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20 de Novembro de 2018

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Edição nº 979 / 2018

11/07/2018 - 18:37:04

Dos homens, pés e sapatos

Isaac Sandes Dias

O recorrente e surdo combate existente entre jovens e velhos, pertencentes às mais diversas instituições e segmentos, quer sejam de trabalho, de lazer ou política, me obrigou à seguinte reflexão: a humanidade e os indivíduos, os pés e os sapatos, guardam, entre si, muita semelhança no contexto da jornada humana.

Como os sapatos os indivíduos podem ser novos ou velhos.  Como os pés, a sociedade pode ser calejada ou imatura.

Todos guardam entre si uma relação de simbiose e completude, onde suas importâncias e necessidades mútuas deverão ser respeitadas, jamais buscando prescindir uns dos outros para o sucesso da caminhada comum.

Quando os jovens são inundados pelas forças dos hormônios, costumam dar azo a um velho discurso de gerações passadas, o qual prega estar o velho ultrapassado para o ingente esforço social. Por seu lado, ao sentirem a sorrateira chegada da velhice, os homens maduros vão entoando uma catilinária que, da mesma forma, prega o despreparo do jovem para posições de destaque no contexto social.

Todos se acusam e se esforçam em demonstrar as deficiências uns dos outros, e esquecem de dirigir um simples olhar para o sábio exemplo que nos é dado pelo uso de nossos sapatos e pelas aptidões de nossos pés.

Com os sapatos aprendemos que, para o sucesso de uma caminhada longa e tortuosa, sem o surgimento de calos e bolhas, segura e sem percalços, teremos, obrigatoriamente, que fazer uso de sapatos velhos, os quais, devido à sua flexibilidade e maciez, adaptam-se facilmente àquele tipo de jornada.

Se, ao contrário, pretendemos fazer uma caminhada arrojada, cheia de performance e açodada, teremos obrigatoriamente que lançar mão de sapatos novos, brilhantes de solado impecável que, por sua resistência e beleza, se prestam melhor para tal missão.

Da mesma forma, são os pés e os homens. 

Para duras e tortuosas caminhadas, por terrenos pedregosos e áridos, melhor se adequam os pés calejados e empedernidos, já pés jovens e imaculados melhor se prestam para caminhadas curtas e velozes e sem percalços.

Da mesma forma são os homens. Para tarefas que exigem maturidade e razão, deveremos contar com homens maduros, experimentados, dotados da mais ampla sabedoria.  Já, quando os obstáculos a serem vencidos necessitam de arrojo e audácia, devemos contar com homens jovens e cheios de vitalidade para sua transposição.

Dessa forma, cada um merece ver reconhecido o seu valor na caminhada da humanidade. Com o devido cuidado e respeito devemos apenas na partilha da jornada a trilhar, entregar, a cada um, a tarefa que ele possa realizar com excelência.

Se, em determinada quadra do caminho tivermos que trilhar uma estrada cheia de armadilhas e obstáculos, que necessite de grande experiência no seu percurso, não devemos destinar este trecho a pés macios e não calejados, calçados em sapatos novos e rígidos. Pois eles jamais irão concluí-la satisfatoriamente. E sim àqueles experientes e calejados.

Por outro lado, se a estrada requer força, arrojo e energia para ser percorrida com eficiência, não devemos entregá-la a pés cansados e calejados, calçados em sapatos velhos, mas sim a pés jovens e ágeis calçados em sapatos novos.

Portanto, o que pretendo dizer é que jovens e velhos jamais podem e nem devem prescindir um do outro, cada um tem seu valor no seu território particular e com as aptidões e eficiências que lhes são próprias.

Pois, como as estradas, a vida é cheia de trechos tortuosos e ardilosos em alguns momentos, como de trechos urgentes   e impetuosos em outros. No entanto, a conquista objetiva do bem comum deve unir todos os homens na consecução de seus mais caros valores, sem prescindir, jamais, de velhos e jovens.

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