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19 de Novembro de 2018

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Edição nº 982 / 2018

27/07/2018 - 12:54:09

Beltrão em dose dupla para a Assembleia

Parentes de João Beltrão buscam limpar nome da família

Odilon Rios Especial para o EXTRA
Yvan Reis Beltrão disputa cadeira de João Beltrão - Foto: Divulgação

Uma das famílias mais poderosas de Alagoas está dividida e seus dois lados brigam internamente para ver quem será o futuro líder do clã. Os Beltrão são herdeiros do capital eleitoral do deputado estadual João Beltrão, personagem polêmico da Assembleia Legislativa e acusado em assassinatos.

Raramente uma eleição terá o que será visto este ano: um patriarca vestindo o pijama e no aguardo para ver o resultado das urnas, por óbvio beneficiando os herdeiros.

Mas os Beltrão que disputam a cadeira de João - hoje um homem doente - não têm as mãos sujas de sangue e são profissionais da política.

A cadeira de João- que anunciou aposentadoria este ano para tratar um câncer- é disputada na família por Yvan e Marcelo. Atrás de cada um deles opera-se uma máquina complexa, produzindo milhares de votos e essencial para definir qualquer eleição majoritária em Alagoas.

PERFIS

Yvan Reis Beltrão Siqueira é filiado ao PSD. Foi secretário de Saúde em Coruripe, na Prefeitura comandada pelo pai, Joaquim, irmão de João. A vice-prefeita é a mãe de Yvan, Dalva Edith.

Joaquim já foi deputado federal. Deixou o posto para apoiar o sobrinho Marx, ex-ministro do Turismo, filho de João.

Marcelo Beltrão Siqueira está no MDB. É sobrinho de João. Foi prefeito de Jequiá da Praia, presidiu a Associação dos Municípios de Alagoas (AMA). A madrasta dele, Rosiana, é prefeita em Feliz Deserto. Ela também presidiu a AMA e foi administradora do Porto de Maceió na era Lula.

Marcelo tem o irmão, Marcius, prefeito de Penedo. Ao sair do Executivo em Jequiá, Marcelo foi convidado para assumir a Secretaria de Educação em Marechal Deodoro. Pediu exoneração este ano para disputar uma vaga de deputado estadual.

“É cada um por si”, diz uma pessoa bastante próxima aos Beltrão.

Dividida, a família tem pela frente o desafio de colocar de lado as desuniões para a Assembleia e reeleger Marx Beltrão.

Marx era candidato ao Senado, mas acabou desidratado politicamente na disputa e recuou. Para não correr o risco de perder a cadeira em Brasília, optou pela reeleição.

Os Beltrão hoje governam, além de Coruripe, Feliz Deserto, Jequiá da Praia e Penedo - a cidade de Piaçabuçu, além de Ilha das Flores, em Sergipe.

Somando as 5 prefeituras alagoanas são 102.981 eleitores, pelos dados do mês de junho, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Cada um dos lados usa as suas estratégias. Yvan, por exemplo, precisa do pai, Joaquim, nos pedidos de votos para chegar à Assembleia. Depende quase exclusivamente dos eleitores em Coruripe. A cidade tem 38.411 votantes.

Marcelo, por sua vez, além contar com o apoio do irmão Marcius, prefeito de Penedo (40.831 eleitores) e da madrasta Rosiana, de Feliz Deserto (3.416 votantes) tem o prefeito Cacau, de Marechal Deodoro (35.900 eleitores), nos pedidos de votos.

Em Maceió, fechou apoio com o Sindicato dos Servidores Públicos Federais; também busca eleitores na Barra de São Miguel, Chã Preta (dribla o domínio do deputado estadual Francisco Tenório), Atalaia (costura votos no assentamento Quinta da Serra) e União dos Palmares (garantiu apoio aos feirantes).

No final, o prêmio não é só a cadeira de deputado estadual. Mas a afirmação política de quem vai ser o chefe dos Beltrão pelas próximas décadas.

Herdeiros querem ‘limpar’  o nome 

Tanto Yvan quanto Marcelo buscam novos rumos para os Beltrão, marcados pelo passado de João, que foi condenado, em segunda instância, pela 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça nas investigações da Operação Taturana por atos de improbidade administrativa e obrigado a devolver R$ 213.422,30, com juros e correção monetária, além de ter os direitos políticos suspensos por 10 anos.

Foi acusado de tramar a morte do cabo da Polícia Militar, José Gonçalves, em 1997. Cabo Gonçalves fazia parte da “turma do João Beltrão”, em Coruripe, como era chamado. No ano passado o Tribunal de Justiça absolveu o deputado licenciado, alegando falta de provas. 

Outra morte a ele atribuída é a do bancário Dimas Holanda, um crime fútil e brutal. Em 3 de abril de 1997, Dimas, 34 anos, casado, pai de dois filhos, havia ido visitar a tia Madalena no conjunto Santo Eduardo - parte baixa da capital alagoana.

Entrou no seu carro, um Ford Escort vermelho. Engatou a primeira marcha e, na segunda, teve o carro fechado por outros três: pistoleiros fizeram uma tocaia em uma caminhonete, um Fiat Uno e um Golf, todos de cor escura e abriram fogo. Dimas tentou correr. Morreu no local. 

Os detalhes do crime foram dados pelo ex-tenente-coronel (líder da Gangue Fardada) Manoel Francisco Cavalcante. Motivo: Dimas teria paquerado uma suposta namorada de João Beltrão, conhecida como Clécia.

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