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15 de Novembro de 2018

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Edição nº 980 / 2018

17/07/2018 - 10:55:31

JORGE OLIVEIRA

JORGE OLIVEIRA

Brasília - O governo do Temer está tão desmoralizado que parece natural a Polícia Federal entrar no Ministério do Trabalho e arrastar pela orelha o ministro Helton Yomura destituindo-o do cargo à força por ordem do ministro do STF, Edson Fachin. Ali, as investigações concluíram que o PTB montou uma máfia para vender registros sindicais a novos pelegos de olho no FAT – Fundo de Amparo ao Trabalhador – e negociar outras benesses que engordam a conta dos dirigentes dessas entidades que deveriam, em tese, defender o trabalhador, mas que na realidade viraram casas de delinquentes para extorquir dinheiro público.

O PTB, chefiado pelo ex-deputado Roberto Jefferson, é o partido que escolhe o ministro. É também quem decide os cargos do segundo escalão de pessoas que vão trabalhar a soldo dos políticos filiados e seus parceiros meliantes. Entra ministro e sai ministro, os ratos continuam lá dentro devorando o que ainda resta de verba para os convênios trabalhistas. Nada mudou, pois a turma do Jefferson é a mesma, só mudam as caras e os métodos de ataque aos cofres. O governo, que está se desmilinguindo, para se manter no poder, submete-se aos interesses desses políticos mantendo lá dentro a quadrilha petebista.

Nada mais surpreende a população nesse governo. Pendurado em processos que apuram desvio de dinheiro das empresas das Docas de Santos para suas campanhas, Temer – o presidente mais impopular do mundo – vai se mantendo no cargo a trancos e barrancos até que deixe o poder direto para a Papuda. Para não abreviar a chegada ao presídio, que fica a poucos quilômetros do Palácio do Planalto, aceita que desqualificados assumam ministérios para manter a base política no parlamento para se sustentar no cargo.

O Ministério do Trabalho é um dos órgãos mais visados por deputados bandidos que alojam lá dentro auxiliares a serviço do crime. Um dos que passaram por lá foi o presidente do PDT, Carlos Lupi, que hoje comanda a campanha de Ciro Gomes à frente do partido. Este senhor deixou o ministério enxovalhado, acusado de desvio de dinheiro. Ainda tentou se sustentar no cargo curvando-se de forma vil e submissa, numa solenidade palaciana, para beijar em público a mão da Dilma, ato constrangedor que não evitou a sua demissão.

Não faz muito tempo, Roberto Jefferson insistiu em nomear a sua filha Cristiane Brasil. Queria evidentemente transformar o ministério num segmento familiar, onde as coisas do órgão pudessem ser discutidas primeiro em casa e depois na repartição. Não colou. Descoberta pendurada em ações em processos trabalhistas e com suspeita de envolvimento com traficantes de drogas do Rio que a teriam ajudado a se eleger, Temer recuou, mas só depois que a ministra Cármen Lúcia, presidente do STF, impediu a posse dela no ministério.

Os chefes

Nessa nova investida no ministério, a Polícia Federal arrastou de lá de dentro não só o ministro como seus auxiliares mais diretos. O chefe de gabinete Julio de Souza Bernardes, por exemplo, foi direto para a cadeia assim como Jonas Antunes, o chefe de gabinete do deputado Nelson Marquezelli, em cujo apartamento foram encontrados 95 mil reais em dinheiro.  A sujeira também bateu às portas do Palácio do Planalto, onde o ministro Carlos Marun foi citado na operação Registro Espúrio como envolvido com a organização criminosa que fraudava as cartas sindicais.

Vazio

O ministério ficou “acéfalo”, como disse na carta o ministro expurgado Helton Yomura a um governo também acéfalo. Para que os faxineiros não lotassem caminhões com o entulho humano que sobrou do MT, Temer mandou Eliseu Padilha, envolvido na Lava Jato, assumir a cadeira do ministro deposto, como se a presença do seu homem de confiança fosse impor alguma moralidade lá dentro.

Putrefação

O Ministério do Trabalho é o retrato, sem retoque, de um governo decomposto, retorcido pela bandalheira, que ainda se atreve em apresentar um candidato, Henrique Meirelles, para representá-lo nas eleições deste ano que estancou no 1% de aprovação, como se disputasse as eleições na congelada Sibéria. Temer padece de um mal que contamina muitos políticos brasileiros, aquele que sujou a biografia de vários deles com o desenrolar da Lava Jato: a corrupção. E esse mal, que contagiou todos os partidos no país, está grudado na biografia do presidente como carrapato, difícil de ser extirpado. 

Escárnio

No decorrer da semana, Temer anunciou o novo ministro do Trabalho. Trata-se do desembargador aposentado Caio Luiz de Almeida Vieira de Mello, sócio da mulher do ministro Gilmar Mendes, do STF. A indicação aconteceu quatro dias depois do afastamento do ministro Helton Yomura, feito por Edson Fachin, ministro do Supremo, que identificou a bandalheira lá dentro do órgão. 

Raposa

Desde de maio de 2016, quando assumiu a presidência, Temer entregou o Ministério do Trabalho ao PTB do ex-deputado Roberto Jefferson, preso e condenado no mensalão que levou a cúpula do PT para o presídio. De lá para cá os escândalos sucederam-se. O partido do Jefferson transformou o órgão em um balcão de negócios, o que já era de se esperar quando se coloca uma raposa para administrar um galinheiro.

O último

Percebe-se nesse governo que não existe critério para nomeações de ministros. O próprio MT foi oferecido a outras pessoas que declinaram do convite do presidente. Muitos que recusaram não querem passar à história como ministro do presidente mais impopular do mundo e nem queimar o filme integrando uma equipe que pode terminar os dias dentro de um presídio.

Adeus

Temer conta os dias para deixar o Palácio do Planalto. Mas antes de sair está deixando a sua marca de país arrasado. A inflação, por exemplo, já deu sinais de que pode fugir do controle. No mês de junho apresentou índices de quase 2% só comparáveis à de 1994. A Boeing comprou a Embraer, a fábrica de aviões brasileira, com o aval do governo, quando os brasileiros estavam entretidos com os jogos do Brasil. E ainda na euforia da Copa, Temer baixou uma medida provisória de incentivo à indústria automobilística de R$ 1,5 bilhão ao ano para pesquisas. Isso significa, entre outras coisas,  que impostos subirão para compensar a dinheirama que vai para as fábricas de carros. 

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