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19 de Setembro de 2018

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Edição nº 981 / 2018

24/07/2018 - 10:19:50

Estamos acomodados

Alari Romariz Torres

Aprendi com um jornalista amigo meu, que não devo responder críticas. O ideal é ficar calado e deixá-las cair no esquecimento.

Essa tática está sendo utilizada pela Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Alagoas. Nós e a imprensa, a alagoana e a nacional, denunciamos à sociedade o excesso de crimes praticados pelos deputados. Ninguém responde e eles pensam que vamos esquecer. Ledo engano! Enquanto tudo não for consertado, não deixaremos de gritar!

O primeiro grande absurdo é a Casa possuir 900 comissionados com salários dobrados. Em consequência disso, parte do duodécimo vai para os assessores. E pior, muito pior: mais da metade, muito mais, volta para os deputados. Tudo isso é público e notório: vários parlamentares já foram denunciados e até crime de morte já foi cometido por causa de tal tipo de procedimento. E ninguém diz nada! E nada acontece!

Nos dois últimos anos, quando um servidor procura o primeiro-secretário para resolver algo administrativamente, de pronto, ele responde: “Judicialize!!!” Daí o excesso de ações judiciais que chegam à Casa de Tavares Bastos. Tudo ocorre lentamente e o salário do servidor fica corroído até a decisão final. O dinheiro descontado nunca é devolvido. Na minha modesta opinião, é uma falta de respeito ao Poder Judiciário, acioná-lo para resolver pequenos problemas, facilmente solucionado por vias internas.

Vivemos num Poder controlado por ditadores, que usam o dinheiro público em seu próprio benefício. Por exemplo: estamos num ano de eleição e os cabos eleitorais dos candidatos possuidores de mandato são os 900 assessores nomeados pela Mesa Diretora, isto é, eles devolvem parte do que recebem aos patrões e ainda vão pedir votos na capital e no interior para seus protetores, ou parentes próximo deles. 

Aliado a isto, os mínimos direitos dos servidores não são respeitados: terços de férias não são pagos há muito tempo, ou recebem aleatoriamente alguns apadrinhados que nem solicitaram férias. Um caso gravíssimo!

Tempo de serviço está sendo desconhecido! A criatura desempenhou uma função ou atividade durante trinta anos na Assembleia e não recebe na aposentadoria o percentual correspondente ao tempo em que trabalhou. Moral da história: aposenta-se como se tivesse entrado no serviço público ontem.

Os leitores devem estar curiosos e perguntando: “Quantas entidades representativas vocês têm?” Eu respondo: “Três”. E o que fazem? Uma consegue ajudar os inativos judicializando alguns casos ou mesmo tentando negociar algumas pendências com a Mesa Diretora. A outra é responsável pelo plano de saúde. A terceira também negocia alguns acordos com os gestores e recorre à Justiça, mas poucas são as respostas. Todas três discordam de mim; sou a favor de denúncias graves, fortes, que apesar de não obterem respostas, deixam-nos ver aqui e acolá algumas soluções.

No meio de tudo isto, surgem os bajuladores de plantão. A pior de todas as categorias. Têm salários dobrados, obtêm benesses dos padrinhos, denunciam os colegas, se aposentam e retornam ao serviço ativo. São nomeados para cargos de confiança, recebendo outros salários. Sinto pena dessa classe! Não entendo como homens e mulheres se submetem a um procedimento tão indigno. Eles não entendem que os parlamentares passam e a Casa de Tavares Bastos permanece por muitos anos,

Se continuarmos omissos, baixando a cabeça para pessoas do mal, o Legislativo alagoano chegará a um ponto crítico. Todos os servidores ativos virarão inativos e só sobreviverão os comissionados, porque devolvem grande parte de seus salários aos deputados.

Minha luta no sentido de recuperar a Assembleia Legislativa de Alagoas não é movida por ódio. Sinto a necessidade de recuperar o respeito por um dos três Poderes de nosso estado, tão corrompido por homens que se habituaram a usar o dinheiro público em seu benefício.

Deus existe. Não duvidem!

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