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16 de Novembro de 2018

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Edição nº 980 / 2018

17/07/2018 - 11:13:20

SAÚDE MENTAL

Depressão:             ego pobre e vazio

Sigmund Freud abandonou a cientificidade da medicina e criou um campo do conhecimento baseado no comportamento humano, criando a Psicanálise.  Em 1917 escreveu sobre o que hoje é denominado de depressão no livro “Luto e melancolia”.

Segundo ele,  a melancolia era/é uma forma de luto e que ocorre com uma sensação de perda da libido, ou seja, energia de que uma pessoa precisa para poder viver bem consigo mesma, que envolve, entre outras coisas, o ego, que, segundo Freud, na melancolia/depressão, é pobre e vazio. A pessoa depressiva não visualiza nenhuma forma de reverter o sofrimento psíquico, embora haja alternativas.

Narcisista: ego “rico” e “cheio”

Enquanto a depressão caracteriza-se pela baixa autoestima (aguda), no narcisista o ego está sempre de “alto astral”, mas é um estado fantasioso. Nele pode estar inserida a prepotência, onipotência e até onisciência.

A ilusão de que tudo e todos estão à disposição, faz do narcisista uma pessoa fora da realidade, e ai daquele que não concordar com suas ideias e com seu estilo de vida porque ele apresenta, também, uma personalidade vingativa.

O principal objetivo do narcisista é encontrar pessoas que endossem seu ego “rico” e “cheio”, apenas de fantasias megalomaníacas em que tudo e todos estão a seu dispor.

Narcisista: ego “rico” e “cheio” II

Entre as principais características do narcisista estão: baixa tolerância a frustrações, tem dificuldade em ver a diferença entre verdade e mentira (a mitomania é outra característica); o real e o ilusório, além de sentimentos persecutórios.

Narcisista: ego         

“rico” e “cheio” III

Também apresenta comportamentos infantis (origens de seu comportamento) em que o(a) outro(a) não existe ou ele faz de conta que não existe. O que prevalece é: “Eu sou demais”. Eu, eu e eu. O narcisista tem uma relação muito estrita com quem o elogia, mas elogia tudo que ele faz ou pensa. Ou seja, tem necessidade vital de reconhecimento, de ser aceito, amado, valorizado. Quando isso não acontece desaba emocionalmente. 

Boa parte da personalidade é psicótica, ou seja, negação da realidade.  Ele se considera o centro do universo. Mas também há uma parte sadia que pode ser instigada para que possa viver bem consigo mesmo e com os outros.

Tratamentos:             

depressão e 

narcisista

Enquanto na depressão o processo de tratamento embora seja doloroso é possível  porque a pessoa, primeiro, aceita ou se conscientiza de que está sofrendo – o que não fácil - e com isso se submete ao processo psicoterapêutico;  no Transtorno Narcisista há uma resistência em reconhecer o problema, além de ser quase impossível ela se submeter a um tratamento psicoterápico. 

Tratamentos: 

depressão e 

narcisista II

Na depressão (dependendo do grau em que a pessoa está submetida) é necessário ministrar medicamento pelo psiquiatra, principalmente quando o processo está agudo em que a pessoa deprimida encontra-se com as taxas de serotonina, dopamina e noradrenalina baixas. Mas somente a medicação não é suficiente; é imprescindível que a pessoa se submeta a um processo, também, psicoterápico.

Direitos: transtorno mental

De acordo com o que expressa o artigo 2º da Lei 10.216, de 6 de abril de 2001, que dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas  que apresentam algum transtorno mental, nos  “atendimentos em saúde mental, de qualquer natureza, a pessoa e seus familiares ou responsáveis serão formalmente cientificados dos direitos enumerados no parágrafo único deste artigo. 

Parágrafo único. São direitos da pessoa portadora de transtorno mental:

I - ter acesso ao melhor tratamento do sistema de saúde, consentâneo às suas necessidades;

II - ser tratada com humanidade e respeito e no interesse exclusivo de beneficiar sua saúde, visando alcançar sua recuperação pela inserção na família, no trabalho e na comunidade;

III - ser protegida contra qualquer forma de abuso e exploração;

IV - ter garantia de sigilo nas informações prestadas;

V - ter direito à presença médica, em qualquer tempo, para esclarecer a necessidade ou não de sua hospitalização involuntária;

VI - ter livre acesso aos meios de comunicação disponíveis;

VII - receber o maior número de informações a respeito de sua doença e de seu tratamento;

VIII - ser tratada em ambiente terapêutico pelos meios menos invasivos possíveis;

IX - ser tratada, preferencialmente, em serviços comunitários de saúde mental.”

Direitos: transtorno mental II

Apesar de todos “esses direitos”, a prática está longe dessa realidade. As pessoas que têm um familiar com algum problema mental muitas vezes lutam bastante para encontrar tratamento adequado.

Portanto, é necessário salientar que os governos, federal, estadual e municipal, estão longe de oferecer um serviço adequado a quem apresenta um transtorno. Os próprios profissionais da saúde, seja em qualquer esfera, hospitalar ou ambulatorial, também apresentam deficiência no sentido de saber lidar com uma pessoa que apresenta algum tipo de transtorno.

Qualquer pessoa

O número de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e de hospitais  (embora o ideal é que não existam hospitais e sim ações que possam amenizar o surgimento dos transtornos mentais, o que não é fácil) ainda é reduzido no estado e no município.

É necessário que as autoridades possam enxergar que o número de pessoas que apresentam algum tipo de transtorno mental está crescendo a cada dia, ou seja,  se no mundo o índice de depressão (e suas inúmeras consequências estão aumentando, inclusive o suicídio) é de 5% da população, no Brasil esse índice chega a 9%.

Ninguém, mas ninguém mesmo, está isento de um dia ter um descontrole emocional e até um transtorno mental. Cada pessoa reage a uma situação de adversidade, diferente. Algumas podem desenvolver um transtorno, outras não.

Mas qualquer pessoa pode desencadear um transtorno, daí a importância de que se enxergue a questão como sendo de saúde pública. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2020 a depressão e outros transtornos mentais serão as principais causas de afastamento no trabalho, o que implica em menos produtividade para o País e uma série de problemas para a família, amigos e colegas que convivem com a pessoa. 

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