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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 982 / 2018

31/07/2018 - 10:00:17

Revendo o Velho Chico

Alari Romariz Torres

Resolvemos visitar várias cidades banhadas pelo Rio São Francisco: um grupo de sete pessoas, parentes entre si, com origens em Penedo. 

Saindo de Maceió, a primeira parada foi Piaçabuçu. Velha cidade localizada perto do encontro do rio com o mar. Atendentes gentis, experientes, orientando-nos amavelmente.

Pegamos uma lancha e partimos para o Peba. Para tristeza nossa, o rio está poluído, sujo, cheio de porcarias. Na foz encontramos uma feirinha de artesanato muito pobre, mas cheia de figuras interessantes. Até um baiano estava por lá vendendo pimenta! Coisa linda de se ver: o rio verde escuro se encontrando com o mar verde esmeralda. Só Deus para fazer tanta beleza!

Alguns componentes do grupo eram parentes próximos; foram criados em Brasília, São Paulo e desejavam ardentemente voltar às origens. Outros, como eu, iam sempre a Penedo e, na infância, por lá passavam as férias. 

Ainda no primeiro dia chegamos a Penedo e ficamos no Hotel São Francisco, recuperado recentemente, bem acolhedor. Pouco procurado, mas muito limpo. Notamos que o pessoal do hotel é nativo da cidade, entretanto bem treinado. O único ponto negativo foi a ausência do prato típico da cidade no café da manhã: o cuscuz de arroz.

Alguns componentes foram à Casa do Penedo e meu primo José emocionou-se ao ver o retrato do avô, do pai e de meu irmão Sabino Romariz. Modéstia à parte, figuras ilustres da velha cidade.

Dia seguinte, continuamos em Penedo. A cidade está linda, bem cuidada, mas o rio está maltratado e sujo. O ponto positivo foi encontrarmos velhos amigos. Jantamos juntos no restaurante “Perto de Casa” e revivemos momentos antigos de nossas famílias.

E de lá fomos a Pão de Açúcar, também banhada pelo Velho Chico. Apenas passamos pela parte urbana, pois nossa meta era chegar à Ilha do Ferro. A estrada que nos levou à tal ilha era de barro, cheia de curvas e sem sinalizações. Operação demorada e complicada. No nosso destino não havia restaurantes abertos, nem farmácia. Graças à gentileza de Vana, Aberaldo e Mariana, conseguimos um almoço e Nádia localizou os artesanatos que tanto desejava visitar.

Este terceiro dia de viagem, apesar de complicado, foi cheio de novidades. O grupo se comportou bem, todos procuraram o entendimento e saímos da Ilha do Ferro sãos, salvos e mais sabidos.

No fim da tarde rumamos para Piranhas. Linda cidade na beira do rio, muito parecida com uma lapinha. Quanta recordação! Partindo de Penedo, era lá o ponto final da viagem do Vapor Comendador Peixoto, cujo imediato era o meu avô materno; na minha infância, o acompanhei diversas vezes nesse trajeto. Ainda aproveitamos a noite piranhense num aconchegante largo tipo praça de alimentação, à luz do luar, ouvindo o som de um conjunto estilizado de forró e degustando petiscos regionais.

Não conheço a prefeita de Piranhas, mas a cidade está limpa, bem cuidada, e cheia de pousadas. Almoçamos num restaurante ribeirinho “Canoa de Tolda”, com um bom atendimento; no entanto a pituzada não estava boa: os pitus eram velhos e pequenos, mas a tilápia e o surubim assados estavam muito gostosos.

E no início da tarde voltamos para Maceió: tristes porque o passeio estava acabando e alegres porque tudo deu certo.

O motorista era o mais velho do grupo: um velhinho de 77 anos que adora viajar. O copiloto, tímido, calado, de vez em quando falava baixinho: “Se eu fosse você, mudaria de marcha”. E todos riam!

A mulher do motorista, sentada na cozinha da van, reclamava das lombadas por ele não vistas, também preocupada com sua responsabilidade. A mulher do copiloto aproveitou a viagem, virou a “Rainha da Ilha do Ferro”. Pagou o almoço, para se redimir da aventura do terceiro dia.

O casal anfitrião era bem divertido: a mulher ria demais e curtia bastante a viagem. O marido falou pouco, mas gostou bastante da aventura!

O último personagem era uma moça tímida, falando rouco e topando tudo.

Reencontramo-nos, convivemos com pessoas queridas que vivem longe, mas com fortes laços de amizade e parentesco datados de um passado longínquo. E... apreciando o correr das águas do Velho Chico.

Deus existe! Não duvidem! 

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