Acompanhe nas redes sociais:

21 de Setembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 979 / 2018

11/07/2018 - 18:32:01

Milagre eleitoral transforma inimigos em aliados

Em nome do voto, Célia Rocha, Rogério Teófilo, Padre Eraldo e Lula Cabeleira viram amigos de infância

Odilon Rios Especial para o EXTRA
Oposição desorientada favorece a reeleição de Renan Filho

Mesmo antes da abertura das urnas com o resultado das eleições deste ano, Alagoas registra fatos surpreendentes na política local. Inimigos figadais na disputa em 2016 viraram aliados e dividem até o mesmo palanque para eleger nomes em comum.

A política - assim como o futebol - é uma caixinha de surpresas.

Na cidade de Arapiraca estão juntos a ex-prefeita Célia Rocha e o atual prefeito, Rogério Teófilo; em Delmiro Gouveia, Padre Eraldo e Lula Cabeleira dividem até a mesma foto, no mesmo palanque.

Em Maceió, a demora do presidente estadual do PSDB, Rui Palmeira, em definir um candidato ao Governo do bloco tucano facilita toda a estratégia montada pelo Palácio República dos Palmares para reeleger o governador e, claro, montar o palanque para 2020, na disputa à Prefeitura da capital.

Não faz tanto tempo que o deputado federal Marx Beltrão (PSD) se comportava como uma pedra no meio do caminho do governador Renan Filho (PMDB) e do senador Renan Calheiros (PMDB). 

Agora, Marx não apenas elogia os Calheiros como fez um discurso de fidelidade e no último sábado (30 de junho) disse a aliados que não disputa mais o Senado, abrindo as prefeituras dominadas pelos Beltrão para o voto nos Calheiros.

Até o senador Fernando Collor- candidato a presidente da República- apareceu esta semana ao lado do governador e do senador Renan, sinalizando o seu voto em ambos em evento da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA) e do Interlegis, do Senado.

Por outro lado, a esquerda busca resolver as suas diferenças e tenta unificar os votos no professor Basile Christopoulos, do PSOL.

Existem também candidatos que buscam construir blocos próprios e eles têm força política. Deputado federal, João Henrique Caldas, o JHC (PSB), vai para a reeleição mas ele ainda não anunciou os seus votos à majoritária alagoana; ex-vereadora Heloísa Helena (Rede), que agrega o palanque da ex-senadora Marina Silva (Rede), declarou o seu primeiro voto ao Senado: será em Rodrigo Cunha (PSDB). O segundo nome deve ser do seu próprio partido. Quem ela vai apoiar ao Governo? Por enquanto, nenhuma informação.

Jacaré com cobra d’água 

Em uma semana, lideranças de peso na política alagoana puseram seus ódios uns contra os outros na geladeira. Célia Rocha e Rogério Teófilo pedem votos, juntos, para Rodrigo Cunha (PSDB), o deputado estadual mais votado que entrou na briga pelo Senado Federal.

Existe uma explicação. A mãe de Rodrigo, Ceci, que era do mesmo grupo de Célia e Rogério.

“O momento exige de todos nós muita ousadia para superarmos o velho e fazermos brotar o novo, abrindo mão dos caminhos mais fáceis. E para travar esta difícil batalha é preciso ocupar um espaço político de onde saem as decisões mais importantes do país e nascem as articulações mais decisivas para a vida política de Alagoas”, disse Rodrigo em carta aberta.

Em Delmiro Gouveia, Lula Cabeleira e Padre Eraldo também se uniram em torno da reeleição do governador e de Renan Calheiros. Pano de fundo foi a assinatura da ordem de serviço do Hospital Regional do Alto Sertão. Nem Lula nem Padre Eraldo citaram um ao outro. Mas, puseram as barbas de molho sobre 2020 - os dois ficarão em lados diferentes.

O ex-prefeito Marcos Santos e o deputado estadual Antônio Albuquerque se uniram no palanque de Traipu, conhecida nacionalmente pelo histórico de corrupção dos gestores que assumiram os cofres públicos.

Santos está em batalha na Justiça para não ser preso. E quer lançar o filho, com a ajuda de AA, na disputa pela Prefeitura de Traipu em 2020. Sim, a eleição por lá está de olho no futuro.

Antônio Albuquerque quer voos maiores: uma vaga para chamar de sua na Câmara Federal.

Rui descarta Tereza Nelma ao Governo 

Quem vai assumir a vaga de boi de piranha dos tucanos na disputa ao Governo? Depois que o presidente estadual do PSDB, Rui Palmeira, descartou a briga pela cadeira principal do Palácio República dos Palmares, outros nomes foram cogitados: o presidente da Câmara, Kelman Vieira; o líder do DEM, José Thomáz Nonô.

Esta semana, ele pôs uma pedra no assunto.

“Não houve diálogo quanto ao nome da vereadora, até porque ela é cogitada para a Câmara Federal. Já foram citados nomes como o de Kelmann Vieira e Eduardo Canuto, mas nada firmado ainda. Inclusive podemos recorrer a outros partidos. Com certeza, sairemos com um candidato ao Governo”, afirmou Rui.

Por óbvio, essa indefinição do PSDB facilita Renan Filho, que deve se reeleger sem oposição.

Marx Beltrão 

fora do 

Senado 

Até o último sábado, Maykon Beltrão substituiria Marx Beltrão na disputa pela vaga à Câmara Federal. Isso porque Marx disputaria o Senado. Não disputa mais, segundo o aviso “lá de cima” que se espalhou entre os que costuram sua campanha no interior.

O ex-ministro do Turismo vai para a reeleição, com apoio dos Calheiros, que declararam voto a Isnaldo Bulhões - hoje deputado estadual - para federal.

Marx Beltrão pode ter dificuldade para se eleger, levando em conta que prefeitos eleitos com a ajuda dele costuraram outros nomes para a Câmara dos Deputados.

O que fazer? Há algumas hipóteses: Marx disputaria a vaga de federal em desvantagem a outros candidatos há mais tempo no páreo; ele fechou entendimento para discutir as eleições em Maceió em 2020, e, derrotado viraria secretário de um 2º mandato de Renan Filho.

Em todas as hipóteses, Marx Beltrão é apontado como estando sempre ao lado dos Calheiros.

Esquerda afia os bigodes

O PSOL constrói uma ponte para atrair o PCR, PSTU e o PCB para aumentar os apoios ao professor Basile Christopoulos. A campanha dele recebe apoio financeiro da nacional e investe em um bom time na área de comunicação para tornar o pré-candidato mais conhecido.

Esta semana, o início da campanha mostrou os rumos do candidato: o ataque a Renan Filho.

“Ao contrário do mundo inteiro, o atual governo de Alagoas parece desconhecer o desafio mais global e requisito indispensável para o desenvolvimento sustentável: a erradicação da pobreza em todas as suas formas e dimensões. O que vemos por aqui é um enorme gasto do Fecoep sem planejamento e nenhuma estratégia sendo aplicado em ações que são peças do marketing dessa gestão: construção do Hospital da Mulher, Hospital Metropolitano de Porto Calvo e até em compra de tratores e aradeiras”, avalia Basile.     

O Fecoep é o fundo estadual de combate à pobreza. A estratégia é para cravar espaço nos debates. Vai funcionar? Os rumos da campanha vão dizer.

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia