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15 de Novembro de 2018

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Edição nº 980 / 2018

17/07/2018 - 11:09:14

Na Assembleia, patriarcas vestem pijama para dar lugar a parentes

João Beltrão e Luiz Dantas anunciaram que estão fora da disputa; Antônio Albuquerque também deve se aposentar

Odilon Rios Especial para o EXTRA
João Beltrão - com os filhos Maycon (E) e Marx - abre espaço na ALE para o sobrinho Yvan

Famílias tradicionais da política alagoana se reúnem para discutir os últimos detalhes de quem vai apoiar quem na disputa local. Na ponta deste sistema estão os coordenadores destas famílias, espalhados do interior à capital. Eles arrebanham eleitores, alguns deles seguindo a velha prática do cabresto. Pelo WhatsApp orientam os próprios familiares e nem sempre obtêm o consenso. Não faz mal.

Não faz mal porque as eleições deste ano são decisivas para a maioria dos nomes mais tradicionais na política alagoana. Na Assembleia Legislativa, por exemplo, haverá a troca de 6 por meia dúzia. A família Madeira, por exemplo, vai trocar Marquinhos, o filho, por Marcos, que busca a imunidade parlamentar que vai lhe garantir a blindagem na Justiça e a sobrevivência por mais tempo na política-eleitoral em Maragogi.

Os Dantas também trocam de pele, mantendo o jeito de ser. Luiz, presidente da Casa, vai vestir o pijama e fazer a campanha do filho Paulo. Os Beltrão também assistirão à aposentadoria de João para dar lugar ao sobrinho Yvan, filho de Joaquim, prefeito de Coruripe. 

Outro que discute se aposentar - ao menos na disputa à Assembleia - é Antônio Albuquerque (PTB). Ele deve disputar a vaga de federal e, no lugar dele, ficaria um dos filhos na Assembleia.

Os Pessoa entraram no jogo do “muda para ficar tudo igual”. Severino fará campanha para o filho, Randerson, mas de olho na vitória de Célia Rocha, ex-prefeita de Arapiraca. Fabiana, esposa de Severino, tinha a vaga praticamente garantida no lugar do marido. Mas, abriu mão para ajudar Célia, que busca reconstruir os caminhos na política partidária.

O que mais interessa, porém, são os votos de algumas destas famílias ao governo, ao Senado e deputado federal. São estes votos que garantem influência fora dos muros de Alagoas. É a busca para atrair espaços em Brasília, cavar emendas federais para celeiros de voto, ter a chance de um selfie com o presidente da República.

Por isso, a família Madeira - de Marquinhos e Marcão - fechou pela reeleição do senador Renan Calheiros (MDB) e o deputado federal Maurício Quintella (PRB), que busca o Senado. A federal, vão votar em Sérgio Toledo (PR), hoje deputado estadual. Também busca a reeleição do governador Renan Filho (MDB).

Os Calheiros manterão Olavo na Assembleia, pedirão votos a Renan Calheiros e Maurício Quintella nas 2 vagas ao Senado. Ao governo, Renan Filho. Vaga de deputado federal ainda é segredo.

Segredo porque a tendência era apoiar Isnaldo Bulhões (MDB) para chegar a Brasília. Porém, Marx Beltrão desistiu de sair ao Senado e espera acordo entre os Calheiros para que eles peçam voto a ele a deputado federal.

Célia Rocha - fechada com a família Pessoa - vai pedir votos para Renan Calheiros ao Senado e para que o deputado estadual Rodrigo Cunha (PSDB) seja o segundo voto ao mesmo posto de Renan-pai. E fica com Renan Filho ao governo.

A ex-prefeita é do PTC, que fechou coligação com PSB, PSDC, PSC, PPL e Patriotas. Um guarda-chuva gigantesco, indo de Fernando Collor (PTC) a João Henrique Caldas (PSB).

Rogério Teófilo, que tinha o apoio da família Pessoa, decidiu apoiar o filho, Moacir, na disputa a estadual. Federal acordou com Arthur Lira (PP); Senado, Benedito de Lira (PP) e Rodrigo Cunha; governo? Tendência é estar com Renan Filho (e risco de enfrentar o vice-governador Luciano Barbosa, do MDB, nas urnas de Arapiraca, em 2020).

A família Beltrão, após desistência do deputado federal Marx na corrida ao Senado (ele disputa reeleição), está com Renan Calheiros ao Senado e tendência, na 2ª vaga, a escolher Maurício Quintella. Para o governo, Renan Filho. 

A família Dantas fechou, ao Senado, em Renan Calheiros e Maurício Quintella; federal? Tendência é apoiar Isnaldo Bulhões.

Inácio Loiola, da família Damasceno Freitas, vota, ao Senado, em Renan Calheiros. O segundo voto deve ser para Maurício Quintella; deputado federal: tendência é fechar com Marx Beltrão; ao governo, em Renan Filho.

Quem está de fora quer entrar

Ex-prefeita de Estrela de Alagoas e encrencada com ações na Justiça, Ângela Garrote, do PP, também é candidata a Assembleia. Em Palmeira dos Índios, onde tem o filho, Toninho, vereador e acusado de assassinato, ela conta com os votos do prefeito Júlio Cezar.

A federal, pedirá votos pela reeleição de Arthur Lira; ao Senado, fica com Benedito de Lira e Renan Calheiros e vota em Renan Filho ao governo.

Abrahão Moura, ex-prefeito de Paripueira, virou um acumulador de prefeituras na região Norte: Paripueira, onde elegeu o sucessor, e Barra de Santo Antônio, que tem a esposa no comando do Executivo local. Faz campanha para a filha, Cibele, à Assembleia Legislativa; a federal, tendência é escolher Sérgio Toledo; ao Senado, Renan Calheiros e Maurício Quintella. Governo? Renan Filho.

Os Canuto tentam se unir internamente. Acordaram apoiar o vereador tucano de Maceió, Eduardo (PSDB), a federal; Fátima Canuto (PRTB), mãe do prefeito de Pilar, Renato, sai a estadual; ao Senado, votam em Renan Calheiros e Maurício Quintela; ao governo, Renan Filho. 

Lula Cabeleira, ex-prefeito de Delmiro Gouveia e patriarca da família, busca eleger a filha, Ziane Costa, para a Assembleia; definiu Renan Calheiros. Ao governo, Renan Filho. Nome da família a deputado federal e a 2ª vaga ao Senado? Mistério!

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