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24 de Setembro de 2018

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Edição nº 981 / 2018

24/07/2018 - 10:20:31

O não voto

ELIAS FRAGOSO

Nesta próxima eleição a Nação vivenciará ao que tudo indica, a maior expressão da rejeição popular ao quadro político-econômico que aí está, e que se reflete na desastrosa situação econômico-social atual do país e na visceral rejeição aos políticos profissionais e à política com p minúsculo que eles representam. Já não há dúvidas que caminhamos para um recorde de “não voto” representado pelas abstenções, votos em branco e nulos. Eles devem superar a barreira dos 55% do total de votos do país. As recentes eleições para governador do Amazonas e do Tocantins foram sintomaticamente nesta direção com seus respectivos, 52% e 61%.

E a maior explicação para isso está na política. Ou melhor na não política. Dominada de alto a baixo por uma cleptocracia profissional que armou direitinho o circo da reeleição para interditar o novo e as mudanças tão desejadas pelo brasileiro. Veremos novamente as castas de sempre enquistadas nos poderes legislativos estaduais e federal eleger os bandidos de sempre (salvo as raríssimas exceções) travestidos de políticos “defensores do povo”. Não se deve guardar ilusão com a próxima eleição. Infelizmente. 

Não que o povo não saiba votar. Sabe sim, e muito bem. Os mais de 55% de não votos esperados para outubro de 2018 mostram de forma translúcida isso. As urnas rejeitarão os corruptos e a corrupção que eles produziram de forma oceânica, mas o modelo democrático  vigente irá elegê-los. No caso de governadores e presidente até menos de 30% dos votos totais.

O plano básico dessa cleptocracia é muito claro: prometer mundos e fundos, comprar descaradamente votos, ameaçar o eleitor forçando- o a votar em bandidos, traficantes ou em políticos apoiados por eles que,  para garantir os minguados votos que assegurem suas reeleições para – aí sim – eleitos, mostrarem a que vieram. 1) investirem pesado para “melar” a lava jato que os ameaça com prisões pelos roubos, desvios e falcatruas mil que praticaram e continuam desavergonhadamente a praticar e; 2) Trabalhar para assegurar o perdão para os ladrões do dinheiro público já presos ( e até para os que estão a caminho disso).

Basta que se acompanhe os “discursos” dos candidatos a qualquer cargo. Ou melhor o não discurso. Fogem como o diabo da cruz dos temas que o país que ver resolvidos. Tergiversam sobre a punição aos corruptos, são tíbios em suas proposições sobre mudanças políticas, tributárias, previdenciárias, sobre a reforma do Estado. Até sobre – é de chorar mesmo – sobre a saúde, a educação, o transporte e a segurança, temas mais diretamente ligados ao povo. E por que isso? São todos farinha do mesmo saco. Comprometidos até à medula com o status quo, alguns até envolvidos em crimes mais graves. O que se esperar de uma fauna dessas?

Enxergam, mas não admitem publicamente que “jogar o jogo” com os mesmo jogadores e com técnicas ultrapassadas e, principalmente, rejeitadas pela torcida, é uma jogada de alto risco. Se der certo para eles, continua tudo como está ou piora: a roubalheira, o crime organizado, as drogas, o jogo ilícito, a insegurança, pessoas morrendo como vermes a porta de hospitais públicos, educação de quinto mundo e por aí vai.

Se der errado. Bem se der errado, resta o caminho do aeroporto para irem gozar as delicias que o dinheiro roubado do povo pode lhes proporcionar em países sem crise (nem os esquerdistas desejariam ir para Cuba curtir um exílio involuntário. Iriam mesmo era para Miami para  continuarem a gritar Cuba Livre com uma boa dose do legítimo rum caribenho nas mãos)

Só não enxerga isso quem não quer ver. Ou enxerga e é conivente ou, está tão envolvido que não se apresenta para estes outra saída que não “incendiar Roma” prá ver se se salvam. 

Não se apaga o fogo da crise com a gasolina de mais corrupção.

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