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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 979 / 2018

11/07/2018 - 18:38:24

A vaidade e os amigos de festa

Alari Romariz Torres

Vi um caso interessante na década de cinquenta: um parente próximo foi deputado, exerceu um cargo bem elevado e caiu numa difícil situação. Quando tinha poder, sua casa vivia cheia de amigos em diversas ocasiões: mesa farta, muita bebida. De repente, ficou pobre. Fugiram quase todos! Só ficaram dois! Eu tinha quatorze anos e fiquei assustada. Aprendi a primeira lição.

Anos depois, um amigo meu, governador de Alagoas por três vezes, teve que renunciar ao cargo. Vivia arrodeado de amigos. Até no banheiro de uma casa de festas alguém entrou e colocou um bilhete em seu bolso. Encontrava com ele em outros estados e nunca estava só. Olhava os acompanhantes e eram sempre os mesmos. Quando perdeu o mandato, foi ficando desacompanhado. Encontrei-o em vários eventos (missa de sétimo dia, enterro, lançamento de livro) e lá estava o político só. Poucos iam cumprimentá-lo.

Em 2016, um deputado que virou desembargador foi vítima do destino. A mosca azul do poder e do dinheiro picou o coitado. Até para andar na orla de Maceió era seguido por amigos de festa. Afastado do cargo, ficou só, tenso, adoeceu. Por um aborto da sorte, recuperou a função, reassumiu no TJ. Se a lição servir, voltará menos vaidoso, mais humilde, e passará a reconhecer os verdadeiros amigos e aqueles que o ajudaram. Se não fizer isso, cairá novamente, pois ainda tem dezesseis anos na atividade pública.

São muitas as figuras públicas que viveram momentos de glória, depois voltaram a ser pobres mortais e viram os amigos de festa sumirem.   

De vez em quando vejo deputados antigos, sem mandato, procurando os atuais para pedirem algum favor. E já presenciei a vaidade dos que estão no poder quando são solicitados. 

Li na revista Veja uma reportagem com um médico, ex-secretário de Saúde do Sérgio Cabral. Preso, agora em prisão domiciliar, conta, em detalhes, o que o poder e o dinheiro fizeram com a vida dele. Confessa a culpa de seus crimes, se diz arrependido e receia que os filhos tenham vergonha dele. O difícil no momento é arranjar emprego de médico; as pessoas não confiam mais nele. Quero crer que os amigos de festa não o visitam na prisão, nem vão à sua casa. Se ele vai aprender a lição? Não sei.

Humildade é uma característica rara em políticos, ministros, governadores, presidentes. Conheço muito poucos que não mudam o comportamento. A primeira coisa que fazem é não atender telefones, esconderem-se nos aeroportos, evitarem ambientes públicos. Antigamente, para evitar pedidos. Hoje, com medo do povo!  A imprensa relata, todos os dias, constrangimentos passados por figuras públicas nos aeroportos, nos aviões e até em outros países. 

Falo sempre na cordinha que Deus usa para mostrar aos poderosos que Ele existe e está acompanhando tudo. Tive um amigo que foi deputado federal e prefeito de uma cidade do interior. Ficou vaidoso, afastou-se das pessoas que o ajudaram. De repente, adoeceu, quase morreu, permaneceu vários dias hospitalizado. Senti que era um aviso, mas ele não entendeu. Voltou à ativa, mais poderoso ainda, cometendo os mesmos erros. Morreu num acidente de carro e pronto! Acabou-se o homem!

Desde adolescente acompanho políticos famosos em Alagoas e vejo exemplos fantásticos! Poucos entendem o puxãozinho de corda feito pelo Homem lá de cima! Acham que podem tudo, perseguem os pequenos, bajulam os maiores, fazem o possível e o impossível para estarem ao lado do governo. Entra ano, sai ano, e há políticos que não se afastam dos governantes maiores.

Como todos são humanos, o dia deles chegará e descobrirão a cegueira que lhes trouxe a vaidade! Pode ser tarde demais!

Acordem pra Jesus!

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