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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 982 / 2018

31/07/2018 - 10:00:50

A política como ela é

ELIAS FRAGOSO

Em plena Constituinte de 1988 surgia uma das maiores excrescências políticas deste país. Um agrupamento de políticos fisiológicos que se autodenominavam de “Centrão” que usou de forma suja, debochada e perniciosa o lema de São Francisco “É dando que se recebe” para divulgar com toda a clareza qual seria a forma de se negociar com aquela bandalha que se diziam congressistas. Descarados fizeram a “festa” na Constituinte e ajudaram a nos outorgar essa insanidade que alguns ainda chamam de Constituição. Uma sopa de retalhos que só protege as castas sugadoras da riqueza nacional enquistadas na máquina governamental. Que inferniza a vida do cidadão de bem, eterno logrado em tudo que diga respeito a ação do Estado a seu favor.

Sua ação deletéria fez escola. De lá que saíram os anões do orçamento, camarilha que usava e era usada pelas empreiteiras e grandes empresas brasileiras e internacionais para moldar o orçamento da Nação aos seus desejos em detrimento de toda a população. Foram bilhões e bilhões de reais aplicados nos projetos indicados pela banda podre do empresariado nacional. De lá até os dias de hoje, surgiram e sumiram vários “Centrões” nas brumas da burocracia cavilosa aderente, e da proteção das castas superiores deste pobre país  – porque beneficiárias dos métodos heterodoxos dos ladrões empoleirados no Congresso Nacional.

A cambada de quase 300 parlamentares, deputados e senadores, encalacrados na Lava Jato nada mais é que o Centrão redivivo. Com os mesmos métodos de sempre. Barganhas políticas, conchavos com empresários, domínio da comissão de Orçamento (onde se decide de fato onde o país irá investir), compra de votos, nomeações de apadrinhados para roubar em benefício dos seus “patrões”, roubos bilionários nos fundos de pensão estatais (quase todos quebrados), na Petrobras, na Eletrobras, no Cade (ninguém fala e eles até agora conseguiram abafar, mas é nesse órgão desconhecido que o roubo se agigantou. Suspeita-se que a roubalheira ali foi maior que a soma de tudo o que foi surrupiado em todos os demais órgãos federais do país).

Para as eleições de 2018, eles se ajuntaram novamente. A mesma turma de sempre: PP (e sua mais de 3 dezenas de deputados envolvidos na Lava Jato e seu presidente indiciado pela Polícia Federal por corrupção e lavagem de dinheiro); PR cujo manda chuva foi condenado no mensalão e já renunciou em duas ocasiões a mandatos de deputado federal para não ser cassado. Este partido, aliás, é “dono” do Ministério dos Transportes (um dos maiores orçamentos do governo federal) desde a época dos tucanos no governo e tem mais de dezena de parlamentares envolvidos com a Lava Jato; PTB, bem, esse consegue ganhar de todos os demais no quesito estripulias de pequeno porte (porque não tem estofo nem “abertura” para entrar no clube do roubo de bilhões). Seu presidente é ex-presidiário condenado, seu secretário viu ser preso dois sobrinhos e alguns assessores por corrupção e desvios de dinheiro do Ministério do Trabalho e também tem outra dezena de parlamentares envolvidos na onipresente Lava Jato; o Solidariedade, presidido por um “sindicalista de resultados” aliado do PTB nas “saliências” do grupo no Ministério do Trabalho é rígido defensor do atraso getulista-trabalhista e também tem seu quinhão de congressistas implicados na Lava jato; PRB, mais recente, é o partido do bispo da Universal. Seu presidente, então ministro da Indústria e Comércio Exterior foi “saído” do cargo recentemente (mais um do desgoverno Temer) por acusações de desvios e corrupção.

Essa “turma” que até pouco tempo era aliada do petismo – e disso muito se beneficiou – está aliada ao desgoverno Temer e quer agora eleger o próximo presidente. É bom que todos saibam que votar no candidato do PSDB é votar nos corruptos que o acompanharão no governo. A menos que ele prove o contrário disso. Já.

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