Acompanhe nas redes sociais:

20 de Setembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 980 / 2018

17/07/2018 - 11:05:39

Confabulações eleitoreiras

CLÁUDIO VIEIRA

Li, outro dia, que um político aqui da terrinha teria dito que por enquanto nada estava acertado ainda para as eleições próximas. Segundo tal político, candidato a qualquer coisa, esse período que antecede as convenções partidárias é só de conversas, negaças, promessas e ouvida de propostas, nada de compromissos, enfim, hora de lorotar para ver o que sai dessa cesta, que mais parece caixa de Pandora.

Tendo a concordar com o sujeito, por mais que isso me desagrade. Ele tem razão afinal, pois política em nosso País e feita assim mesmo. Os partidos, sem exceções, deixam para definir seus candidatos, suas alianças, sempre na última hora. Até lá – no nosso caso 5 de agosto – nada se acerta verdadeiramente, deixando-se para as últimas horas a escolha dos efetivos candidatos e a composição de coligações. Parece bom isso, mas não é. Poder-se-ia dizer que a demora resulta da reflexão profunda sobre as propostas republicanas dos partidos e candidatos; o cuidado de se aliançar com outras siglas partidárias que tenham a mesma preocupação de um governo limpo e voltado para o povo. Isso seria realmente bom. Todavia, o que se pode efetivamente extrair das conversas dos partidos e seus candidatos é que todos estão negociando seus próprios interesses na patranha. E nesse caso, ajuntam deus e o diabo, pois o importante, como já se disse, é ganhar as eleições seja qual modo for. Apagam-se, então, as ofensas morais; minimizam-se momentaneamente as inimizades; “abraços de ursos” são distribuídos; exagerados são os elogios; o corrupto torna-se de exemplar honestidade; as mútuas acusações são esquecidas; um desfile ostensivo de hipocrisias, tudo para enganar o eleitor e engordar as urnas.

Tem-se hoje em dia um crescimento dos votos brancos e nulos. Tal anomalia é resultante da indecisão dos partidos em indicar os seus candidatos efetivos; mas também é da descrença nas boas intenções dos candidatos, quase todos já bem conhecidos do eleitor. Os eleitores, intuindo ou em intelectiva cognição, recusam o voto a candidatos de perfil rapinante, ladravazes; em consequência disso, desconfiam até mesmo daqueles sobre os quais não pesam (ainda?) acusações que esgotam as capitulações do código penal brasileiro. A atitude é vista com bom grado pelos candidatos. A recusa do voto, o voto branco ou nulo, só beneficia aqueles que já estão empoleirados no poder. Daí surge inquietante pergunta, cuja singeleza representa a perplexidade com que vemos o próximo pleito eleitoral: o que fazer?

Não há uma receita que garanta a resposta, a não ser que devemos ser estritamente críticos com as candidaturas que nos serão impostas.   

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia