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20 de Setembro de 2018

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Edição nº 979 / 2018

11/07/2018 - 18:39:18

Somos Zéis coiós

CLÁUDIO VIEIRA

Exceto aos sábados e domingos, habituei-me a, diariamente às sete e meia da manhã, ouvir os comentários do jornalista Ricardo Boechat. Sempre me despertam para o dia, e mais das vezes me surpreendem. Semana passada não foi diferente, mas Boechat comentava que o prefeito Kalil, de Belo Horizonte, teria autorizado o procurador-geral do município a viajar à vizinha Brasília em jatinho alugado. Valor do aluguel? R$ 63.000,00. Apenas meros sessenta e três mil reais do bolso do contribuinte belo-horizontino. E, considerando que o procurador teria ido à capital federal, bem ali juntinho, encontrar-se com determinado ministro do STF em defesa do erário da capital mineira, o prefeito teria dito que quem não concordasse com a despesa era um “coió” 

Você nunca ouviu a expressão “zé coió”? Ou “bocoió”. Você sabe o que são “coió”, “zé coió”, ou “bocoió”? Se nunca ouviu essa expressão, à sua infância faltou alguma coisa, qual seja a picardia, o sabor gostoso de “mangar”. Significam a mesma coisa: burro, tolo, idiota, abestado. Ou se lhe apraz ao intelecto, beócio, obtuso.

Ouvindo o jornalista da Band, refleti que o malfadado prefeito tem triste razão. Não só os belo-horizontinos são “zés coiós”. Somos todos, os cidadãos brasileiros, sem tirar nem por. Ao menos na visão das nossas autoridades de qualquer dos entes e poderes da União. Já registrei antes que, igual aos imperadores da Roma clássica, os nossos políticos nos oferecem comida e diversão em épocas próprias do ano, enquanto eles sub-repticiamente praticam certos atos sem críticas e censuras. Nesses dias de copa mundial de futebol, em que os “zés coiós” estamos tão envolvidos com a nossa seleção que um chorinho do Neymar importa mais do que as solturas de corruptos pelo STF, mais uma presepada do governo Temer foi abençoada pela cambada se senadores dessa República agonizante: os nada provectos senhores aprovaram para diretor da ANS o sr. Rogério Scarabel Barbosa, anteriormente advogado de planos de saúde. De quebra, a ANS baixou resolução pela qual os novos segurados deverão pagar 40% dos procedimentos médicos a que forem submetidos. Com essas facilidades de domínio do órgão que deveria ser regulador em proteção aos consumidores, quem sabe os planos de saúde criarão novas dificuldades mesmo para os antigos segurados? Quem garante que não? Com a saúde pública abandonada e, por isso mesmo, quase imprestável ao cidadão, os planos cada vez mais mandam e desmandam nesse país de “zés coiós”. E olhem que nós temos ainda o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) autarquia federal, à qual compete prevenir e reprimir os abusos do poder econômico.

Parodiando o grande Cícero. Até quando esses políticos abusarão da nossa paciência? 

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