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22 de Setembro de 2018

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Edição nº 981 / 2018

24/07/2018 - 10:21:52

SAÚDE MENTAL

Só faz bem ...

Poucos ficam atentos sobre o que expressam as leis. Elas servem para normatizar ou impedir que um determinado comportamento ocorra em prol das relações humanas, na sua maioria. Apesar disso os crimes continuam. Mas alguns comportamentos ou transtornos mentais podem ser minimizados, se elas forem cumpridas.

Pois é, o legislador percebeu a necessidade de introduzir o inciso IX no artigo 1.634 do novo Código Civil que normatiza as relações de parentescos, ou seja, determina que os pais podem exigir dos filhos “que lhes prestem obediência, respeito e os serviços próprios de sua idade e condição”. É o que está expresso na Lei nº 13.058 de 2014.

Só faz bem ... II

É a Ciência Jurídica ratificando a importância da Psicologia ou os cuidados e responsabilidades que devem ter os pais, ao criarem seus filhos.

Prestar obediência e respeito aos pais é essencial para que os filhos possam, no futuro, ter maturidade psíquica para superarem as adversidades, que, com certeza, surgirão ao longo da vida.

O que se vê hoje é a criança dominar ou mandar nos pais. Isso é extremamente nefasto para a psique dela, num futuro próximo. Constata-se nas famílias a fragilidade do poder dos pais, o poder se deteriorando em nome de “não quero faze-la infeliz, contraria-la”. Pelo contrário, é preciso que o filho ou filha saiba que existe uma autoridade em casa.

Só faz bem ... III

Algumas atitudes que não devem ocorrer: o pai ou mãe perguntar ao filho ou filha, de dois ou três anos, o que quer no almoço, no café da manhã ou no jantar; para onde quer ir; se gosta disso ou daquilo. Quem tem que decidir? São os pais. Eles devem saber qual o alimento ou o que é melhor para os filhos. Não querer “desagrada-los” porque pode “perder o amor ou afeto deles”. Isso não vai ocorrer por impor limites e obediência. 

Às vezes a birra acontece e é alimentada. Basta a criança pedir alguma coisa num supermercado, por exemplo. Se ela chora a mãe ou pai sa-tisfaz a vontade imediatamente. Nesse momento ela já entendeu que se chorar vai ganhar alguma coisa e aí pode levar isso para o resto da vida.

Ela apresenta um choro com o intuíto de chamar a atenção ou ganhar alguma coisa. Se não tiver o dinheiro diga não e o porquê. Basta isso. Depois ela vai entender.

Só faz bem ... IV

O ter autoridade e dar limites são comportamentos que estruturam o psiquismo das crianças. Sem limites a criança pode apresentar, no futuro, vários transtornos mentais, alguns relacionados à personalidade, principalmente narcisista e antissocial. Lembrando que Psicologia não é matemática: nem todas que foram submetidas a esse processo comportamental terão transtorno. Cada sujeito tem uma vivência própria, subjetiva.

Se não teve limite e se não respeitou nem aos pais, incutem, inconscientemente, que podem tudo, que podem fazer o que quer. Que todos estão a seu dispor e não é bem assim que ocorre no dia a dia.

Só faz bem ... V

Na fase da adolescência isso vai ser agravado e o resultado pode ser de um adulto prepotente, arrogante e que não respeita as leis, os colegas de trabalho, os amigos, a esposa ou o esposo, enfim.

Quando os conflitos começarem a surgir nos relacionamentos com colegas de trabalho, amigos e cônjuge, nesse momento pode-se estar desencadeando um processo de ansiedade (simples ou agudo), depressivo e até ideação suicida. Por quê? O ter limites, o cair e levantar (ao aprender a andar) faz parte da natureza humana.

