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19 de Setembro de 2018

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Edição nº 980 / 2018

17/07/2018 - 11:05:21

À beira do precípicio

ELIAS FRAGOSO

Desde o início deste ano venho afirmando que o crescimento do PIB brasileiro ao contrário do que bancos, consultorias famosas e governo sustentavam (irreais 3%), mal alcançaria 1,5% nos mantendo neste eterno voo de galinha que a todos infelicita. Esta semana, eles deram meia volta na proposta irreal e, finalmente, estimaram o crescimento para 2018 em...1,5%! É o que dá em se acreditar apenas nas fórmulas econométricas e desconsiderar outras variáveis sociais que saltam à vista até dos mais leigos (ou será que simplesmente fizeram o tradicional “engana bobo” para ganhar mais alguns bilhões no nosso suspeitíssimo mercado de capitais?).

Nos últimos 38 anos, a renda per capita no Brasil cresceu míseros 0,8% ao ano. O pior desempenho dentre os países da América Latina, por exemplo. E o PIB neste longo período avançou cruéis cerca de 1,6% ao ano (apenas para assegurar emprego para os jovens que chegam ao mercado de trabalho, o índice deveria ser no mínimo, uma vez e meia maior que o ultrajante indicador aqui anotado. Ficando claro: número que não gera crescimento real da economia, somente possível, a partir de 3.5% a.a. Para fechar esta fase negra por que passa o país após sua “democratização” – entre aspas mesmos –  2018 fechará o pior quinquênio do último século (a ex-presidenta - sic! - é mesmo uma recordista. De tragédias para o brasileiro)

O gigante desemprego sem perspectiva de melhora, a renda real do trabalhador em seu pior momento, 62% da nação endividada, a reforma da previdência não resolvida, situação fiscal gravíssima, a economia em longa desaceleração, quase mesmo em depressão (fenômeno muito pior que a inflação). São pequena parte da crua realidade deste país.

Do front político não se deve esperar nada em termos de mudanças. Os conchavos partidários para a próxima eleição têm fito único: manter o “status quo” atual de roubalheira e corrupção generalizada que, aliás, continuam à solta.  O conluio criminoso entre políticos corruptos, burocratas dos três poderes enquistados em cargos estatais operando a favor dos “padrinhos” e empresários inescrupulosos, tem foco único: continuar a pilhagem das últimas ruínas deste país. Nunca na história recente do Brasil se viu tal enormidade de despautérios. 

É ampla e geral a impunidade. O Supremo (Ah! o Supremo...) não julga os políticos com foro privilegiado, e o “trio ternura” solta meliantes às pencas, como se fossemos uma republiqueta de bananas (ou somos?). A PGR reduziu ao mínimo a liberação dos processos dos verdadeiros e poderosos barões políticos da corrupção, aqueles que nas mais altas posições do poder se lambuzaram no pântano da corrupção e agora se preparam para apresentar-se ao eleitor como arautos das mudanças e da moralidade administrativa.  É de chorar.

O país pode evoluir rapidamente para uma aberrante criminalidade (o crime organizado já tomou conta de alguns estados e está financiando candidatos, muito mais que desde sempre), forte desarticulação social (antessala de mais violência) e, perigoso desequilíbrio macro e micro econômico provocado pelo desarranjo das contas do governo e da enorme pressão sobre a renda da população, que levará anos para ser consertado, 

Não se divisa tentativa de se pactuar saídas para este enorme imbróglio em que os poderosos deste país envolveram a Nação. A aversão dos políticos por um pacto que aponte saídas que fere de morte seus interesses é patente. A quase nenhuma reação da sociedade a esta pantomina - onde só ela perde – é péssimo sinal, que pode levar a impasse de proporções cataclísmicas. 

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