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13 de Novembro de 2018

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Edição nº 979 / 2018

11/07/2018 - 18:38:57

O de sempre: eleição de factoides

ELIAS FRAGOSO

Nossa elite tem a extraordinária capacidade de piorar o que já é o pior. Sempre em detrimento do povo brasileiro, que sofre na pele as agruras do desemprego tsunâmico, do salário mínimo de fome, da guerra civil já instalada pelos bandos criminosos que tomaram conta do país, pela corrupção política endêmica que nem a Lava Jato consegue diminuir (continua-se a roubar no mesmo padrão oceânico, de forma descarada e impune em todos os níveis). O cidadão não vê perspectiva efetiva de mudanças nas próximas eleições. Cego está o olhar para o futuro. Não poderia ser diferente. 

O governo federal, comandado pelos três irmãos metralhas e seus sintomáticos 95% de rejeição continua aí acobertado pela banda podre da Câmara Federal (teria uma limpa?) que o livrou do impeachment e parou o país. O Congresso só pensa naquilo: reeleição, e como acabar com a Lava Jato (seria para assegurar a continuidade do butim da Nação?); o Supremo, perdido em suas funções pela pouca liderança da atual direção, se esfarelou em brigas intestinas e pontua pela altamente discutível  atuação da Segunda Turma daquele órgão, mais conhecida nos meios jurídicos como o paraíso, por sua produção de soltura em série de corruptos já condenados – até em segundo grau -  e de “amigos” em cana por falcatruas diversas.

Ministros de tribunais e altas autoridades, suspeitas de envolvimento com as empresas da Lava Jato; CGU, TCU e Cade, brigando para, inconstitucionalmente, realizarem acordos de leniência com empresas envolvidas na Lava Jato (por que será?); a até então ativa Procuradoria Geral da República subitamente deu um stop no envio de processos de corruptos para julgamento (internamente o grupo que elegeu a atual direção começa a se dividir por discordância com a nova metodologia do “devagar e quase nunca”). 

Os maiores partidos do país (PMDB, PP, PTB, PR) são comandados por criminosos condenados/cumprindo pena/respondendo a processos na Lava Jato por corrupção. Sem esquecer do PSDB cujo presidente teve que ser “saído” por suas traficâncias com o indefectível Joesley Batista da JBS. O que se pode esperar de um “time” desses?

Brasília, o centro do poder político nacional, nunca esteve tão próxima daquela frase-conceito (tão execrada pelos nativos) de ilha da fantasia. O poder político, judiciário e executivo nunca esteve tão distante e dissociado do restante do pais. Daqueles que trabalham e produzem riquezas para que parasitas do serviço público vivam nababescamente, inventando regras e exceções que só a eles beneficiam, em total dissonância e em detrimento de todos e do país.

O que resulta disso tudo? Um Estado com um aparato gigante, orçamento engessado, quase nenhuma capacidade de investimentos, nenhum planejamento para o curto e – imagine-se! – médio e longo prazo; crescente aumento do déficit interno (aproximando-se de 100% do PIB); contas públicas em grave desequilíbrio (na faixa de 150 bilhões de reais/ano); zero de políticas públicas efetivas voltadas que aumentem nossa irrisória produtividade; participação muito aquém da nossa capacidade no comércio mundial (menos de 1%) e por aí vai.

E que propostas os candidatos a presidente da República têm nesse lastimável estado de coisas? Como pretendem refundar o Estado brasileiro? Como se dará a revolução real que a educação exige? E as drásticas mudanças na saúde e na segurança...? Todos tergiversam. Caminhamos para outra campanha de factoides, imagens bonitas na TV e promessas irrealizáveis.  Resta torcer para, no apagar das luzes, surgir tênue esperança que somatize os ideais do povo. Porque senão estamos lascados. Esses que aí estão são apenas mais (e a maioria menos) do mesmo.

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