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23 de Setembro de 2018

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Edição nº 982 / 2018

31/07/2018 - 09:59:53

Dar razão a quem não tem

JORGE MORAIS

Nos últimos dias, a cidade de Maceió viveu alguns momentos de conflitos nas áreas de transporte e convívio social. No primeiro segmento, a população de dois bairros periféricos, mesmo que em pequeno número, parou duas linhas de ônibus contra a unificação do transporte na região. Cada lado brigando pelos seus interesses pessoais, mas cada um alegando seus motivos. Não entro no mérito da questão dizendo quem está com a razão, mas, quando isso ocorre, perde todo mundo.

O outro assunto está relacionado ao convívio social, ou seja, a mobilidade urbana. Entendo que uma cidade precisa ser administrada para todos. O direito de ir e vir não pode pertencer somente a uma classe ou categoria profissional. É humanamente impossível transitar em regiões tumultuadas, com espaços ocupados por vendedores ambulantes, carros estacionados em lugares proibidos, calçadas esburacadas e pessoas, idosas ou não, tendo que driblar tudo isso.

A Prefeitura de Maceió, por meio de duas secretarias, SMTT e SEMSCS, tentou intervir nas duas questões. No caso do transporte coletivo, o caso chegou até o Ministério Público, na Promotoria comandada pelo promotor Max Martins, que conseguiu definir um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre o órgão público e a comunidade. Nesta primeira queda de braço, saiu ganhando a população dos dois bairros, que conseguiu abortar o projeto aprovado até que novos estudos venham a ser feitos em nome da mudança. Quem garante que a população vai aceitar a mudança depois? Minha opinião é que foi dada razão a quem não tinha razão e as mudanças não foram feitas. 

No segundo caso, a SEMSCS, pelo código de postura do município, resolver agir nos bairros do Benedito Bentes, Jacintinho e Centro da cidade relocando vendedores ambulantes e deixando livre o passeio público para os pedestres e as ruas para os veículos. As áreas destinadas não foram do agrado daquelas pessoas, que mesmo avisadas com antecedência da operação, resolveram enfrentar os guardas municipais, fiscais e a polícia, que estava ali dando apoio operacional. Por diversas vezes, esses ambulantes foram retirados e retornaram ao mesmo local. Era como uma queda de braço.

Pois bem, sem querer tirar partido por ninguém, esse verdadeiramente não é o meu objetivo, faço esse comentário para dizer o seguinte. A mídia, sequiosa por notícia, mostrava, quase que diariamente, as ruas centrais de Maceió tomadas por ambulantes. Reclamava da administração pública que não conseguia deixar o calçadão livre para o povo circular. Essa mesma mídia noticiava o descaso das autoridades públicas com o bairro do Jacintinho, em nome de uma população inteira que se sentia prejudicada.

De repente, a Prefeitura de Maceió resolveu agir. Fazer cumprir a lei e mandar seus fiscais para as ruas. Pronto, o mundo desabou. E sabe o pior? Grande parte daqueles vendedores não é cadastrada no órgão público. São pessoas desempregadas que resolveram virar ambulantes. Pergunto: quem está com a razão, a parte que cobra uma cidade limpa e boa para todos ou a mesma parte que, em outros momentos, quer uma cidade para os vendedores ambulantes? Descubram a resposta...

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