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18 de Novembro de 2018

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Edição nº 982 / 2018

27/07/2018 - 07:50:45

Renan e Maurício reeditam eleições “siamesas” de 2002

Objetivo é neutralizar Rodrigo Cunha; PSOL quer Cícero Albuquerque na briga

Odilon Rios Especial para o EXTRA
Senador Renan Calheiros e seu pupilo, o ex-ministro e deputado federal Maurício Quintella - Foto: Divulgação

Quando Renan Calheiros e Teotonio Vilela Filho resolveram sair abraçados pelo estado, para juntos se elegerem nas 2 vagas ao Senado em 2002, a expressão ‘eleição siamesa’ era bastante adequada naquele contexto. Havia “paz e amor” numa votação aparentemente fácil: os “irmãos siameses” não desgrudaram nos pedidos de votos e, juntos, obtiveram 1,5 milhão de votos. Renan foi eleito com 42,2% dos votos válidos; Téo Vilela, 39,5%.

Para se ter uma ideia dos efeitos da parceria, o terceiro colocado foi Eduardo Bomfim, do PC do B: apenas 6,5% dos votos.

Dezessete anos depois, Alagoas se prepara para uma nova eleição siamesa. Renan Calheiros mais uma vez, mas agora ao lado do deputado federal Maurício Quintella (PR), ex-ministro dos Transportes. Em quase todos os municípios, a estratégia é idêntica: ambos aparecem juntos e, juntos, pedem votos. Foi assim na semana passada em Paulo Jacinto, no tradicional Baile da Chita. Também em Santana do Ipanema, ao lado do presidente da União dos Vereadores de Alagoas (Uveal), Hugo Wanderley; do vice-governador Luciano Barbosa (MDB), também em campanha para eleger Renan e Maurício ao Senado. E do deputado estadual Isnaldo Bulhões (MDB), cujo pai, Isnaldo, é prefeito de Santana. Isnaldinho quer se eleger federal, com apoio do Palácio República dos Palmares.

Quase todo o entorno de Renan Calheiros e do governador Renan Filho (MDB) adotou Maurício como o “dono” da 2ª vaga ao Senado.

A estratégia serve, também, para neutralizar uma articulação da oposição. Mira, por exemplo, Rodrigo Cunha (PSDB), que tem garantido apenas o apoio dos prefeitos de Maceió, Rui Palmeira (PSDB), e de Arapiraca, Rogério Teófilo (PSDB). Cunha também briga pelo Senado.

Nesta sexta-feira (27), o PSOL realiza a sua convenção, confirma o professor Basile Christopoulos ao Governo, mas terá Cícero Albuquerque, historiador e professor da Ufal (unidade Palmeira dos Índios) para o Senado. Cícero deve atrair também petistas mais à esquerda do PT, insatisfeitos com o rumo da legenda em Alagoas (não votam nos candidatos ao Senado apresentados ao partido, que são Renan e Maurício), apesar do PSOL não marchar com o PT.

Cícero também atrai movimentos sociais de luta pela terra. E busca o voto de opinião- mesmo voto, aliás, disputado por Cunha.

Deputado busca se afastar de Téo e Rui 

Líder de votos nas eleições em Alagoas na disputa à vaga de estadual, Rodrigo Cunha busca um caminho próprio ao Senado Federal. Ou mais distante de nomes tradicionais do PSDB local.

A ideia é também evitar a obrigação de reeleger herdeiros, como o deputado federal Pedro Vilela (PSDB), sobrinho de Téo Vilela, e de atuação tão medíocre em Brasília que suas redes sociais - vitrines da classe política- estão desatualizadas desde abril.

Outro ponto que afasta Rodrigo, por exemplo, de Rui Palmeira é o desgaste- cada vez mais ampliado- do prefeito com os servidores públicos em greve, o desgaste da remoção dos camelôs do Centro de Maceió, o fim das articulações para o Maceió de Frente Pra Lagoa (principal promessa na reeleição do prefeito), fracasso na requalificação de Jaraguá (prometida logo quando o prédio-sede da Prefeitura mudasse para a região) etc.

Em Arapiraca, após o senador Renan Calheiros criticar, pela primeira vez e abertamente, a gestão Rogério Teófilo, virou quase obrigação o lançamento de um candidato ao Governo via PSDB - ao qual Rogério é filiado.

São dois os objetivos: demarcar território dos tucanos, contrários ao governador Renan Filho. E impedir que os problemas administrativos da gestão Teófilo contaminem sua reeleição em 2020.

Daqui a dois anos, Renan Calheiros e Renan Filho vão apoiar Ricardo Nezinho, o autor do Escola Livre. Ele disputou e perdeu, para Teófilo, a votação em Arapiraca.

O PSDB cogita lançar o vereador Eduardo Canuto ao Governo. Isso implica em uma divisão do palanque dos Canuto: Fátima, mãe do prefeito Renato, de Pilar, sai a estadual mas votando em Renan Calheiros e Renan Filho; Eduardo votaria em si ao Governo, em Rodrigo Cunha ao Senado mas a opção em Renan Calheiros como o segundo voto ao Senado seria contraditória: como votar em Renan se o PSDB busca salvar a gestão Teófilo em Arapiraca, tendo como inimigo os Calheiros?

O ex-prefeito de Delmiro Gouveia, Lula Cabeleira, e sua filha, Ziane Costa, ainda não assumiram se apoiam a reeleição de Givaldo Carimbão (Avante) para a Câmara Federal.

É uma decisão importante porque Cabeleira é uma liderança significativa no sertão alagoano, principalmente em meio aos caos administrativo da gestão do atual prefeito de Delmiro, padre Eraldo.

Além disso, Cabeleira apoiou Carimbão na disputa pela Prefeitura de Delmiro.

Em Maceió, o ex-presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, é aguardado para esta sexta-feira (27) para costurar o palanque do ex-presidente Lula, ainda na disputa ao Palácio do Planalto. Os Renans devem estar presentes na recepção a Gabrielli.

Ao mesmo tempo, são cada vez mais remotas as chances da oposição apresentar um candidato com chances reais de abalar a reeleição do governador.

A incerteza do momento é o senador Fernando Collor (PTC), que insiste na disputa presidencial, mas pode ser lançado ao Governo- pacote que inclui o apoio de Rui.

Ou o movimento “Quero Collor” apenas está nadando, nadando e nadando para, no final, morrer na praia.

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