

O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Mauro Campbell, adiou para o dia 4 de setembro a audiência para colher depoimentos da advogada Adriana Mangabeira Wanderley e do desembargador do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL), Tutmés Airan. Mas, segundo a advogada, Campbell atendeu seu pedido e será ouvida, em Brasília, para evitar qualquer contato com Airan. Há um ano, Adriana ganhou as manchetes dos jornais após denunciar o desembargador no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Às autoridades, ela disse ter provas de que Airan teria cobrado, por meio de intermediários, R$ 30 mil para acatar um recurso de apelação de cobrança de honorários contra a Braskem. 

Adriana relatou que no final de 2016 foi procurada por um parente do desembargador para tomar um café em um supermercado de Maceió e que na conversa foi informada de que o enteado de Tutmés Airan, Lucas Almeida, queria 50% dos honorários para julgar o processo em seu favor. Ela ainda acrescentou que no final de janeiro de 2017 foi procurada por um amigo de faculdade, que a informou de que o desembargador teve prejuízos em um restaurante de sua propriedade, em São Miguel dos Milagres, e que os R$ 30 mil seriam para indenizar um ex-sócio de Tutmés no restaurante. 

De lá para cá, o desembargador emitiu notas em sua defesa. “Não me surpreende que a denúncia ao CNJ em meu desfavor só tenha sido apresentada depois do julgamento desfavorável à senhora Adriana Mangabeira. Um ato claro e nítido de inconformismo com o resultado do processo. (...) Um ato claro e nítido de inconformismo com o resultado do processo. Aliás, não é inédita a conduta da senhora Adriana Mangabeira de representar juiz que decide determinado caso de forma contrária a seu interesse, não sendo difícil localizar matérias jornalísticas que apontem esse fato e que, inclusive, imputam à advogada atitudes supostamente criminosas”, declarou à época. 

Para agravar ainda mais a situação, um áudio de uma conversa entre o desembargador e um possível jornalista vazou na internet. Na gravação é possível ouvir Airan chamando Adriana de “desonesta, sacana e vagabunda”. “Esse fato rendeu outro processo no STJ por ele ter foro privilegiado. Um tipo de atitude lamentável vindo de um desembargador. Estou advogando por causa própria e confio na Justiça. Tenho todas as provas e estou ciente das minhas ações. Não estou morando temporariamente em Maceió por causa de ameaças de morte que sofri. Preciso preservar meu bem maior que é minha vida. Inclusive pedi garantia de vida. Vários motoqueiros, sem tirar o capacete, chegam à minha porta e tentam derrubar o portão como forma de intimidação”, contou ao EXTRA. 

“Sei onde estou pisando, trabalho na profissão há 23 anos. Aqui tem a questão do corporativismo. Advogados não iriam querer ficar contra um desembargador por medo”. Além de Tutmés Airan, a denúncia envolve um parente de outro desembargador da Justiça alagoana, que teria feito parte do esquema de cobrança de propina. “Mudei toda minha rotina, mas não me arrependi de denunciar. Faria tudo de novo. Mas, confesso que estou pagando um preço alto por tudo isso”. 

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