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15 de Novembro de 2018

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Edição nº 981 / 2018

24/07/2018 - 10:22:17

Em 10 anos, Lei Seca evita mais de 41 mil mortes

Mais de 7 mil CNHs foram recolhidas em Alagoas

Maria Salésia com assessoria [email protected]

A Lei Federal nº11.705, conhecida popularmente como Lei Seca, completou 10 anos e entre 2008 e 2016 evitou a morte no trânsito de mais de 41 mil pessoas. Porém, informações do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) apontam que no Brasil 32.615 pessoas morreram devido a acidentes de trânsito em 2017. O número representa queda de mais de 13% em relação à 2016, quando foram registrados 37.345 óbitos. Os dados não são nada animadores e está longe de ser motivo para comemoração. Em 2008, a taxa em Alagoas era de 19,22 mortes por 100 mil habitantes. Em 2015 foram 22,63 mortes por 100 mil habitantes, com aumento na taxa de mortes por 100 mil habitantes de 15,07%. Outro dado relevante em relação ao estado é que mais de sete mil CNHs foram recolhidas. Apenas em 2017 foram confiscadas 1.340 carteiras em Alagoas. 

Levantamento do Ministério da Saúde aponta que o número de adultos que dirige após ingestão de bebida alcoólica aumentou 16% em todo o país entre 2011 e 2017. No geral, 6,7% da população adulta no Brasil admite a prática, sendo que homens também se arriscam mais que mulheres (11,7% admitem a infração, contra 2,5%). 

A pesquisa mostra ainda que pelo menos 7,2% dos homens de Maceió admitem que dirigem após consumir bebida alcoólica. As mulheres alagoanas são mais contidas, apenas 0,4% costumam beber e dirigir. Quem ficou mesmo no topo do ranking de notificações foi o estado de Minas Gerais, que teve 255 mil infrações. Já o Distrito Federal registrou o maior índice de autuações na comparação com o número de motoristas registrados: 8%. Foram 121 mil autuações para 1,5 milhão de CNHs no estado. Em relação às capitais,  Recife foi a que apresentou menor frequência desse comportamento (2,9%), e a maior foi Palmas (16,1%).

Nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste houve redução de mortes no trânsito. Os dados do DATASUS mostram as taxas até 2015. No Sul em 2008 foram 25,73 mortes por 100 mil habitantes e, em 2015, 20,75 mortes por 100 mil habitantes. No Sudeste em 2008 - 18,93 mortes por 100 mil habitantes e 2015 - 15,05 mortes por 100 mil habitantes. No Centro-Oeste em 2008 - 29,14 mortes por 100 mil habitantes e 2015 - 26,35 mortes por 100 mil habitantes. Já as regiões Norte e Nordeste não têm o que comemorar, pois houve aumento. No Norte, em 2008 - 18,02 mortes por 100 mil habitantes e 2015 - 19,53 mortes por 100 mil habitantes. O Nordeste 2008 - 18,03 mortes por 100 mil habitantes e 2015 - 21,55 mortes por 100 mil habitantes.

De acordo com a porta-voz do Grupo Tecnowise, Roberta Torres, especialista em Segurança e Saúde no Trânsito e mestre em Segurança no Trânsito, existem várias causas importantes em relação a violência no trânsito. Segundo ela, na maioria das vezes, quando analisa um evento no trânsito encontram-se várias causas, a exemplo do excesso de velocidade combinado com o álcool ou a desatenção, além do uso do celular combinado com a falta de sinalização. 

 O perfil do motorista muda bastante em relação a cada estado brasileiro. Para a especialista,  trânsito é cultural. Cada estado tem o seu “jeito de dirigir”, embora as leis sejam nacionais. “Se formos olhar pelas taxas de mortes, veremos que a região Sudeste é a que tem menor taxa. Poderíamos dizer que são os melhores motoristas? Ou que são mais bem preparados? No Nordeste temos muitas mortes de motociclistas. Isso significa que os estados precisam dar mais atenção a esses condutores se querem reduzir seus dados de mortes e acidentes”, afirmou a especialista. 

Roberta Torres aponta que políticas públicas são extremamente importantes se tiradas do papel. 

“Não adianta ter um plano maravilhoso de mobilidade urbana, de segurança no trânsito se aquilo ali está apenas escrito e não é colocado em prática. O trânsito seguro é um direito de todos nós, cidadãos brasileiros, e não é um favor do Estado e sim uma obrigação. As vias precisam ser seguras, os veículos também e é imprescindível ter uma formação melhor dos condutores e campanhas educativas para aqueles que não são motoristas, mas que estão no dia a dia transitando pelas ruas das cidades”, frisa.

Mais de 8 mil mortes nas BRs só em 2014

O Relatório de Pesquisa Sobre Acidentes de Trânsito nas Rodovias Federais Brasileiras (2015) aponta que no ano de 2014, ocorreram 169.163 acidentes nas rodovias federais brasileiras, onde morreram 8.227 pessoas. Nesses acidentes, cerca de 100 mil ficaram feridos. Ainda em 2014, cerca de 596 mil vítimas receberam indenização do DPVAT por Invalidez Permanente, causada por acidentes de trânsito - um aumento de 34% em relação ao ano anterior. Segundo a especialista houve redução na taxa, ainda que de forma tímida. “Acredito que uma vida salva é motivos de comemorarmos. Mas ainda falta muito a fazer, a se pensar no compromisso que o Brasil assumiu com a Década de Ações para a Redução da mortalidade e acidentes de trânsito em reduzir 50% até 2020. Esse prazo inclusive já foi prorrogado, mas ainda estamos longe de conseguir alcançar a meta.”

Dados do Ministério da Saúde, apontam que desde a criação da lei o número de mortes no trânsito foi reduzido em 14% e a fiscalização aumentou em 512%. Ainda assim, o álcool é a segunda maior causa de acidentes de trânsito do Brasil. Em 10 anos, a Lei Seca multou 1,7 milhão de motorista, sendo que, aproximadamente 41 mil mortes foram evitadas. “Órgãos como o Denatran, por exemplo, acreditam que investir na educação de trânsito é primordial por considerar que esta conscientização é o procedimento mais importante para reduzir ainda mais os índices de acidentes por mortalidade”. Mesmo com a redução da mortalidade em trânsito no país, a Região Nordeste registrou aumento de 6,3%. 

TECNOLOGIA A 

SERVIÇO DO TRÂNSITO 

Há quem defenda que as diversas tecnologias auxiliam na educação do trânsito e que bem aplicada só tem a contribuir. É o caso dos simuladores na autoescola que começaram em 2013 e que deixaram de ser obrigatórios diversas vezes. Mas, a partir de janeiro de 2017, as autoescolas se tornaram obrigadas a incluir no curso cinco aulas no simulador, consideradas essenciais para que o aluno tenha noção de como se safar de situações adversas ao volante. Porém, há quem critique que aula teórica nenhuma tem como explicar ao aluno seu comportamento no asfalto molhado, por exemplo. Porém, vários estudos estão sendo desenvolvidos no Brasil, inclusive, demonstrando uma melhoria no índice de aprovação e na taxa de sucesso nos primeiros exames.

Existem ainda os softwares de apoio pedagógico na sala de aula, ferramentas de realidade virtual que podem levar o aluno para dentro do motor de um carro para que ele compreenda a importância da manutenção preventiva. As próprias redes sociais e os aplicativos conseguem interagir com os alunos e desenvolver um processo educativo. 

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