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18 de Setembro de 2018

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Edição nº 982 / 2018

31/07/2018 - 09:48:38

JORGE OLIVEIRA

PT no segundo turno?

JORGE OLIVEIRA

Brasília - Não se surpreenda: o PT, com Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo, é forte candidato às eleições presidenciais deste ano. Este é, pelo menos, o mais qualificado de todos os integrantes do partido.  Não existe mágica nessa estória, existe lógica. Se não vejamos: pesquisas confiáveis (qualitativas e quantitativas) a que tive acesso nesses dias mostram claramente que os votos do Lula aumentaram significativamente nas regiões Nordeste/Norte depois da sua prisão. Na cadeia, vitimizado, ele certamente transfere parte desses votos para o candidato que apontar o dedo como o seu escolhido para disputar a eleição. 

O Nordeste tem 27% dos votos do país, 38,3 milhões dos eleitores. Depois de preso, a popularidade de Lula cresceu na região, chegando em algumas cidades aos estratosféricos números de 80%. O que ele tem de aceitação o Temer de rejeição, o que justifica em parte o crescimento dele.  Como os candidatos que estão no páreo ainda patinam nas pesquisas, se o Lula transferir boa parte dos seus votos para Haddad, este certamente estaria no segundo turno provavelmente com o Bolsonaro, que está virando uma onda, ou outro candidato no desenrolar da campanha. 

O Nordeste e Norte asseguraram a eleição da Dilma. No Norte, por exemplo, dos sete estados ela ganhou em quatro com mais de 50% dos votos. E no Nordeste, nos nove estados, obteve mais de 20 milhões de votos contra quase 8 milhões de Aécio. Se você acha que os escândalos de corrupção petista diminuíram essa densidade eleitoral nessas regiões pode tirar o cavalinho da chuva. Em alguns estados até aumentou a adesão pelo PT, quando se compara a administração do Lula com a do Temer. Descobre-se, portanto, que o atual presidente é o principal cabo eleitoral petista com o seu governo de terra arrasada. Quando se junta o Norte, Nordeste e Centro-Oeste tem-se um percentual de votos nessas regiões de 42,3% do eleitorado do país, o que inegavelmente empurraria um candidato do PT ao segundo turno se o Lula o abraçar, já que esses locais concentram principalmente os mais carentes pendurados no Bolsa Família.

As pesquisas qualitativas mostram um quadro real e pragmático eleitoralmente. Por exemplo: nas classes C e D os votos lulistas se amontoam, desvinculado do PT, desgastado na maioria desses estados pesquisados. Paralelamente, assombra também os votos bolsonaristas por uma razão muito simples: os dois transitam nos extremos da esquerda e da direita. No caso do Bolsonaro, o eleitor ainda o coloca como o salvador, o messias que vai salvar a nação de um naufrágio quando assumir a presidência.

Não é apenas nas classes mais baixas que Lula e Bolsonaro aparecem positivamente. Os empresários que se reuniram na Confederação Nacional da Indústria bateram palmas para o capitão sucessivas vezes. Gostavam quando ele dizia que não sabia de determinado assunto e, por isso, passava a bola para especialistas que o acompanhavam. Disse um dos empresários peso pesado presente ao convescote: “Pelo menos ele foi franco, quando não sabia dizia desconhecer o assunto”.  Coitado de um país que tem um  candidato a presidente aplaudido porque desconhece os problemas do seu país!

Despirocada

No caso de Lula, há o recall do que ele fez zunindo na cabeça dos mais pobres. Mesmo que tenha atolado o país em corrupção, feito uma sucessora despirocada, abandonado obras pela metade e organizado uma célula criminosa para saquear o país, o eleitor faz cara de paisagem. Acha que com ele, comprava-se carros novos, comia-se melhor e adquiria-se geladeiras e fogões a preços de banana, mesmo que não tivesse dinheiro no final do mês para pagar a primeira prestação e isso custasse ao país bilhões de reais em renúncia fiscal às grandes empresas.

Honestidade

O eleitor, pelo que pude observar nas pesquisas, não está condicionando o seu voto à honestidade do político, mas o que ele faz para proteger sua família dos bandidos e para abaixar os preços dos alimentos, do gás, da luz e da água, despesas imprescindíveis à sobrevivência. Quando ele lembra da “fartura” do PT, logo cita o nome de Lula que tirou a barriga da sua família da miséria. É esse pessoal, carente e desenganado com os poderes públicos que aponta para um futuro cor de rosa apoiando o Bolsonaro e/ou um candidato que o Lula apresente para as eleições deste ano. Quem sair por último, por favor, apague a luz. 

Arma

Os encontros do candidato Bolsonaro com seus eleitores no Brasil têm sido patéticos. Sem discurso, vazio, sem proposta, o candidato começou a apresentar o símbolo da sua campanha: uma criança fazendo o gesto com a mão de quem vai atirar em alguém. Infelizmente, é esse o ensino pedagógico do capitão na falta de propostas para a educação.

Lambança

É assim que Bolsonaro pretende governar o país se for eleito em outubro próximo: armando a população, ensinando, desde pequeno, as crianças a usarem armas em vez de caneta e caderno, como alertou a candidata Marina da Silva ao observar na rede social a trágica marca de Bolsonaro.

Salve-se

Começaram depois do último dia 20 as convenções que indicam os candidatos a presidente da República. Até agora nenhuma surpresa. Como se esperava, os candidatos estão vazios de ideias e não mostram propostas para governar o país que começa a descer o abismo do caos econômico e social no governo Temer.

Arrumação

Até o final das convenções, candidatos vão desistir quando começarem a perceber que seus partidos não os apoiarão por falta de recursos e de estrutura para preparar a campanha. Muitos desses presidenciáveis estão matando cachorro a grito. É o caso, por exemplo, de Marina, que está apelando para colaboração voluntária de profissionais em áreas diversas, inclusive de jornalistas para montar o seu setor de comunicação social, no momento o mais carente desses profissionais.

Aperto

Marina, que vem despontando em segundo lugar nas pesquisas, terá séria dificuldade para se apresentar ao eleitor. Com pouco mais de 10 segundos de programa na TV e no rádio, a candidata ainda não tem coligações com outros partidos e, por isso, pode desaparecer na principal mídia eleitoral. Mesmo com esse tiquinho de tempo, se for para o segundo turno aí a estória é outra: cinco minutos para cada candidato.

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