Mas, se ela não aprendeu a ter limites, a respeitar a obedecer, em ajudar nas tarefas de casa (lavar pratos por exemplo), quando os conflitos surgirem e ela não aprendeu a se conter ou resolver uma questão semelhante que ocorreu na infância, pode desencadear um processo patológico.

Só faz bem ... VI

A criança precisa aprender a cair e se levantar, sozinha. Muitas vezes os pais ficam desesperados ao ver que ao tentar dar um primeiro passo para andar a criança cai. O cair é extremamente natural. Cair, não ter sucesso num determinado empreendimento, num relacionamento, é extremamente saudável. Nesse momento é importante o acolhimento dos pais encorajando a criança a reagir, a se levantar, a refazer, a tentar novamente. 

Só faz bem ... VII

A criança não vai ser prejudicada se, por exemplo, ela for instigada a levar seu próprio prato até a cozinha, depois de almoçar ou jantar; ou se lavar a louça. Pelo contrário, vai ser introduzido o senso de responsabilidade e respeito, o que é extremamente saudável do ponto de vista da Psicologia.

Só faz bem ... VIII

Na clínica, depois de alguns meses do processo psicoterápico, alguns clientes chegam até a ficar satisfeitos com os procedimentos e atitudes que os pais tiveram, ou seja, em determinar limites.

Porém, antes, principalmente na fase da adolescência, são bastante conflitantes as relações entre pais e filhos, mas é preciso que os pais tenham determinação e ter a certeza de que está fazendo a coisa certa.

Depois da análise, com vários conflitos entre a pessoa e os pais, o cliente reconhece o quanto foi importante o limite, a imposição dos pais em impor respeito e obediência.  “Hoje sei do valor que aquela atitude representou para mim”. 

Daí a importância do processo psicoterápico para conhecer, reconhecer, aceitar e agora conscientizar-se de que os conflitos podem ser amenizados entre pais e filhos.

Só faz bem ... IX

Portanto, o inciso IX do artigo 1.634 não precisava ser colocado na lei, mas, se está tem uma razão baseada no que a Psicologia já descobriu: fazer a criança obedecer e respeitar os pais e ter limites, só faz bem. 

Rivotril, precisa?

A ansiedade é um sentimento extremamente   natural da pessoa. Quem não teve um frio na barriga ao encontrar pela primeira com a(o) namorada(o);  fazer uma prova para concurso ou até mesmo fazer uma entrevista para emprego? Pois é, mas essa ansiedade está sendo mascarada por medicamentos porque a pessoa “não se sente bem” quando se submete a essas tarefas. 

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em 2007 foram vendidos 29 mil caixas do ansiolítico Rivotril, que tem como princípio ativo o clonazepam. Em 2015 passou para 23 milhões. Isso mesmo, 23 milhões de caixas, de acordo com dados da IMS Health. 

O medicamento está sendo usado para qualquer tipo de mal estar, por mais simples que seja. Basta alguém dizer que está ansioso por causa da pressão imposta pelo trabalho; porque perdeu um emprego ou teve um conflito com o cônjuge e aí, é ministrado o medicamento. Apesar dele aliviar, quase que instantaneamente, a ansiedade, é um perigo.

Rivotril, precisa? II

Os especialistas afirmam que, a longo prazo, o medicamento pode causar dependência física e psíquica. Ele é um anestésico/sedativo e geralmente é indicado para combater a insônia, estresse, controle de distúrbios epilépticos, ansiedade, além da Síndrome do Pânico.

Alguns efeitos colaterais: perda de memória, da concentração, dificuldade motora, indiferença afetiva, quedas da própria altura, fraturas, tontura, zumbidos, sensação de ressaca, além de demência.

É fundamental que a pessoa que apresente algum tipo de ansiedade, seja por qualquer motivo, procure um profissional -  psicólogo - para investigar a origem e a partir daí, se for necessário, fazer psicoterapia. Caso seja imprescindível, o psicólogo pode orientar o uso da medicação, ministrado por psiquiatra, caso seja necessário.

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