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25 de Setembro de 2018

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Edição nº 981 / 2018

20/07/2018 - 13:31:48

Dossiê revela planos do PCC para Alagoas

MP de São Paulo denuncia 75 integrantes da facção

José Fernando Martins [email protected]
Foto: Divulgação

Uma denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP), que fez um raio-x da atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC), cita o estado de Alagoas mais de 30 vezes. O EXTRA teve acesso a esse documento que foi encaminhado à Justiça paulista no dia 5 de julho. 

A investigação, encabeçada pelo promotor do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), Lincoln Gakiya, aponta 75 nomes que atuariam na facção. Dentre eles estão dois alagoanos: Ewerton Barbosa Canuto, vulgo Mente Criminosa, natural de Palmeira dos Índios; e Ednaldo dos Santos, vulgo Igualdade, de Cajueiro. Ewerton participaria do “batismo” de novos integrantes da organização criminosa e Ednaldo, como consta nos autos, exerceria a função de “geral de rua”. 

A primeira citação que faz referência a Alagoas trata-se de uma ação em que criminosos atiraram contra uma delegacia e queimaram viatura no intuito de chamar a atenção e conseguir que comparsas presos fossem transferidos para unidades que entendessem serem mais interessantes. Em bilhete disponível no dossiê, um integrante da facção diz que apesar de terem enfiado bala no Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) não conseguiram obter êxito. “Vamos buscar uma outra maneira (...) estamos na luta para tirar os nossos do Agreste onde também na unidade tá os inimigos do CV (Comando Vermelho)”, detalhou.  O CV é citado 58 vezes na denúncia feita pelo MP-SP.

Embora o documento não especifique a cidade, fato semelhante aconteceu em janeiro do ano passado no município de Joaquim Gomes. Criminosos atearam fogo em uma viatura e atiraram contra o Grupamento de Polícia Militar (GPM) do município. O inquérito revelou ainda que comparsas radicados em Alagoas alegaram dificuldade na aquisição de armas. Presos também do estado informaram em bilhetes da dificuldade que estão tendo de serem transferidos de uma unidade no interior do estado, uma referência do Presídio do Agreste, localizado em Girau de Ponciano.

E disseram que já fizeram de tudo para serem transferidos, mas que está difícil: “pelo jeito é necessário fazer a parte disciplinar na rua”. Segundo o promotor Lincoln Gakiya, entende-se por “fazer a parte disciplinar na rua” promover ataques em série nas cidades do estado, chamando a atenção da mídia e das autoridades, conseguindo a transferência de Unidade Prisional.

Ainda sobre o Presídio do Agreste, integrantes do PCC relataram que receberam informações que o Governo de Alagoas teria removido todos os integrantes da facção Comando Vermelho e alocou todos na unidade prisional. Relataram que a unidade é “tranca”, com procedimentos mais rígidos. Também foi orientado para que os criminosos se infiltrassem de maneira dissimulada nas favelas e comunidades alagoanas onde o Comando Vermelho tem o domínio do tráfico de drogas para começar a desenvolver o trabalho de “batismo” e posteriormente o tráfico de drogas.

“A maneira que o ‘Comando Vermelho’ arrecada dinheiro é cobrando porcentagem (30%) das vendas das drogas. Para o PCC não perder ‘campo’ suspendeu a cobrança das mensalidades dos integrantes de Alagoas com objetivo de focar todos os esforços para tomada das localidades que existem a facção opositora”, detalhou o promotor. Conforme o secretário de Estado de Ressocialização e Inclusão Social (Seris), coronel Marcos Sérgio de Freitas, existem tentativas de driblar o sistema prisional para a entrada de telefones celulares, drogas e a saída de cartas e manuscritos. 

“Mas o sistema prisional alagoano vem instalando bloqueadores de celular e body scans, que em breve vão ser utilizados em todas unidades, além de aparelhos de raio-x para a detecção de ilícitos e ação proativa dos agentes penitenciários”, argumentou. 

OUTROS ESTADOS

Os documentos revelaram a prática violenta do PCC na ocupação dos demais estados, como sequestros de pessoas de facções locais, que são “interrogadas” e mortas. Nas conversas, foi possível ao MP-SP identificar que o PCC estuda ainda expandir sua atuação para municípios do Mato Grosso do Sul que, segundo os próprios criminosos, são dominados em maioria pelo CV. 

Para o Rio Grande do Norte, a facção mandou R$ 3 mil destinados a pagar um criminoso que iria arremessar munições para dentro do presídio de Alcaçuz, alvo de várias rebeliões no início de 2017. Os investigadores registram que, de fato, um homem foi preso ao tentar arremessar munição para dentro da unidade. 

Na Bahia, homens do PCC informam estar coletando informações sobre uma facção criminosa autodenominada “Bonde do Maluco”, assediada para integrar a quadrilha. No bilhete, falam em “trazer a massa para o nosso lado”. 

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