Acompanhe nas redes sociais:

24 de Setembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 980 / 2018

13/07/2018 - 05:10:00

“Quero Collor” vira discurso da oposição ao Governo

Partidos sonham com embate entre senador e Renan Filho, em nome de Fernando James

Odilon Rios Especial para o EXTRA
Collor e o filho Fernando James e respectivas esposas durante festejos juninos em São Miguel dos Campos

Menos de 1 mês do prazo final para as convenções (limite é 5 de agosto), qual nome a oposição vai apresentar para enfrentar Renan Filho? Sem o PSDB, cujo presidente estadual Rui Palmeira, desistiu do embate, a coligação PSB, PSDC, PSC, PPL e Patriotas se movimenta para engordar os próprios correligionários. Existe um consenso: querem Fernando Collor (PTC) disputando o governo; Collor é candidato a presidente da República pelo seu partido apesar de a legenda insistir que não terá nomes ao Palácio do Planalto para que o partido não morra, em representação, na Câmara dos Deputados.

Existe um consenso no grupo: ao manter a inviável candidatura presidencial, Collor prepara o “pulo do gato”: disputar o Palácio República dos Palmares.

A coligação aposta no efeito-surpresa, como em 2006, quando Collor venceu Ronaldo Lessa, então governador, na disputa ao Senado. O ex-presidente da República apresentou o próprio nome no final de agosto daquele ano. Ganhou.

Apesar do prazo final para a realização das convenções ser em 5 de agosto, esta não é a data-limite. Porque até 15 de agosto os nomes têm de ser apresentados à Justiça Eleitoral. É quando quem é pode não ser. Porque o papel tem soberania, vale o que está escrito, não a charanga dos partidos no lançamento dos seus candidatos nas portas das sedes.

Quem mexe a caneta ao preencher a ata da convenção tem o poder maior. E a oposição sonha alto: quer a rubrica de Collor como candidato ao governo, elevando o coro dos descontentes na disputa. Isso porque eles não fecharam acordo com Renan Filho.

JHC mais 

Fernando James

Um deles é o deputado federal João Henrique Caldas (PSB), crítico contumaz de Renan Filho e Rui Palmeira. Mais votado em 2014, recusou ficar em qualquer dos lados, mas não conseguiu construir um grupo político-partidário sólido o suficiente para assumir a terceira via eleitoral nestes 4 anos. O pai de JHC, João Caldas, que é presidente do PSC em Alagoas, vai disputar uma das vagas ao Senado, mesmo que as chances de ser votado em seu próprio grupo sejam mínimas. Célia Rocha, por exemplo, votará em Rodrigo Cunha (PSDB) e em Renan Calheiros (MDB) ao Senado. (ver mais detalhes nesta edição).

Mas o grupo aposta que um candidato de porte nacional - Collor- agregue os diferentes interesses ao menos para a construção de uma bancada na Assembleia Legislativa e Câmara Federal.

JHC é o nome no topo desta lista; existe outro um tanto escondido: Fernando James, filho de Collor, tratado pelo senador como seu herdeiro na política e nos negócios, vide-se Organização Arnon de Mello. Lugar, aliás, onde Fernando James tem protagonismo menor por escolha dele mesmo.

Collor deixaria o filho entrar em uma disputa a federal para, em seguida, perder? O que ele ganharia com isso? Por que, então, Collor não pode assumir o protagonismo da campanha disputando o governo para eleger o filho em Brasília?

Collor começou a vida política como prefeito biônico de Maceió; virou deputado federal.

Fernando James iniciou como vereador de Rio Largo, onde o avô, Arnon de Mello, nasceu em 19/09/1910. Disputou e perdeu a Prefeitura da cidade. Desistiu da política, mas foi chamado ao compromisso de assumir o espólio do pai e do avô e também do bisavô, Leopoldo, então ministro do Trabalho de Getúlio, em 1930.

Isso porque Arnon Neto, filho de Collor e irmão de Fernando James (que até fez um ensaio exibindo o título eleitoral tirado em Maceió nas redes sociais) é vice-presidente da Liga na América Latina da NBA, a poderosa liga de basquete americana. E permanece na atividade empresarial, ao menos ainda sem interesse de voltar a Alagoas para assumir os negócios da família.

Assim, a futura coroa familiar passará para a cabeça de Fernando James.

Existe, também, um futuro concreto, que não precisa de bola de cristal.

Collor vai às urnas em 2022, na tentativa de se reeleger (pela 3ª vez) ao Senado. Daqui a quatro anos, Alagoas não vai apenas tremer ao assistir o Brasil entrar em campo na briga pelo hexa no Catar; vai também acompanhar um jovem Renan Filho, aos 43 anos, disputar a vaga de um idoso Collor, aos 73 anos.

“O senador dará o voto em Renan Filho ao Governo, ajudará em sua eleição e correrá riscos daqui a quatro anos?”, pergunta um bem informado líder político

“Collor sabe apanhar e sabe revidar” diz um dos seus próximos. Apanhar quer dizer: ele vai voltar a ver todo o seu passado e o seu presente, do impeachment à Lava Jato, desfilando na grande mídia nacional. Coisa que ainda não aconteceu porque o senador é apenas um traço nos maiores institutos de pesquisa do país.

O traço pode virar muitos pontos em Alagoas. É o que a oposição quer: Collor e Renan Filho em lados diferentes, em 2018. Por enquanto, ninguém da coligação tem coragem de perguntar para a fera se ela quer agarrar a presa.


Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia