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23 de Setembro de 2018

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Edição nº 979 / 2018

11/07/2018 - 18:37:27

O marechal e o Supremo*

JOSÉ MAURÍCIO BREDA

No momento em que se comentam as sempre controversas decisões do Supremo Tribunal Federal, chega-me, pelo WhatsApp, uma foto do marechal Floriano Peixoto trajando uniforme militar, com dedicatória que me aguçou a curiosidade: “À minha afilhada D. Anna Peixoto de Carvalho Gama, lembrança de Floriano Peixoto. Rio de Janeiro 22 de setembro de 1891”. Naquele momento exercia o cargo de vice-presidente da República Anna Peixoto de Carvalho Gama era minha avó, mãe de minha mãe Dulce Gama Brêda. Pesquisando a vida de Floriano Peixoto, fui ver que nasceu no Engenho de Riacho Grande, Ipioca, hoje Floriano Peixoto, distrito de Maceió, em 30 de abril de 1839 e era um dos dez filhos de Manuel Vieira de Araújo Peixoto e Ana Joaquina de Albuquerque Peixoto. Ainda recém-nascido, de família pobre, foi entregue ao padrinho e tio José Vieira de Araújo Peixoto, mais precisamente pai de minha avó, que cuidou de sua criação. Seus estudos deram-se, de início em Maceió, mudando-se, posteriormente, para o Rio de Janeiro onde fez o secundário, ingressando depois na Escola Militar do Rio de Janeiro. Em 11 de maio de 1872 casou-se com sua prima, Josina Vieira Peixoto, filha de seu pai adotivo e irmã de minha avó, no Engenho de Itamaracá, perto de Murici, Alagoas. Dessa união, nasceram oito filhos.

Como se sabe, a próspera carreira militar e política de Floriano sempre foi marcada por suas decisões firmes que lhe deram o apelido de “Marechal de Ferro” e, após a Proclamação da República, como consolidador da mesma. Primeiro vice-presidente da República, assumiu a presidência com a renúncia de Deodoro. O culto à personalidade de Floriano, conhecido como “florianismo”, deu início aos muitos “ismos” da política brasileira: getulismo, lacerdismo, ademarismo, janismo, brizolismo, malufismo e por fim o lulismo. (Cristiana Gomes. Governo de Floriano Peixoto, InfoEscola.)

Aí, perguntam-me o por quê da citação acima ao Supremo Tribunal Federal? Consta que, em abril de 1892, Floriano decretou estado de sítio após movimentos com divulgação de manifestos na capital federal contra seu governo. Prendeu vários golpistas e desterrou outros tantos para a região amazônica. Quando, em favor dos detidos, o jurista Rui Barbosa ingressou com habeas corpus, Floriano Peixoto ameaçou os ministros da Suprema Corte: “Se os juízes concederem habeas corpus aos políticos, eu não sei quem amanhã lhes dará o habeas corpus de que, por sua vez, necessitarão. O STF negou o habeas corpus por dez votos a um”. (Villa, Marco Antônio. A história das constituições brasileiras). Sua morte se deu em 29 de junho de 1895, data lembrada com feriado municipal em Maceió. 

*Reproduzido por incorreção

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