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18 de Setembro de 2018

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Edição nº 981 / 2018

24/07/2018 - 10:18:30

Mergulho na verdade

Isaac Sandes Dias

Volto a este espaço para novamente falar de amigos e da amizade.  Não que esteja fazendo daqui o púlpito para pregar o bem da amizade ou o altar para celebrar os amigos.

O faço porque a marcha da vida o pede e as circunstâncias exigem. 

Semana passada a amizade e a lucidez eram aqui mencionadas para celebrar e homenagear a vitalidade intelectual e o prazer de viver de uma amiga e leitora. Hoje, o tema é o mesmo, mas ressaltando as qualidades humanas e o legado positivo de um amigo que recentemente nos deixou. Ismar Malta Gatto.

Médico conceituado, professor renomado, pai extremado, pianista amador, amante da boa música e do bom vinho, empresário bem-sucedido e, acima de tudo, livre pensador no campo da ética, da moral e da metafísica.

Na indigência cultural que grassa nos nossos tempos, travar com Ismar um diálogo nesses campos, era a mesma sensação do náufrago que aporta numa rica ilha de conhecimento.

Para além dos temas que envolvia a música clássica, o ballet clássico, as virtudes e vicissitudes humanas, nossas tertúlias com Ismar sempre enveredavam por temas que nos afligem durante o viver e que cobram respostas milenarmente perseguidas pela humanidade. Tais temas são a matéria nuclear da filosofia. Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos?  Qual o sentido da vida? Qual nossa posição no planeta perante os demais seres vivos?  etc.

Lembro bem que, em relação ao nosso comportamento como seres vivos que povoam o planeta, ele sempre esteve convicto de que os animais ditos irracionais estavam, em termos de evolução no universo, muito à frente de nós, pobres e mesquinhos humanos. Era pacífico para ele que só nós usamos a mente para o bem e para o mal.  Eles sempre a usam para o bem. Que do nosso pobre ponto de vista, aquilo que julgamos de fera nos demais animais, era, senão, seus mecanismos de defesa e sobrevivência. Que uma vez seguros e satisfeitos eles são incapazes de qualquer ato de violência ou maldade. Ao contrário dos humanos que, em sua saga por acumular espaço territorial ou preservar o espaço já ocupado, são capazes de construir muros armados, de separar filhos de suas mães e de enjaular seus semelhantes apenas pelo simples fato de sentirem-se ameaçados na divisão do banquete de suas ditas riquezas.

Quanto ao mistério da vida e da morte, sempre comungamos o pensamento de que somos nada mais do que um arranjo molecular da matéria comum ao universo, matéria essa formada e contida nas estrelas. Em resumo, somos pó de estrelas.

Tanto assim que em sua sábia e cifrada mensagem a Bíblia já nos anuncia: “Do pó viemos e ao pó retornaremos”.

E o sopro daquilo que chamamos espírito, o que pode ser?

Ah!! Esse mistério ainda não nos foi dado conhecer, posto que seres universalmente ainda muito involuídos.  Por enquanto vamos aqui criando teorias, defendendo teses e tateando e o chamando de Deus.

Assim, só aqueles que, como Ismar, mergulham agora nos segredos e mistérios da morte, finalmente irão, de alguma forma, ter revelada a verdade final. Enquanto nós, pobres mortais, ficamos aqui, vivendo o sofrimento da ignorância dos não iniciados nos segredos definitivos do universo e da natureza.

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