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16 de Novembro de 2018

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Edição nº 979 / 2018

11/07/2018 - 18:18:44

JORGE OLIVEIRA

Esterilização do Exterminador (III)

JORGE OLIVEIRA

Maceió - Os bolsonaristas, enfurecidos, acham que esse articulista tenta influenciar os votos dos eleitores do seu candidato quando escreve aqui sobre as propostas do capitão para combater os males que afetam o país. Reagem quando são confrontados com as ideias reacionárias de Bolsonaro apresentadas no plenário da Câmara dos Deputados durante os mais de vinte anos de sua vida pública. Ficam chateados e agressivos quando descobrem que o militar é adepto da esterilização das mulheres pobres como forma de combater a violência no país. Isso mesmo, mulheres pobres! 

Os adeptos do capitão se irritam quando sabem que esse método é antigo, não é uma ideia original do seu candidato. Ele foi adotado por Hitler na Segunda Guerra Mundial e tinha como propósito eliminar “raças inferiores”. Depois, evoluiu para o massacre de mais de 6 milhões de judeus, ciganos e homossexuais nos campos de concentração.

A esterilização que Bolsonaro propôs no plenário da Câmara dos Deputados não teve os nazistas como pioneiros. Ela foi adotada primeiro nos Estados Unidos, no Estado de Nova York, no início do século XX, onde foi criada a Agência Eugenics Record Office. O método que deu origem à palavra “eugenia”- termo grego que significa “boa origem”, tem mais de 100 anos. Mas, agora, em pleno século XXI, Bolsonaro pensa em recriar o sistema, pois considera que a origem da violência estaria no nascimento de crianças pobres, o que justificaria a esterilização dessas mães. 

Em 1992, seu terceiro ano como deputado, ele já falava sobre o tema: 

“Devemos adotar uma rígida política de controle da natalidade. Não podemos mais fazer discursos demagógicos, apenas cobrando recursos e meios do governo para atender a esses miseráveis que proliferam cada vez mais por toda esta nação”.

Essa posição do capitão continuou em 1994, quando em um discurso na Câmara, ele deixou muito bem claro o que pensa sobre planejamento familiar: 

“Defendo a pena de morte e o rígido controle de natalidade, porque vejo a violência e a miséria cada vez mais se espalhando neste país. Quem não tem condições de ter filhos não deve tê-los. É o que defendo, e não estou preocupado com votos para o futuro”. 

Em junho de 2003, ainda no plenário da Câmara, ele voltou ao assunto: 

“Já está mais do que na hora de discutirmos uma política que venha a conter essa explosão demográfica, caso contrário ficaremos apenas votando nesta Casa matérias do tipo Bolsa Família, empréstimos para pobres, vale gás etc.”

E em 2008, voltou à carga: 

“Não adianta nem falar em educação porque a maioria do povo não está preparada para receber educação e não vai se educar. Só o controle da natalidade pode nos salvar do caos”.

Nega

O capitão procura negar esses discursos que estão nos anais da Câmara e atualmente circulam em vídeos nas redes sociais. Hoje, candidato, ele evitar tocar no assunto quando é questionado. Nega também discurso que fez em 2013 sobre o Bolsa Família, quando ainda falava sobre o que pensa do planejamento familiar. Segundo ele, o Bolsa Escola e o Bolsa Família serviriam apenas para incentivar os pobres a ter mais filhos e, com isso, aumentar a fatia que recebem de benefícios: 

“Só tem uma utilidade o pobre no nosso país: votar. Título de eleitor na mão e diploma de burro no bolso para votar no governo que está aí. Só para isso e mais nada serve, então, essa nefasta política de bolsas do governo”.

Fuga

Agora, como candidato, ao ser abordado sobre o assunto no evento da marcha dos prefeitos de Brasília, Bolsonaro procurou sair de fininho para não falar sobre o tema. Mesmo assim não poupou ataques aos mais pobres: 

“Eu gostaria que o Brasil tivesse um programa de planejamento familiar. Um homem e uma mulher com educação dificilmente vão querer ter um filho a mais para engordar um programa social”. 

O mesmo

Suas recentes declarações não mudaram muito do que ele pensava em 2011, quando disse na Câmara:

“Tem que dar meios para quem, lamentavelmente, é ignorante e não tem meios para controlar a sua prole. Porque nós aqui controlamos a nossa. O pessoal pobre não controla [a dele]”.

Irracionalidade

Essas posições irracionais do capitão são o pensamento de parte da população haja vista os seus índices nas pesquisas de opinião. É o reflexo de um eleitor que pensa que os problemas políticos, econômicos e sociais podem ser resolvidos de uma hora para outra por um candidato bufão, despreparado e reacionário. É a agonia de um povo desiludido que clama por soluções imediatas para os problemas que afetam o país. É também o desânimo com os políticos e a desesperança que se espalham em todos os segmentos da sociedade.

Herodes

O capitão, que ora se apresenta como candidato, pelo menos não nega suas posições. É sincero quando apresenta sua plataforma de governo e, com isso, vem atraindo os eleitores que se identificam com as suas propostas. Já que é tão radical quando se trata de combater a violência, sugiro que aceite uma ideia: a criação da Lei Herodes como seu primeiro ato de governo. Ela obrigaria o estado a eliminar todos os recém-nascidos de mães pobres para evitar que eles cresçam e contribuam para a violência.

Fraco

Esta semana o capitão participou de uma conversa com empresários reunidos na Confederação Nacional da Indústria. Lamentavelmente, como era de se esperar, não apresentou proposta que vislumbre alguma alternativa para sarar as feridas de um país que vai entrar em 2019 de pés descalços. Analistas apontam que a economia vai dar sinais de desgaste se as reformas, principalmente a da Previdência, não forem votadas no Congresso Nacional.

Dificuldade

Com um minúsculo partido, adotando posições radicais, é quase certo que se ganhar as eleições Bolsonaro não termine o mandato, a exemplo do que já ocorreu com dois outros presidentes – Collor e Dilma. Na hipótese de ganhar, o capitão chega ao poder sem o apoio do parlamento e terá grande dificuldade de compor sua base no Congresso Nacional para sustentar seu governo. Então, atenção, muita atenção para o vice que ele vai escolher. Aliás, fique de olho em todos os vices dos demais candidatos. A gente nunca sabe o dia de amanhã em um país tão anárquico como o nosso.

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